“Espiral” de descida dos preços da hotelaria lisboeta é incompreensível, diz CEO da Tivoli

Para Alexandre Solleiro, a hotelaria de Lisboa vive momentos incompreensíveis: “O que acontece em Lisboa é incompreensível, não há razão para os preços baixarem em Lisboa ”, afirmou ontem o responsável durante o tradicional almoço de Reis com a imprensa. O CEO da Tivoli referia-se à queda de cerca de 12% que os preços da hotelaria de Lisboa registaram ao longo dos últimos 3 anos. A cadeia Tivoli também baixou preços, cerca de 6% neste período de tempo, mas Solleiro justifica “nós tivemos que baixar os nossos preços para acompanhar o mercado”. Porque é que baixam os preços em Lisboa? Solleiro diz que não sabe a razão, mas fala em “espiral recessiva” e de um “problema de atitude perante o mercado”, de um “problema de consciencialização”. Afirmando que “quando as coisas estão um desastre e a ocupação está a 40%, é preciso provocar uma reacção no mercado, mas quando a ocupação está nos 60% não é preciso fazer promoções à toa, porque os clientes virão de qualquer maneira”. Porque acredita que “os clientes que nos visitam não deixarão de nos visitar se aumentarmos os preços para mais 10 euros”, o CEO da Tivoli garante que “há um limite para os preços baixos” um limite que “já atingimos”, a margem já desapareceu. Por isso a Tivoli impôs mesmo um limite às suas unidades, um preço abaixo do qual os quartos não poderão ser vendidos: “há um certo ponto abaixo do qual as minhas equipas não podem vender, temos um preço mínimo nos hotéis Tivoli” porque de contrário a qualidade de serviço não poderia ser garantida. Mas mesmo sem querer apontar o dedo a culpados, Alexandre Solleiro fala da concorrência desleal movida pelas camas paralelas, do alojamento local que “deturpou a realidade”. E fala também do “crescimento da oferta que está a ser muito superior ao crescimento da procura”. Ainda sobre Lisboa e o seu futuro, Solleiro sublinhou que a cidade precisa de um Centro de Congressos de grande dimensão, para 15 a 20 mil pessoas, “preparado para fazer congressos à séria”, pois de contrário, “Lisboa perde competitividade futura”. M.F.