AHETA desafia Governo a concertar Orientações Estratégicas com privados

A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) desafiou ontem o Governo a estabelecer um plano de Orientações Estratégicas para o sector em concertação com a iniciativa privada, uma ferramenta que a associação considera “urgente” para o “desenvolvimento competitivo da actividade turística”. “Trata-se de, na transversalidade da economia do turismo, criar orientações que permitam estabelecer os Planos, os Programas e as Acções que se venham a revelar necessárias e adequadas ao desenvolvimento competitivo da actividade turística portuguesa em geral e do Algarve em particular”, defende a AHETA em comunicado. Para a associação, é necessário “ultrapassar a visão estatizante do PENT” que, segundo a AHETA, está “ultrapassado desde a sua criação e, sobretudo, após a crise de 2008”, pelo que é “urgente definir” de imediato algumas orientações. A associação defende assim que se deve dar “prioridade às actividades turísticas em função do seu contributo para a Balança de Pagamentos e consequências a nível da transversalidade”, ao mesmo tempo que defende o “reconhecimento da realidade da concentração e dispersão da procura e oferta de turismo, com destaque para as áreas de influência dos aeroportos de Faro, Lisboa e Porto”. Por outro lado, diz ainda a AHETA, é preciso criar “condições de produtividade e rentabilidade das empresas, por via de uma intervenção pública transversal e coerente”, defendendo também a “qualificação da oferta pública de turismo, desde o território à envolvente dos empreendimentos turísticos”, o que é “indispensável para a sustentabilidade ambiental da oferta”, refere a associação. Mas a AHETA pretende também a “desestatização da promoção turística”, defendendo a “concertação com a iniciativa privada a todos os níveis”, nomeadamente através da separação da valorização de marcas e destinos regionais a cargo do Turismo de Portugal, bem como através do marketing & vendas a cargo das empresas. A finalizar as orientações estratégicas que para a associação são urgentes, a AHRESP aponta ainda a “despolitização, despartidarização e desregionalização das Entidades Regionais de Turismo”. Para a associação, depois da crise de 2008, “a actual revisão do PENT é mais o resultado de uma inércia política e administrativa do que a Reforma do Estado que o país e a economia do turismo precisam” e diz mesmo que “não se opõe ao facto do Turismo de Portugal ter um Plano Estratégico” mas recusa “confundir esse Plano com a Economia do Turismo”. I.M.