AHRESP: Restauração e alojamento precisam de mais 40 mil empregados

Empregados de mesa e de bar, copeiros, ajudantes de cozinha e empregados de quarto são, segundo a AHRESP – Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, os profissionais que mais estão em falta na área da restauração e do alojamento turístico.

O turismo, e particularmente o Canal HORECA (restauração e alojamento turístico), tem vindo a registar crescimentos sucessivos na empregabilidade. Em 2016, este sector da actividade turística representou 70,8% das empresas (92.802) e 77,8% dos postos de trabalho (310.279). Os dados foram avançados pela AHRESP que, em comunicado, sublinhou que “neste momento não há mão-de-obra qualificada disponível para trabalhar no sector”.

A Associação estima mesmo que, por via do crescimento turístico, em breve vão ser necessários mais 40 mil novos trabalhadores para o sector e, em declarações ao Diário de Notícias desta quinta-feira, a secretária-geral da Associação, Ana Jacinto, avança mesmo que já existem negócios parados por falta de pessoal e que pelo menos metade das empresas de restauração está já a braços com falta de empregados.

“A nota que os empresários nos passam é que têm negócios para abrir e que não o fazem porque não têm recursos humanos suficientes”, afirmou Ana Jacinto, sublinhando ainda que o sector da restauração e do alojamento turístico precisam “urgentemente de mão-de-obra, mesmo que menos qualificada”.

De acordo com um inquérito efectuado pela AHRESP, 52% das empresas têm necessidade de contratação de um novo colaborador, concluindo-se que “a área do serviço de sala é aquela que apresenta mais carência de recursos, com quase 60% das empresas com a intenção de contratar”, frisa a Associação em comunicado emitido esta quinta-feira.

Segundo a secretária-geral da AHRESP, “estes resultados demonstram a ausência de mão-obra-disponível para trabalhar nos nossos sectores de actividade, onde o fenómeno da sazonalidade está a desaparecer, uma vez que cerca de 32% dos empresários referiram que têm intenções de contratar já neste Inverno de 2017/2018, considerada época baixa”.

Já em comunicado emitido também pela Associação a 28 de Dezembro último, o director-geral da AHRESP, José Manuel Esteves, frisava que “não obstante a performance que o sector está a registar, de forma sustentada há mais de um ano, neste momento deparamo-nos com um estrangulamento do mercado de trabalho nacional e uma escassez de mão-de-obra qualificada, o que coloca graves problemas na qualidade da nossa oferta turística, e no desenvolvimento das nossas empresas, dos seus negócios e dos seus actuais e futuros investimentos”.

O emprego no sector estará em debate no próximo dia 9, nas Jornadas sobre Mercado de Trabalho no Sector do Turismo, organizadas pela AHRESP na Fundação Champalimaud, onde serão debatidas temáticas como o emprego, as competências e o diálogo social. O evento vai juntar empresários, governo, parceiros sociais e entidades formadoras para debater os desafios e as reformas necessárias. O Primeiro-ministro presidirá a esta iniciativa, onde serão apresentados os resultados do relatório do Grupo de Trabalho do Monitor do IVA, referente ao 1º semestre de 2017, com dados acumulados de um ano de aplicação da medida.