Augusto Santos Silva: Turismo é “uma das principais armas” contra o terrorismo

“Uma das principais armas contra a radicalização e o terrorismo é o turismo”e, nele, a gastronomia dá elevada contribuição. Esta foi uma das ideias deixadas por Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, no lançamento da Rede de Restaurantes Portugueses no Mundo, um projecto que considerou importante em termos do turismo, da cultura e da economia.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, a instalação de uma Rede de Restaurantes Portugueses no Mundo, vai “valorizar internacionalmente a gastronomia portuguesa”, um objectivo que justifica o amplo apoio gerado à sua volta, dado que apoiar a gastronomia é também apoiar a restauração, uma “actividade geradora de emprego”, “salvaguardar um património cultural” e promover “um dos principais factores de atracção turística”, sendo por isso, também, “um dos eixos da internacionalização da economia portuguesa” e da “valorização e afirmação internacional do país”.

Com a vantagem de acompanhar a rede de cinco milhões de portugueses ou descendentes de portugueses, com esta rede “estamos, em primeiro lugar, a cumprir o nosso dever face à diáspora portuguesa”, ao mesmo tempo que “criamos uma marca e um circuito que valoriza e afirma o papel e a imagem de Portugal no mundo”, afirmou o ministro. Mas Augusto Santos Silva sublinhou também que, pelo facto de esta rede não assentar simplesmente em restaurantes portugueses mas sim em restaurantes portugueses que “provem ter a qualidade necessária e ser autenticamente portugueses”, por apresentarem produtos genuinamente portugueses, através dela será também promovido o “aumento das exportações”. Desta forma, continuou, a Rede de Restaurantes Portugueses no Mundo será “um canal de distribuição para os pequenos e médios produtores portugueses que aqui encontram uma nova oportunidade”.

O ministro sublinhou ainda que um dos papéis que vai caber ao Governo será o de trabalhar com os governos dos países para os quais Portugal exporta, no sentido de combater as contrafacções e alargar os mercados de exportação. No que se refere ao papel do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva diz que cabe ao seu Ministério “apoiar o desenvolvimento do projecto através dos seus instrumentos diplomáticos e de política externa”. A propósito, citou o exemplo do Brasil, mercado para onde “nós exportamos muito azeite para o Brasil mas queremos exportar mais e para que a rede funcione temos que exportar mais”, o que só pode ser feito se houver um trabalho conjunto com as autoridades brasileiras para que possa ser “reduzidas as restrições à importação” de produtos portugueses.

“Há várias instituições cujo trabalho tem de concorrer para o desenvolvimento desta rede”, sublinhou o ministro, considerando que “a AHRESP é a condição de credibilidade deste programa”.

A finalizar a sua intervenção, Augusto Santos Silva disse: “Todos nós sabemos hoje que a principal ameaça que corremos é a dos ataques terroristas e que uma das principais armas que nós temos contra a radicalização e o terrorismo é o turismo, é deslocarmo-nos, é não hesitar em continuar a frequentar os nossos espaços públicos, é não hesitar em conhecermo-nos uns aos outros e (…) Ora, a gastronomia também é uma oportunidade de nos conhecermos, nos valorizarmos e aprendermos que somos todos membros de uma única espécie que é a humanidade” e este será “um pequeno grande contributo português para esse espírito”.