Autocarros turísticos ocasionais já não circulam pela zona Sé-Castelo

Entrou esta terça-feira (1 de Agosto) em vigor, a proibição de circulação de autocarros turísticos ocasionais nas zonas da Sé e Castelo de São Jorge. A medida imposta pela Câmara Municipal de Lisboa deverá ser alargada, em Setembro, ao eixo Cais do Sodré-Rua do Alecrim-Príncipe Real-Largo do Rato, mas há vozes contrárias da área dos transportes e do turismo.

A proibição de circulação de autocarros turísticos ocasionais que para já abrange apenas as zonas da Sé e do Castelo de São Jorge, não está a ser pacífica. A ANTROP – Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros foi das primeiras entidades a reagir, tendo emitido um comunicado em que questiona a medida tomada pela Câmara Municipal de Lisboa, considerando “inaceitável que não tenha sido sequer auscultada” acerca de uma medida que introduz alterações de carácter organizacional, logístico, comercial e económico na prestação de serviços ocasionais” prestados pelos seus associados.
Pedindo esclarecimentos à autarquia, a ANTROP diz que não devem ser desvalorizados “todos os transtornos e prejuízos causados com esta medida a todos os turistas e ao sector do turismo da cidade de Lisboa, responsáveis pelo crescimento económico e reputacional da cidade”. Neste sentido, a associação “quer saber quem paga os prejuízos causados”.

Contrária à medida é também a posição do Sindicato Nacional da Actividade Turística, Tradutores e Intérpretes (SNATTI). Em declarações à Agência Lusa, o seu secretário-geral, Paulo Cosme, afirmou ser “totalmente contra”, uma vez que desta forma fica cortado o acesso a zonas centrais da cidade, principalmente no caso dos operadores que trabalham com grupos de mobilidade reduzida.

Afirmando que “os riscos são imensos” para o sector, Paulo Cosme disse também à Lusa que “os agentes de viagem já têm contratos assinados até ao final do ano, alguns para o próximo ano, há vários congressos organizados para Lisboa, e as pessoas ficam quase sempre alojadas na Baixa”. Com as restrições que entraram agora em vigor, a que se somarão novas interdições já a partir do próximo mês de Setembro, “vai ser praticamente impossível ter acesso a hotéis, a restaurantes”.

Sobre recentes declarações do vereador Manuel Salgado ao Diário de Notícias, em que especificava que o transporte de passageiros de e para os hotéis poderia ser feito em minibus até 9 lugares, o secretário-geral do SNATII comentou à Lusa: “Não vou pôr as pessoas a andar em carrinhas, como é sugestão do senhor vereador”, precisando ainda que isso teria “imensos” custos e que não seria “nada prático”.

Igualmente desfavorável é a posição da Associação Portuguesa de Guias Interpretes e Correios de Turismo (AGIC), que ao jornal Público alertou para o facto de muitos turistas que visitam a zona do Castelo de São Jorge e da Sé terem mobilidade reduzida. Para esta entidade
Solução não passa por proibir mas sim por “regular e fiscalizar locais de tomada e largada de passageiros”, de todos os transportes afectos ao turismo.

Recorde-se que a autarquia anunciou estar em estudo a possibilidade de alargar a interdição de circulação de autocarros turísticos em serviço ocasional à Av. Infante Santo, Estrela, Av. da Liberdade, Almirante Reis, Chile, Morais Soares, Paiva Couceiro e Santa Apolónia.

De referir que, fora desta medida que parece agradar apenas aos moradores, ficaram os autocarros panorâmicos.