Classificação da UNESCO pode ser a “salvação” do Bussaco, diz presidente da Fundação

O Bussaco está na corrida a Património Mundial da UNESCO, e só este impulso dado pela candidatura e pela esperada confirmação pode trazer novas fontes de rendimento que permitam alcançar a “sustentabilidade financeira” da fundação e “cumprir os objectivos” de valorização da mata.

  

  

Esta preocupação foi avançada por António Gravato, presidenta da Fundação Mata do Bussaco, aos jornalistas que integraram uma fam trip promovido pelas Termas Centro, e que permitiu não só visitar as estâncias do Luso e São Pedro do Sul, como também as áreas envolventes.

É “a mistura de valências” que fazem da Mata Nacional do Buçaco um ex-libris nacional, defendeu o presidente da Fundação que falou em espaço com “enorme riqueza ambiental, cultural, histórica e edificada, sem esquecer o património religioso do Convento de Santa Cruz, das vinte capelas que compõem a Via-Sacra e o Palace Hotel do Buçaco”.

Ao todo são 105 hectares de património ambiental (cerca de 250 espécies vegetais tanto autóctones como vindas de outros continentes, bem como 26 árvores notáveis e quatro conjuntos arbóreos considerados monumentos nacionais) e edificado (140 edificações de diverso índole) que quer ser relançado pela UNESCO, candidatura que se destaca pela biodiversidade e diversidade de paisagens e que fazem deste local um “verdadeiro museu biológico”, acredita António Gravato.

Meio milhão de visitantes por ano até três anos após a classificação como Património Mundial, (actualmente o espaço acolhe 270 mil entradas anuais) subidas de 15% nos alojamentos e 30% no número de dormidas, bem como melhorar a atracção turísticas das áreas envolventes, são as grandes metas. Segundo o presidente da Fundação, “acreditamos que, no prazo de dez anos, iremos passar das actuais mil camas para 1500, e das actuais 80 mil dormidas anuais para 160 mil, o que contribuirá para um aumento importante na percentagem de dormidas registadas na região Centro”. A nível ambiental, um apoio como a classificação da UNESCO permitiria aumentar a capacidade de preservação dos recursos florestais e investir na investigação sobre técnicas de projecção da mata.

Classificado este ano “finalmente” como Monumento Nacional, já que apenas ostentava a categoria de Imóvel de Interesse Público desde 1943, o conjunto monumental do Buçaco é formado pelo Palace Hotel do Buçaco – instalado em 1917 num pavilhão de caça dos últimos reis de Portugal – pelo Convento, as ermidas, as capelas e os Passos que compõem a Via-Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco. Esta decisão, considera António Gravato, “vem corrigir um erro grave que tardava em ser corrigido e fazer finalmente justiça a um espaço único no país, ao qual a administração central se divorciou durante anos e anos”, e ao mesmo tempo “reforçar o processo de candidatura a Património Mundial da UNESCO”.

No entanto, já decorrem as obras de conservação e reabilitação do Convento de Santa Cruz do Buçaco, a que se seguirão as das capelas da Via Sacra da Mata Nacional do Buçaco, num investimento de um milhão de euros, parte do qual vem de fundos comunitários, incluindo 75 mil euros do Provere.

Outra preocupação do responsável pela Fundação Mata do Bussaco tem a ver com a necessidade de uma “profunda intervenção” no Palace Hotel do Buçaco, unidade de cinco estrelas luxo, cuja concessão está entregue ao Grupo Alexandre Almeida, que vai “exigir muitos milhões de euros de investimento”.