Congresso APAVT: “MI em Portugal” Incoming vs. Congressos e Eventos?

“MI em Portugal, Factores de Competitividade”, foi um dos mais animados painéis do 42º Congresso da APAVT, por via das opiniões expressas e da participação da plateia. Tudo porque, apesar dos pontos de concordância entre os intervenientes, houve outros de discórdia. A captação de congressos internacionais que impossibilitam alguns eventos de maior duração foi um deles.

Na abertura do 42º Congresso da APAVT, a secretária de Estado do Turismo tinha-se referido ao programa de captação de congressos internacionais do Turismo de Portugal, falou do seu sucesso e avançou terem sido conquistados 41 novo congressos internacionais para 2017, um número que, durante o painel do “MI em Portugal” seria corrigido para 42 (já estava certo mais um) por Joaquim Pires, do Turismo de Portugal, responsável por este programa.

A ideia de haver um programa específico para a captação de congressos internacionais é abraçada por muitos, mas não por todos. João Silva, da Team Quatro, desde logo por ser “avesso” aos apoios do Turismo de Portugal neste e noutros segmentos. “Promover Portugal não é dar subsídios”, afirmou, acrescentando que “os clientes têm que vir a Portugal pela qualidade da oferta, do produto, do serviço, pelas pessoas. Não sou adepto de pagar às pessoas para virem a Portugal”.

Afirmando que este tipo de apoios acaba por gerar a “distorção” do mercado ao nível da concorrência,  João Silva referiu-se às declarações da secretária de Estado na entrevista à Turisver, em que afirma que estão a ser conseguidos congressos para as épocas em que há menos negócio. Também esta ideia é posta em causa pelo responsável da Team Quatro que, afirmando ser perigoso dizer que estamos a captar negócio para as épocas em que não há negócio”, questionou: “quem é que definiu as épocas?

João Silva deixou ainda claro ter já perdido negócio por causa dos congressos ou dos grandes eventos, mostrando que existe quase um voltar de costas entre estes e o incoming. Tudo porque os congressos acabam, em muitas épocas, por dificultar as reservas de que o incoming precisa na hotelaria. “Tenho alguma dificuldade em perceber esta euforia à volta destes grandes eventos e congressos”, disse. E explicou as suas razões: uma delas reside no facto de ter sido perdido negócio de muitos dias, alguns de meses, e de muitos milhões de euros porque a cidade está ocupada dois ou três, como aconteceu na Web Summit: “No período da Web Summit não se pôde fazer mais nada. Tudo o que vinha nessa altura teve de ser ou cancelado ou não veio ou foi protelado ou para outro sítio”

Tudo isto porque, como afirmou também, “nós não temos infra-estruturas para grandes congressos”. Segundo o responsável “Lisboa precisa de centros de congressos como de pão para a boca”, mas não só, tanto que no ar ficaria uma das suas várias perguntas: “E estiverem cá 24 mil pessoas, onde há que há lugar para mil pessoas jantarem em Lisboa?”.

Num painel em que muito se falou também de competitividade, a taxa de IVA que impende sobre os eventos não deixaria de vir à liça, com Joaquim Pires, M&I Marketing Manager do Turismo de Portugal, a fazer um “mea culpa” pela forma errada como se está a explicar a situação ao sector e ao país.