DMT: Turismo tem de ter quadro jurídico-laboral apropriado, sustenta a CTP

Na conferência que assinalou o Dia Mundial do Turismo, a CTP afirmou que os turistas não ameaçam a sustentabilidade dos destinos e que para que o turismo continue a crescer necessita de um quadro jurídico-laboral específico. Também o ministro Adjunto e da Economia alertou para as “novas exigências e desafios” que o crescimento do turismo coloca, destacando que o sector está à altura de os ultrapassar.

“É preciso abandonar de uma vez por todas a ideia de que temos turistas a mais. Ou que os turistas são sinónimo de ameaça à sustentabilidade dos destinos”, foram duas das ideias deixadas pela Confederação do Turismo de Portugal na sessão de abertura da conferência “Turismo Sustentável: um legado para o futuro” que assinalou o Dia Mundial do Turismo. Francisco Calheiros, presidente da CTP, não esteve presente mas a sua intervenção seria lida pelo vice-presidente, Carlos Moura. Nela, a CTP enalteceu os resultados do turismo e o seu contributo para áreas como a economia ou o emprego, para deixar claro que o país não pode diabolizar este sector de actividade.

“O turismo tornou-se uma das actividades económicas mais importantes do planeta e um importantíssimo motor de desenvolvimento para as sociedades actuais, crescendo acima do PIB mundial”, com Portugal a receber 15 milhões de turistas estrangeiros em 2018 ou 21 milhões no total. A manter-se esta tendência de crescimento “ a necessidade de uma gestão cada vez mais criteriosa do território também deve aumentar” – e este é o desafio que se coloca, já que, para a Confederação, a “verdadeira ameaça” à sustentabilidade está na “incapacidade de antecipar, planear e intervir” em áreas como a qualificação dos territórios, mobilidade, infra-estruturas aeroportuárias e estratégias de sustentabilidade ambiental, entre outras.

Elegendo a qualificação e formação profissional e a demografia como os principais desafios que se colocam à actividade, a CTP enviou “em tempo útil” aos principais partidos uma série de propostas como a importação de mão-de-obra, a modernização do sistema educativo, a melhoria de qualidade de vida dos trabalhadores do turismo e legislação apropriada ao sector. “De uma vez por todas, a actividade económica do Turismo tem de ter um quadro jurídico-laboral que tenha em conta as suas características intrínsecas”, afirma a Confederação do Turismo.



Intervindo na sessão de abertura da conferência, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, realçou o crescimento do turismo em Portugal traz “novas exigências e desafios” ao país. Entre estes citou o desenvolvimento das infra-estruturas, nomeadamente as aeroportuárias, os recursos humanos, a economia circular e a sustentabilidade.

Assegurando que o turismo está preparado para enfrentar estes novos desafios, referiu-se aos Açores como um exemplo do percurso que o país fez no seu todo, nomeadamente em termos de ligações aéreas, promoção turística, qualificação da oferta e estruturação do produto. “A mensagem que queria deixar é esta: este é um sector que está, seguramente, à altura dos muitos desafios que poderão colocar e da ambição mais elevada. Afinal de contas Portugal é o 12.º destino mais competitivo a nível mundial. Estamos a dar passos muito sólidos na sustentabilidade da nossa actividade”, afirmou.

*O Turisver.com viajou a convite da Confederação do Turismo de Portugal