Empresas portuguesas de turismo incorporam cada vez mais práticas sustentáveis

Um estudo realizado pela Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo (ESGHT) da Universidade do Algarve indica que uma em cada quatro empresas das regiões Mediterrânicas de Portugal declarou não existirem barreiras à implementação de práticas de sustentabilidade nas suas operações.

Os resultados do projecto, que foram apresentados publicamente esta sexta-feira no Auditório da ESGHT, no Campus da Penha da UAlg, concluem que Portugal é o país da região do Mediterrâneo em que as empresas sentem menos barreiras, seguido de Espanha e de França, enquanto as empresas turísticas de Malta, Croácia e Eslovénia foram as que indicaram com maior frequência sentir mais barreiras à implementação de práticas de sustentabilidade.

De acordo com este estudo elaborado no âmbito do projecto ShapeTourism “New shape and drives for the tourism sector: supporting decision, integrating plans and ensuring sustainability”, cofinanciado pelo FEDER através do programa Interreg V-B MED, 83% das empresas portuguesas incorporam, pelo menos em certa medida, práticas de sustentabilidade. Apenas 17% das empresas turísticas declararam que não implementam nenhuma prática sustentável nas suas operações empresariais.

Refira-se que este estudo, que envolveu um inquérito transnacional que observou quase 500 stakeholders públicos e privados relacionados com o turismo, numa população em estudo de mais de 9000 stakeholders de nove países da região do Mediterrâneo, mostrou ainda que as três práticas incorporadas em grande medida pelas empresas turísticas portuguesas são: recrutar e contratar pessoas locais (68%), preservar a identidade cultural e histórica (63%), e promover a eficiência energética (59%). Por outro lado, as três práticas que não são implementadas com maior frequência são: limitar o acesso de visitantes a recursos culturais e históricos de elevada sensibilidade (41%), doar fundos ou serviços/bens a iniciativas verdes (39%), e limitar o acesso de visitantes a recursos naturais de elevada sensibilidade (34%).

Este inquérito também avaliou as dinâmicas do turismo nas regiões do Mediterrâneo, tendo concluído que o turismo está muito dinâmico nas regiões Mediterrânicas de Portugal, já que mais de três quartos dos stakeholders afirmaram que a sua região está a investir mais em turismo do que há três anos, quatro em cada cinco  referiram que a sua região está a recrutar mais trabalhadores do que há três anos, cerca de dois terços indicaram que a sua região está a diversificar a oferta turística, e mais de metade mencionaram que a sua região está a diversificar os canais de distribuição.

Os resultados deste inquérito transnacional aplicado em oito idiomas diferentes em nove países da região do Mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Croácia, Eslovénia, Chipre e Grécia), podem ser consultados num módulo de um Sistema de Apoio à Decisão que foi desenvolvido no âmbito do projecto ShapeTourism, que apoia os formuladores de políticas e operadores privados com vista a alcançar atractividade, crescimento, sustentabilidade, levando em conta os principais desafios da concorrência global. Este sistema inclui quatro módulos – um Observatório, um Inquérito, Mapas de Cenários e Clusters de Regiões – e está disponível para ser utilizado em www.shapetourism.eu.