Fernando Jorge: o português que dirige o maior “hotel flutuante” do mundo

Nunca dirigiu um hotel em terra firme, a sua formação e primeira actividade profissional foi na área financeira e bancária, até que um dia resolveu mudar de vida. A intenção era, não só trabalhar fora de Portugal mas, sobretudo, viajar – e viajar é o que tem feito nos últimos 15 anos, desde que entrou na Royal Caribbean. As funções ocupadas a partir de então foram várias e hoje Fernando Jorge é director de hotel no Symphony of the Seas.

A bordo de um navio da RCI, as suas primeiras foram na recepção e não chegou a completar o contrato: “Achei que não era para mim, fui embora mas voltei porque tive saudades”. No regresso, a partir de Setembro de 2003, foi supervisor, gerente de recepção, director de serviço ao cliente, director da frota ao nível do serviço ao cliente, o que lhe permitiu “viajar em todos os navios da frota” e depois director-geral adjunto de hotel, director de projectos e, desde há cinco anos, director de hotel.

Como director de hotel começou em navios mais pequenos e, mais recentemente em navios maiores, tendo passado nos navios Vision of the Seas, Radiance of the Seas, Serenade of the Seas e Harmony of the Seas, até chegar agora ao maior navio do mundo, o Symphony of the Seas que veio destronar o “gémeo” Harmony.

O que é que faz um director de hotel num navio? “Praticamente tudo o que não é conduzir o navio ou estar na sala das máquinas”, explica Fernando Jorge. Em entrevista aos jornalistas do trade que tiveram a oportunidade de viajar entre Málaga e Barcelona no Symphony of the Seas, de 27 a 29 de Março, precisou que a responsabilidade das suas funções abrange as áreas de alojamento, comidas e bebidas, limpeza dos quartos e áreas públicas, piscinas, informática, inventário e logística, entretenimento, serviço ao cliente, área financeira, ou seja “é a gestão de todo o hotel em todas as áreas que um hotel teria e mais algumas coisas porque se trata de um navio”. Pela abrangência de funções, abaixo do director-geral estão 11 directores que lhe reportam directamente. A Fernando Jorge cabe também liderar a evacuação do hotel em caso de emergência.

O maior desafio que se coloca dentro das suas funções é, no entanto “conseguir ter todo o alojamento a um nível que permita aos hóspedes terem a experiência que a companhia quer que eles tenham”. Uma tarefa que confessa não ser fácil num navio como o Symphony: são mais de 6.500 pessoas que saem dos quartos entre as 07h00 e as 09h00 e às 10h30 já temos outros passageiros a entrar. Por isso, e porque as áreas públicas são imensas, há processos de treino que são seguidos pelas equipas e toda a operação funciona 24 sobre 24 horas.

Nestes anos que leva como director de hotel em navios, Fernando Jorge acabou por desenvolver o “bichinho” da hotelaria, confessando que o seu sonho é regressar a Portugal com esposa e filhos (actualmente no Canadá) e abrir “o meu pequeno hotel, dedicado ao charme e à qualidade”. Mas isso será “um dia”. Para já vai continuar a gerir hotéis sobre as ondas: “Há 10 anos perguntaram-me quanto mais tempo, respondi dois anos e é isso que continuo a dizer, mas não tenho planos para sair”. Talvez porque queira juntar ainda mais alguns aos cerca de 70 países que já visitou.

*Entrevista na íntegra na edição de Maio da revista Turisver

** A Turisver viajou no Symphony of the Seas a convite da Melair, representante da Royal Caribbean em Portugal