Fiscalidade, financiamento e legislação impedem produtividade

A conclusão é do estudo “A Produtividade das Empresas de Restauração, Alojamento e Turismo em Portugal”, apresentado esta quarta-feira pela AHRESP que revelou como factores que mais afectam a produtividade das empresas do canal HORECA no nosso país a inconstância legislativa, a fiscalidade e as limitações ao financiamento para a inovação das empresas.

Dividido por comparação com outros países europeus (Espanha, Grécia, França e Itália), por comparação sectorial e por inquéritos a empresas do sector, o estudo revela que a aposta na inovação de produtos, bem como o lançamento de novos conceitos e práticas de negócio têm um efeito positivo na produtividade das empresas.

Porém, as conclusões do estudo demonstram que as limitações ao financiamento são por sua vez um forte entrave a essa inovação, pelo que o reforço dos investimentos neste domínio é considerado essencial para aumentar a produtividade.

Co-financiado pelo Turismo de Portugal e elaborado pelo Centro de Estudos Turísticos da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, com o apoio do Instituto Informador Comercial, este trabalho aponta também as “constantes” mudanças na regulamentação na restauração e hotelaria, peso fiscal, custos de financiamento e de contexto como factores que diminuem a produtividade e por sua vez a competitividade das empresas.

Ao nível da formação, o estudo revela algumas deficiências estruturais, pelo que se torna “urgente” garantir níveis elevados de eficiência e eficácia, através de formação profissional qualificada.

Na apresentação do estudo, Mário Pereira Gonçalves, presidente da AHRESP, referiu que este trabalho “indica caminhos e orientações que deverão ser tomadas em consideração por todos os intervenientes e integrantes do canal HORECA, mesmo em sede de concertação social, e nas negociações dos contratos colectivos, e deve igualmente ser analisado como um nosso contributo para a reforma do mercado de trabalho”.

Presente esteve também João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal, que afirmou que a entidade que representa está “sempre disponível para apoiar como apoiou este estudo e o fará com tanto maior intensidade quanto maior for a certeza que as utilizações que lhes são feitas são reais, e não estudos que ficam na gaveta, e se fizer noção de que aquilo que está a ser feito em relação à evolução e modernização do tecido empresarial tem o turista como primeiro foco”.

A intervenção final esteve a cargo da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que comentou o “empenho do Governo e do Orçamento de Estado para 2016 em criar crescimento económico e criar emprego, promovendo a competitividade das nossas empresas”.

Para tal, “a competitividade para nós assenta em cinco pilares chave: inovação, na concepção do produto, na comercialização e promoção e na capacitação digital das empresas; na captação de financiamento; na internacionalização, certificação e diminuição dos custos de contexto, e formação, onde as escolas têm de estar cada vez mais de portas abertas para dialogar com os empresários”.

O estudo pode ser consultado na íntegra aqui