Governo lançou debate para a Estratégia de Turismo 2017

O Governo lançou esta quinta-feira em Tomar as bases do que poderá vir a ser uma nova estratégia de turismo para a década, apostando em 10 activos estratégicos. Vai seguir-se agora um período alargado de consulta pública que se pretende o mais abrangente e participativa possível.

A Estratégia Turismo 2027, que irá enquadrar também o próximo quadro comunitário de apoio 2021-2027.assenta em cinco eixos estratégicos, nomeadamente, valorizar o território, impulsionar a economia, potenciar o conhecimento, gerar conectividade e projectar Portugal.

A consulta pública vai centrar-se em torno daquilo que o Governo identificou como sendo os “10 desafios para uma estratégia a 10 anos”, a saber:

EMPREGO – Promover o emprego, a estabilidade laboral e o aumento dos rendimentos dos profissionais do turismo

COESÃO – Mitigar as assimetrias regionais

RECEITAS – Crescer mais do que a concorrência em receitas turísticas

SAZONALIDADE – Reduzir a sazonalidade

CLIMA – Estimular o alinhamento do Turismo com a Estratégia Nacional de Combate às Alterações Climáticas.

MUDANÇA – Adequar os modelos de negócio das empresas às novas tendências do mercado

SEGURANÇA– Garantir a manutenção da segurança do destino

SUSTENTABILIDADE – Assegurar a preservação e a valorização económica sustentável do património cultural e natural

SIMPLIFICAÇÃO – Simplificar a legislação e tornar mais ágil a administração

FUNDOS – Assegurar uma adequada aplicação dos fundos comunitários, coerente com as prioridades para o Turismo

A estes desafios de natureza global, juntam-se outros 10, de natureza específica. Assim, ao nível do ALOJAMENTO, pretende-se, segundo o documento, “privilegiar projectos de alojamento que valorizem e regenerem os centros urbanos e que requalifiquem a oferta”, bem como “incrementar o RevPar e a permanência média”.

Ao nível do ALOJAMENTO LOCAL, o governo que assegurar a sua “plena integração no contexto “do bairro” e da autenticidade dos destinos, potenciando o seu contributo para a regeneração urbana e vitalização dos centros históricos” , assim como “melhorar o quadro legal”.

Em termos da ANIMAÇÃO TURÍSTICA, os objectivos são “estruturar a oferta de forma a dinamizar redes e produtos de escala” e “posicionar a animação turística como um activo chave para a qualificação dos destinos Recursos Turísticos”

No que concerne aos RECURSOS TURÍSTICOS, o que se pretende é “projectar a “cultura” como um activo de excepcional valor da oferta turística; valorizar o património natural através de acções de turismo sustentado”; “potenciar o “Mar” como suporte de actividades turísticas” e “criar conteúdos que melhorem a experiência turística e imagem do destino”.

Para a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, “o turismo é demasiado importante em Portugal para não ter uma estratégia partilhada entre os que no dia-a-dia fazem o destino. Há problemas estruturais no nosso país que impõem políticas públicas activas, nomeadamente em termos de infra-estruturas, acessibilidades, qualificação das pessoas, inclinação do mapa de Portugal para o litoral. Precisamos todos de assumir os compromissos necessários para aumentar o valor da oferta, desconcentrar a procura de forma geográfica e ao longo de todo o ano para que a actividade turística seja sustentável, crie riqueza e emprego qualificado. Estamos a construir um referencial estratégico para o Turismo em Portugal, estável e estruturante, que resulte do trabalho articulado entre o sector público e privado”.

Ana Mendes Godinho reafirmou ser “essencial que a actividade turística se estenda de norte a sul do país e do litoral ao interior e não se limite aos destinos tradicionais”. A propósito dos desafios que importa ultrapassar, a governante sublinhou ainda que “no diagnóstico feito ao sector foram identificados alguns pontos críticos, que merecem políticas públicas activas, tais como empresas descapitalizadas e com dificuldades de acesso ao crédito; decréscimo do emprego no turismo, a persistência de baixos rendimentos dos trabalhadores no turismo; barreiras burocráticas ainda existentes; sazonalidade acentuada; taxas de ocupação ainda baixas, e diminuição da permanência média”.

Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, defende que “a Estratégia para o Turismo 2027 pretende ser um mecanismo gerador de sinergias para potenciar o efeito catalisador do Turismo. Dado o seu cariz multissectorial, o modelo deve ser concebido para que consiga contribuir para optimizar o seu desempenho, reforçar a capacidade competitiva e de financiamento, a salvaguarda da reputação das suas organizações e a garantia da sua continuidade e, ainda assim, ser capaz de efectuar uma gestão adequadas das expectativas dos vários atores, determinando como aqueles afectam e são afectados pelas medidas de política”.

Para participar na discussão pública da Estratégia Turismo 2027 aceda ao link http://estrategia.turismodeportugal.pt/.