Hotelaria portuguesa não é rentável, afirma presidente da AHP

A afirmação do presidente da AHP. Miguel Júdice, surge na sequência dos resultados de um inquérito à Hotelaria realizado pelo Gabinete de Estudos e Estatísticas da AHP, em que é feito o balanço de 2012 e traçadas perspectivas para 2013. Relativamente ao ano que terminou, as conclusões do inquérito revelam que o RevPar (preço médio nacional por quarto disponível) foi de 40,40 euros por dia, enquanto, o custo operacional homólogo por quarto apresentou um valor superior, o que levou o presidente da AHP a considerar que “com este tipo de valores, a hotelaria portuguesa, no geral, não é rentável”. O inquérito revela que a taxa de ocupação e o preço médio por quarto vendido por quarto vendido foram inferiores ao previsto para 48 e 56% dos hoteleiros, respectivamente. Uma situação que leva Cristina Siza Vieira, presidente da Direcção Executiva da AHP, a afirmar que “há demasiada oferta. Só em 2012 a capital ficou com mais 600 quartos disponíveis, nascendo, em média, em Lisboa, mais de oito hotéis por ano”. Em termos de mercados, o que apresentou pior performance, de acordo com 77% dos inquiridos, foi o espanhol, seguindo-se o português (59%) e o italiano (36%), com Cristina Siza Vieira a explicar que a contracção do mercado espanhol foi principalmente sentida no Alentejo, Algarve e Centro, regiões também muito afectadas pela quebra no mercado nacional. Em termos de segmentos, a liderança coube aos “city/short breaks” com 24%, seguidos do “touring/cultural” (18%). Com as piores performances surgem o “golfe” (19%) e o “turismo religioso” (17%). Quanto às perspectivas para o corrente ano, os inquiridos acreditam que haverá um agravamento da situação “a todos os níveis”, mas com destaque para as receitas de Food & Beverage (55%), sendo que 37% acreditam que a taxa de ocupação será inferior e 50% citam a diminuição do preço médio. Uma situação que não espanta o presidente da AHP, que refere, a propósito, que “para 2013 espera-se menos emprego, menos investimento, pior prestação em termos de resultados” pelo que “não há milagres”. Miguel Júdice acrescenta ainda que “Vão resistir melhor os hotéis que têm escala e os que não carregam o peso dos financiamentos”. Sem surpresas, os hoteleiros esperam que os melhores meses sejam os de Julho a Setembro e que “city/short breaks” e “touring/cultural” se mantenham entre os principais segmentos na região norte, centro e Lisboa. O “turismo de natureza” é o principal segmento para o Alentejo e Açores e o “sol e mar” para o Algarve (idêntico ao balanço de 2012). Como piores segmentos turísticos estão identificados o “sol e mar” para o norte e o “golfe” para as restantes regiões. O que também se mantém é a expectativa de encerramento de unidades hoteleiras durante o Inverno, sendo o Algarve a região mais atingida. Em 2012 encerram nesta época mais 3% de unidades, e para o ano 48% dos inquiridos afirmam que vão fechar unidades no Inverno., o que, afirma Cristina Siza Vieira, “é mau para o destino e acentua a sazonalidade do Algarve, que necessita rapidamente de medidas de estímulo”. M.F.