Hoteleiros procuram adaptar oferta às necessidades dos turistas chineses

Serviços tão simples como o de oferecer um pequeno-almoço ajustado aos hábitos alimentares chineses, ou o de disponibilizar uma chaleira no quarto foram alguns pontos identificados no workshop organizado em Lisboa pela AHP com o tema “O Mercado Chinês – Fidelizar o Turista Chinês: Da Hospitalidade à Comunicação”.

Outras questões abordadas passaram, nomeadamente, pela necessidade de conseguir cativar os turistas chineses para estadias mais longas, e da adaptação da oferta às suas necessidades, conforme as intervenções de Shu Jianping, conselheiro Cultural da Embaixada da China em Portugal, Fernando Costa Freire, Managing Partner da EDELUC, Elmar Derkitsch, director-geral do Lisbon Marriott Hotel e Miguel Cymbron, director de Vendas e Marketing do Grupo VIP Hotels. Trata-se, comnforme foi referido, de um mercado onde é necessário “cultivar antes de colher frutos”.

“Os elementos que atraem turistas são um conjunto de factores, e não só culturais”, relembrou Shu Jianping, “poderá ser o clima, por exemplo, e em Portugal pode ser a segurança – muito importante para os turistas chineses, a gastronomia – muitas vezes com sabores semelhantes à chinesa – e, claro, um povo maravilhoso”, completou o conselheiro Cultural da Embaixada da China em Portugal, afirmando que a ainda pequena percentagem de turistas chineses que escolhem Portugal como destino se deve, sobretudo, “ao desconhecimento entre os dois países”.

Por sua vez, Coral Chen, general manager da Beijing Capital Airlines, referiu a importância da atenção ao detalhe, como a existência de sinalética, indicações e guias turísticos fluentes em mandarim e pacotes especiais para os turistas chineses, na fidelização deste mercado.

A iniciativa, organizada em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), decorreu no Lisbon Marriott Hotel e reuniu mais de 120 participantes, que tiveram a oportunidade de debater temas como a promoção de Portugal no mercado chinês, o perfil do turista chinês e a importância da diferenciação.

A presidente da Direcção Executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, recordou no seu discurso de boas-vindas que, em três anos, o número de hóspedes chineses em Portugal mais do que duplicou, graças a uma importante estratégia de captação de turistas chineses desenvolvida pelos organismos estatais portugueses, referindo ainda a recente visita da secretária de Estado do Turismo à China, a abertura de um novo consulado português em Cantão e a nova ligação aérea directa como claros exemplos desse esforço.

O workshop contou com a presença de Miguel Moraes, Head of Trade Marketing do Turismo de Portugal, que apresentou os projectos que este organismo tem vindo a desenvolver junto do mercado chinês, tais como as reuniões oficiais com os operadores turísticos e o projecto de E-learning “Travel Specialist” (com 2300 operadores chineses já certificados como ‘especialistas’ nas regiões turísticas portuguesas e 900 em vias de conclusão).

Enquanto primeiro mercado emissor à escala mundial, representando em 2016 cerca de 137 milhões de turistas, a maioria com habilitação superior e quase 70% com origem nas chamadas cidades first tier, a China mostrou trazer desafios e oportunidades bastante diversificados.

Representando, em Portugal, o 14º maior mercado emissor no que diz respeito a hóspedes, e o 18º em dormidas, os turistas chineses tendem a chegar maioritariamente por via terrestre (apenas 23% dos hóspedes chegam por via aérea, de acordo com os dados do Turismo de Portugal) e em circuitos turísticos organizados que decorrem entre vários países, o que se traduz numa uma estada média muito reduzida (cerca de 1,68 noites).

Em 2016, segundo dados do Turismo de Portugal, o número de turistas chineses em Portugal terá alcançado os 182.958, um aumento de 19,5% face ao ano anterior. No total, terão sido responsáveis por cerca de 307.085 dormidas e por um aumento de cerca de 16,2% das receitas geradas, face a 2015.

O novo voo directo entre Hangzhou e Lisboa da Beijing Capital Airlines surge, assim, como uma nova oportunidade de aproximação. Com três ligações semanais (todas as quartas, sextas e domingos), cada voo terá 260 lugares disponíveis, num total de 40.560 lugares por ano. Estima-se que cheguem, semanalmente, cerca de 670 passageiros da China ao aeroporto de Lisboa.

A sessão contou igualmente com as presenças do embaixador da China em Portugal, Cai Run, e de Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

Este workshop foi o segundo de um ciclo que a AHP tem vindo a dedicar a mercados emissores ao longo de 2017. Depois do mercado alemão e do mercado chinês, seguir-se-ão os mercados francês e americano, em datas a comunicar brevemente.