INE: “Efeito Páscoa” puxa para baixo resultados hoteleiros do trimestre

Um claro abrandamento na subida do número de hóspedes (+0,9%) e uma quebra de 0,2% nas dormidas, influenciadas, sobretudo, pelo mercado nacional (-9,9%) marcaram os indicadores de Março, influenciando as contas de todo o trimestre. Uma circunstância que o INE relaciona com o “efeito de calendário associado ao período da Páscoa que ocorreu, em 2016, em Março e, em 2017, em Abril”.

Em Março, os estabelecimentos hoteleiros registaram 1,4 milhões de hóspedes e 3,7 milhões de dormidas, a que corresponderam variações  de 0,9% e -0,2%. As dormidas dos residentes diminuíram 9,9% “interrompendo a tendência crescente”, enquanto as de não residentes desaceleraram para 3,7%. Também a estada média decresceu 1,1% para 2,67 noites e a taxa de ocupação-cama recuou 1,6 p.p para 39,8%.

Já no que se refere aos resultados do primeiro trimestre do ano foram registados 3,43 milhões de hóspedes e 8,83 milhões de dormidas, aumentos de 6,7% e 5,6%, respectivamente face ao período homólogo do ano passado.

Para o número total de dormidas do trimestre, o mercado interno contribuiu com 2,5 milhões de dormidas, – 2% em termos homólogos, o que, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística é “um pouco justificado pelo período de férias da Páscoa que em 2016 aconteceu no mês de Março”. No entanto, as dormidas dos residentes no estrangeiro aumentaram 9%, para um total de 6,3 milhões.

Ainda no que se refere ao primeiro trimestre do ano, a estada média registou um decréscimo de 1,1%, para as 2,47 noites, enquanto a taxa de ocupação subiu 1.3 pontos percentuais, para os 34,9%.

Os principais mercados emissores representaram 81,5% do total das dormidas de não residentes e apresentaram resultados maioritariamente positivos. As dormidas de hóspedes residentes no Reino Unido cresceram 5,7% em Março e no trimestre. O mercado alemão cresceu 4,9% em Março e 5,6% no trimestre, enquanto o mercado espanhol apresentou uma quebra de 43,7% em Março, devido ao “efeito Páscoa”, e um decréscimo de 21,5% no trimestre. As dormidas de residentes em França cresceram 23,2% em Março e 18,3% nos primeiros três meses do ano.

Os maiores aumentos em Março ocorreram nos mercados brasileiro (87,3%), polaco (43,9%) e americano (30,4%) que também apresentaram os maiores aumentos no trimestre (60,9%, 34,8% e 28,7%, respectivamente).

Os proveitos totais desaceleraram, tendo subido 13,5% para 448,9 milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento aumentaram 13,2% para 309,3 milhões. Por sua vez, o RevPAR subiu 12,3% para 27,2 euros.

Comentando os resultados, Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, sublinha que “apesar da Páscoa ter sido este ano em Abril e não em Março como em 2016, houve, ainda assim, uma manutenção no número de hóspedes e, mais positivo, um crescimento muito assinalável dos proveitos hoteleiros, o que significa que Portugal está a conseguir crescer em valor”. A governante destaca ainda “a diversificação dos mercados emissores, com crescimentos expressivos de 87,3% no mercado brasileiro, 43,9% no mercado polaco e 30,4% no mercado norte-americano”.

Na nota enviada pela Secretaria de Estado do Turismo é ainda destacado o facto de “apesar do Brexit, o mercado do Reino Unido continuar com um comportamento positivo”.