INE: Número de alojamentos turísticos cresceu em todas as regiões NUTSII

Entre 2013 e 2016, o número de alojamentos turísticos aumentou em todas as regiões NUTS II, verificando-se um crescimento relativo mais expressivo na Região Autónoma da Madeira. Esta é uma das conclusões da 5ª edição do Retrato Territorial de Portugal divulgada esta segunda-feira pelo INE.

No documento (publicação bienal), analisam-se as dinâmicas territoriais centradas nos domínios da qualificação territorial, qualidade de vida e coesão, bem como crescimento e competitividade que, nesta publicação, incidem, respectivamente, nas temáticas da diferenciação territorial do turismo, da sustentabilidade demográfica dos territórios e da competitividade e a inovação nas regiões portuguesas.

No Continente, a Área Metropolitana de Lisboa (13,5%) e o Centro (11,9%) registavam as taxas de crescimento médio anual mais elevadas. Contudo, a região Norte mantinha em 2016 a maior oferta de alojamentos turísticos e registou no período 2013-2016 uma taxa de crescimento médio anual de 9,9%. O crescimento da oferta de alojamento foi menor na Região Autónoma dos Açores (5,1%) e no Algarve (4,9%).

Por outro lado o INE indica que, no mesmo período, o ritmo de crescimento da capacidade de alojamento turístico em áreas predominantemente rurais foi cerca de três vezes superior ao verificado em áreas predominantemente urbanas, e que em 14 das 25 sub-regiões portuguesas, a taxa de crescimento da capacidade foi mais elevada nas áreas predominantemente rurais, do que nas áreas predominantemente urbanas ou mediamente urbanas. A sub-região Alto Alentejo assinalava não só os valores mais elevados neste indicador, como também a maior assimetria entre territórios predominantemente urbanos e rurais. Em 2016, o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa representavam 52,2% da capacidade total de alojamento turístico em Portugal.

Entre 2011 e 2016, a capacidade dos hotéis de quatro e cinco estrelas aumentou em todas as regiões NUTS II, apresentando uma taxa de crescimento médio anual de 5% em Portugal. As regiões que apresentavam um maior crescimento neste indicador foram o Alentejo e o Centro com taxas de crescimento médio anual de 9,3% e 8,1%, respectivamente. O Algarve registou o menor aumento da oferta de capacidade em hotéis de quatro e cinco estrelas.

Quanto ao número de dormidas, a publicação do INE refere que entre 2013 e 2016, cresceu em todas regiões, destacando-se o aumento relativo da procura global nas regiões Norte e Alentejo, bem como o crescimento de dormidas no Turismo em Espaço rural e Turismo de habitação na região Centro e no Alojamento Local na Área Metropolitana de Lisboa

O número de dormidas cresceu em todas as regiões e em todos os tipos de alojamento com excepção da Área Metropolitana de Lisboa em que se verificou um decréscimo das dormidas em estabelecimentos de Turismo no Espaço

rural e Turismo de habitação (-10,3% ao ano). As regiões Centro (+39,1%), Norte (+25,7%), Algarve (+24,9%) e Alentejo (+23,9%) registaram as maiores taxas de crescimento do número de dormidas neste tipo de alojamento no período em análise.

O crescimento no número de dormidas em estabelecimentos de Alojamento Local foi mais expressivo na Área Metropolitana de Lisboa (+29,7%) e no Algarve (+23,3%). No que respeita às dormidas em hotelaria, o INE sublinha os crescimentos mais expressivos na Região Autónoma dos Açores (+15,6%) e nas regiões Norte e Alentejo (+13,5% em ambas).

Em 40 municípios portugueses, mais de metade das dormidas registadas em 2016 ocorreu nos meses de Julho a Setembro. Estes municípios estavam dispersos pelo país, verificando-se ainda assim uma maior concentração no litoral do Alentejo, na faixa ocidental do litoral do Algarve e em algumas ilhas da Região Autónoma dos Açores.

De acordo com os mesmos dados, em 2016, o contributo dos hóspedes residentes no estrangeiro para a procura turística nacional foi superior à proporção registada a nível nacional (59,1%) em 33 municípios localizados sobretudo no Algarve e nas regiões autónomas.

No mesmo período, em 114 dos 308 municípios nacionais a proporção de reabilitações físicas de edifícios face ao total de superfície de obras no edificado destinado ao turismo foi superior a 50%, “destacando-se um conjunto de 63 municípios, localizados maioritariamente nas regiões Centro (21) e Norte (19), em que o total das obras destinadas a fins turísticos correspondeu exclusivamente a obras de reabilitação”.

Segundo o INE, a análise à diferenciação territorial do turismo baseia-se na informação estatística proveniente do Sistema de Indicadores de Operações Urbanísticas e do Inquérito à Permanência de Hóspedes e Outros Dados na Hotelaria e com recurso a tipologias territoriais, procurando “identificar o contributo dos territórios para a competitividade do turismo em Portugal”.