A Internet das Coisas para o Turismo – Opinião João Pronto*

Neste artigo de Opinião, João Pronto, professor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, fala-nos da Internet das Coisas, na perspectiva da recolha permanente de dados, seja dentro ou fora das empresas turísticas.

A Internet das Coisas para o Turismo

Na Turisver, de Abril de 2003, escrevi o meu primeiro artigo em revistas do Trade. Esse artigo intitulava-se “A Informática faz bem à saúde das Agências de Viagens” e terminava com a questão “Quem disse que a informática, a internet e o e-commerce não fazem bem à saúde das agências de viagens?”.

Passados 13 anos, a pergunta retórica então formulada soa um pouco a provocação! É obvio, na sociedade contemporânea em que vivemos, e na qual a indústria turística está claramente integrada, que a Informática em geral, assim como as componentes online são incontornáveis no setor turístico, à escala local e mundial, independentemente dimensão das empresas. A tecnologia está omnipresente!

Esta sociedade contemporânea em que vivemos, demasiado habituada a respostas em tempo real, a tomada de decisão “na hora”, tem provocado nas empresas turísticas novas necessidades e crescentes desafios:

 

1) de recolha constante de crescentes quantidades de dados originados pelo comportamento de diversos clusters: dos clientes, da concorrência percebida; da própria organização; dos fornecedores e até dos próprios parceiros de negócio; não esquecendo a recolha de dados dos inquéritos e reclamações internas, bem como dos inquéritos e reclamações provenientes das redes sociais e até da concorrência;

2) de incessante armazenamento dos dados recolhidos, em servidores próprios e/ou na famosa cloud;

3) de processamento destes mesmos dados recolhidos de forma a que os decisores tomem mais e melhores decisões, suportadas pelo conhecimento fundamentado que estes dados possibilitam;

4) de proteção dos dados e dos sistemas de recolha, armazenamento e de processamento dos sistemas de informação da empresa;

 

Neste artigo, vamos dedicar acrescida atenção aos inovadores métodos de recolha permanente de dados dentro e fora das empresas turísticas. Estou a referir-me à Internet das Coisas, também conhecida como IdC ou ainda na denominação anglo-saxónica Internet of ThingsIoT.

Então, o que é exatamente a IdC? Vou ilustrar a resposta a partir de um exemplo prático e concluirei depois com uma das possíveis respostas.

No Hotel Estorilix são colocadas canetas na mesa de cabeceira de todos os quartos do hotel. O Diretor Geral pretende entender os países e se possível, as cidades para onde os hóspedes levam canetas do Hotel. Objetivo: melhor entender a penetração da marca a nível global, regional e local. Colocando-se um chip nas canetas, que tenha a capacidade de ser georreferenciado, um servidor do Hotel pode recolher em tempo real, a informação georreferenciada de cada uma das canetas, fornecendo um gráfico suportado, por exemplo pelo Google Maps, informando não só os países onde estão canetas do Hotel, mas inclusivamente a quantidade de canetas por país, e fazendo-se “drill-down”, conseguindo-se saber, em tempo real, quantas canetas se encontram em cada cidade de cada país. Nota: procedimento precedido do aval prévio da Comissão Nacional de Proteção de Dados e com o consentimento dos Hóspedes.

No exemplo infra apresentado, podemos facilmente concluir que o país com maior quantidade de canetas do Hotel Estorilix, é Portugal, pois é o que apresenta uma mancha mais escura, e, também temos a noção de que o continente Africano é o continente onde o Hotel apresenta menor taxa de penetração, e que os EUA são claramente o país com maior quantidade de canetas “online” do continente americano, e assim sucessiva

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Desta forma, quando se efetuar, por exemplo, campanhas de Adds (publicidade online em motores de busca como o Google     ou o Sapo; ou em redes sociais como o Facebook ou o Linkedin) deve-se consultar previamente este “Atlas online” por          forma  a se selecionar os países, regiões e cidades onde iremos despender o investimento online.

 

 

Assim sendo, a IdC pode ser entendida como um método pelo qual recolhemos dados em tempo real, independentemente do local onde está “a coisa”, via Internet, através das redes de comunicação providenciadas pelas Operadoras de Telecomunicações, para sistemas de computação, mais ou menos poderosos, com maior ou menor capacidade analítica sobre os dados recolhidos, e de preferência com toda a segurança possível.

*João Pronto

Professor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Professor da Universidade Católica Portuguesa, Porto.

Consultor de IT em Empresas Turísticas.