Investimento de 23M€ : Hotel Eurostars Museum abre em Dezembro

No nº 40 da Rua Cais de Santarém, em Lisboa, paredes meias com o Campo das Cebolas e bem de frente para o Tejo do qual o separam escassos metros abre portas, o Eurostars Museum, hotel de cinco estrelas, fruto de um investimento de 23 milhões de euros, tem abertura prevista para a primeira semana de Dezembro. Um hotel num edifício emblemático e que, no seu interior, tem um museu recheado de achados de incalculável valor histórico e cultural que foram encontrados durante as escavações para a construção da unidade.

  

Pelo museu que vai albergar, o Eurostars Museum, instalado num edifício originalmente datado do séc. XVI, destruído pelo terramoto de 1755 e que, a partir do séc. XIX passou por várias utilizações, vai ser um hotel diferente e direccionado a um público também especial, amante da cultura e upscale. A sua recuperação e o facto de mele passar a estar guardado um pouco da história milenar de Lisboa, como sublinhou Luís Cruz, director de Expansão do Grupo Hotusa, reflecte a filosofia do grupo, segundo a qual “o turismo é algo que tem a ver com a cultura e com a história das cidades porque só desta maneira conseguimos fixar o turismo e fazer com que os turistas visitam e conheçam as cidades, o país, a sua história e cultura, e acima de tudo, regressem”.

O hotel vai dispor de 91 quartos e 10 suites, uma delas Presidencial, com um terraço aberto praticamente sobre o Tejo, todos eles decorados com elementos simbólicos alusivas a personagens importantes da História portuguesa alusiva aos Descobrimentos, como o Infante D. Henrique ou Fernão de Magalhães. Nas paredes dos quartos, por cima das camas, há painéis que exibem passagens do diário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia – passagens que se vão sucedendo, quarto a quarto, até que a história fica completa. Há também reproduções de mapas do sec. XVI com antigas rotas de navegação percorridas pelos descobridores portugueses.

Três salas para reuniões, com áreas entre os 50 e os 76m2, piscina interior, ginásio, sauna e sala de massagens, restaurante à la carte com vista para a rua (à entrada da sala está um arco e uma parede que não foi destruída pela terramoto e, não muito longe, vestígios de uma antiga muralha que foi construída sobre uma outra, de origem romana), bar-cafetaria e vinoteca (esta ocupará um espaço cujas paredes de há séculos foram mantidas) compõem a oferta deste 5 estrelas que oferece ainda internet wi-fi em todo o hotel e room service 24 horas e lavandaria.

Fruto das escavações chegam até nós achados preciosos que vão ficar expostos e que retratam tempos da ocupação romana e das invasões islâmicas, bem como da época dos Descobrimentos, mas não só. Ali foi achado um raríssimo texto funerário em fenício, que confirma a presença deste povo na nossa capital durante a Idade do Ferro. O que também se pode ver são resquícios, bem preservados, de uma habitação romana e de uma praça, com várias construções, também desse tempo.

O espólio, desde os artefactos às escavações, vão ficar acessíveis a visitas públicas, previamente marcadas, durante as tardes de domingo, devidamente guiadas por especialistas.

*Ler mais na próxima edição da revista Turisver