iTurismo: Boas e Más Notícias, por Atilio Forte

No iTurismo de hoje, que estreia um novo formato, Atilio Forte tece comentários sobre três temas que marcam a actualidade e que têm impacto na actividade económica do turismo: a entrada em funções do XXII Governo Constitucional, a orgânica do Governo da Região Autónoma da Madeira e a situação vivida na Catalunha.

 
 

Antes de mais gostaríamos de transmitir a alegria que sentimos por estar de volta ao contacto com os(as) nossos(as) leitores(as), esperando que este novo figurino, mais curto e por isso mais incisivo e opinativo e menos analítico, continue a fazer do iTurismo uma rubrica essencial para todos quantos gostam de estar informados e compreender o que de mais importante se passa na actividade económica do turismo, seja em Portugal, seja no Mundo. Para isso traremos aqui todas as terças-feiras alguns dos temas de maior relevância da actualidade semanal, nacional e internacional, e abordaremos os reflexos que, no nosso entendimento, eles possam ter no turismo.

Dito isto, entremos então no assunto que teve maior notoriedade na semana que agora findou e que se prende com o actual quadro parlamentar e com a composição, entrada em funções e tomada de posse do XXII Governo Constitucional, o qual veio confrontar o turismo com boas e más notícias que merecem, ou deveriam merecer, uma reflexão séria por parte de todos quantos estão ligados à actividade, e de onde se destacam:                       

Desde logo, a ausência de uma maioria absoluta ou a formalização de acordo(s) de incidência parlamentar que suporte politicamente o Governo significa que a Concertação Social sai (re)valorizada, tendo oportunidade de recuperar muita da importância que viu “ser transferida” para a Assembleia da República na anterior Legislatura.

Esta antecipada “retoma mais intensa” do diálogo social pode revelar-se benéfica para o país e para a economia nacional mas, também, para proporcionar que os representantes dos trabalhadores e empregadores possam (e)levar a sua capacidade negocial para patamares menos politizados e mais de acordo com a realidade do “mundo laboral”, protegendo-se simultaneamente dos desafios que muitas organizações independentes – porque fora do “sistema” – lhes vêm colocando.

Considerando que à frente do Ministério do Trabalho vai estar a anterior Secretária de Estado do Turismo, isso quer dizer que (no mínimo) é expectável que a actividade possa “capitalizar” dessa “promoção”, que incorpora um maior e melhor conhecimento, para ter progressos assinaláveis na regulamentação laboral, nomeadamente, na adaptação da mesma às especificidades do turismo que, bastas vezes, estão nos antípodas das demais. Espera-se assim que o turismo tire o melhor proveito desta (rara, única até hoje) oportunidade.

E, por falar em “promoção”, constata-se que o turismo e os seus agentes não tiveram qualquer capacidade para influenciar a tão almejada (re)criação de um Ministério do Turismo, nem mesmo num dos mais extensos Governos da democracia portuguesa, em parte porque não fizeram o respectivo “trabalho de casa”, em parte porque nem sequer se conseguiram pôr de acordo sobre as áreas que o mesmo deveria tutelar, algo que em nossa opinião fragiliza (e muito!) o alcançar deste objectivo. Como é público, sempre defendemos a inclusão da aviação num Ministério do Turismo a qual, como se sabe, compreende os sectores do transporte aéreo, das infra-estruturas aeroportuárias, da navegação, do controlo, da segurança e da regulação aéreas, e é responsável por garantir a chegada de cerca de 80% dos turistas estrangeiros que vêm a Portugal.

Mas, já que estamos no domínio da aviação, convirá também registar que terá sido certamente grande a apreensão com que o turismo ficou após ter lido o Programa do Governo (para nós foi), pois nem uma única vez aí vem mencionada a palavra aeroporto (ou qualquer seu sinónimo)! O alerta aqui fica, na esperança que, por um lado, tal não passe de uma “lamentável omissão” ou, por outro lado, de um “susto” sem razão de ser…

 

Aproveitamos o mote dado para abordarmos o segundo tema desta semana, em tudo muito semelhante ao primeiro, pois tem a ver com a orgânica do Governo da Região Autónoma da Madeira, recentemente empossado, e que mantém a separação do turismo e dos transportes – que no caso da Região referem-se esmagadoramente à aviação –, uma vez que os ditos ficaram sob tutela da Secretaria Regional da Economia e, consequentemente, não englobados na Secretaria Regional do Turismo (que continua ligado com a Cultura), como no nosso entendimento seria recomendável.

Coincidência, ou talvez não, vale a pena recordar que os indicadores turísticos da Madeira têm vindo a piorar, desde que “em má hora”, e como aqui então tivemos oportunidade de assinalar, foi decidido desmantelar a “bem-sucedida” Secretaria Regional do Turismo e Transportes, sendo que este ano o Arquipélago é a única região do país a apresentar crescimentos negativos tanto em número de turistas recebidos, como nas receitas por eles geradas.

 

Finalmente, pelos seus impactos, particularmente na actividade económica do turismo, não podemos deixar de aqui referir a situação vivida na Catalunha, em geral, e em Barcelona, em especial, dado que o clima de tensão social que a mesma atravessa e os protestos aí verificados têm penalizado fortemente o turismo no presente, mas igualmente no respeitante a reservas futuras – têm sido avançadas quebras entre os 30 e os 40% –, factos que demonstram bem a hipersensibilidade da actividade, fruto da reacção adversa que quaisquer alterações à ordem pública provoca de imediato nos fluxos turísticos.

Contudo, e como tantas vezes referimos, em turismo o mal de uns é, quase sempre, uma oportunidade para outros. Assim, espera-se um acréscimo de “agressividade” (no bom sentido do termo) do lado dos vários actores do turismo português, de modo a poderem assumir-se com uma boa alternativa aos olhos de quem procura(va) por aquele destino, através da apresentação de propostas com e de valor, susceptíveis de influenciarem – e “desviarem” – esses (potenciais) turistas para o nosso país.

 

 

Nota – Não é demais recordar que o endereço de email [email protected] continua ao dispor dos(as) nossos(as) leitores(as).