iTurismo – Comentário Semanal de Atilio Forte

A evolução dos lobby bares, a hotelaria na Nova Zelândia e a robot Connie, preenchem os “Tópicos da Semana” do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte escolhe como “O + da Semana” um inquérito sobre as férias da Páscoa dos portugueses. No habitual comentário aborda-se a visita do presidente Obama a Cuba e as buscas da PJ às instalações do Turismo de Portugal.

 

Tópicos da Semana:

  • Gostava de conhecer a Connie?!: Para tal basta que se instale no Hotel Hilton McLean Tysons Corner, na Virgínia. Ao chegar à recepção dará “de caras” com uma simpática robot, com a qual poderá, a qualquer momento, trocar impressões – isso mesmo, conversar, dialogar – relativas à experiência da sua estada. A Connie é o resultado de uma parceria entre a Hilton Worldwide e a IBM Watson e, para já, apenas tem por finalidade aferir os índices de satisfação dos hóspedes daquela unidade.
  • Notícias dos antípodas: No último ano, o sector da hotelaria tem estado particularmente em foco na Nova Zelândia devido ao número recorde de negócios que aí se têm realizado. Só nos derradeiros 12 meses, onze dos maiores hotéis daquele país “mudaram de mãos”, originando um volume de investimento perto dos 350 milhões de dólares.
  • A evolução dos bares do “lobby”: Profundamente influenciados pelos gostos da geração do milénio, os tradicionais bares do “lobby” dos hotéis têm sofrido inovações que os fizeram tornar-se em espaços sociais, de refeições e, por estarem tecnologicamente bem equipados, de reunião. Na opinião de muitos peritos estes bares são cada vez mais um espaço importante do “lobby”, fazendo com que a área da recepção proporcione uma experiência completa, ou seja, deixaram de ser um local onde apenas se podia tomar uma bebida, para se assumirem como um espaço multifacetado.

 

Comentário

 

Turisver.com – A visita do presidente dos Estados Unidos da América a Cuba, acompanhado por empresários de várias aéreas económicas entre as quais o turismo, parece selar em definitivo o avanço do investimento dos americanos naquele país. Por outro lado, dada a proximidade geográfica, os fluxos turísticos já se começam a fazer sentir nas ruas de Havana e nas praias de Varadero. No seu entender, o “efeito americano” pode mudar o turismo em Cuba rapidamente?

 

Atilio Forte – Deixe-me começar por aqui dar uma nota prévia pois, no Mundo conturbado em que vivemos (veja-se a sucessão de atentados terroristas verificados apenas na última semana), sempre que dois ou mais países dão passos no sentido do restabelecimento, normalização ou fortalecimento das suas relações, tal é digno de ser saudado, particularmente no seio daquela que é conhecida como a actividade económica da paz e da compreensão entre os povos: o Turismo.

Dito isto, creio que a realização desta Visita de Estado do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) à República de Cuba – 88 anos após a última – é, sem sombra para dúvidas, um marco para as relações futuras de ambas as Nações. Aliás, já há muito que ambos os países vinham trabalhando nesse sentido, obtendo resultados tão visíveis como seja o restabelecimento das suas relações diplomáticas, concretamente, através da (re)abertura das respectivas embaixadas.

Contudo, do ponto de vista turístico (e, porventura, também de outras áreas das relações económicas), mesmo tendo em consideração as manifestações de interesse de empresas americanas em investir naquele país – sobretudo cadeias hoteleiras e transportadoras aéreas -, somos de opinião que ainda existirá “muita pedra para partir” e que as mudanças poderão não ser tão rápidas quanto se julga (ou diz), por duas grandes ordens de razões que, embora distintas, constituem-se como opções de fundo que cada uma das partes, enquanto Estado soberano, vai ter que tomar. A primeira, mais de ordem política. E, a segunda, mais relacionada com a actividade turística. Mas, vamos por partes:

Começando pela política, temos duas questões complexas mas essenciais, cuja resolução prévia será determinante para o normal desenvolvimento das relações económicas e empresariais. Uma é a que se prende com o “Bloqueio” (na visão cubana) ou “Embargo” (na perspectiva americana); a outra, é a da base naval (americana) de Guantánamo (que inclui o campo de detenção com o mesmo nome).

Será bom recordar que, ainda em solo cubano, o próprio Presidente Obama salientou a necessária tramitação pelo Congresso deste processo, alertando que o mesmo não irá ser célere, mais a mais porque 2016 também vai ser ano de eleições presidenciais nos EUA (a terem lugar em Novembro) que podem, ou não, trazer um olhar diferente a esta matéria.

Relativamente à segunda razão – a mais directamente relacionada com a actividade turística -, convirá que Cuba pondere profundamente sobre o que pretende (estrategicamente) para o futuro do seu turismo, uma vez que, atenta a dimensão do mercado americano, o poder de compra dos seus consumidores, a dimensão das suas empresas e a proximidade geográfica de ambos os países, facilmente poderá cair numa “americanização” da sua oferta e, simultaneamente, numa quase total dependência dos fluxos turísticos provenientes dos EUA.

Ora para aqueles (como eu) que, por um lado, já tiveram o privilégio de visitar Cuba e que, por outro lado, têm conhecimento do que os turistas de hoje procuram e valorizam – diferenciação, autenticidade, genuinidade, experiências, emoções, etc. -, a customização da oferta turística cubana ao estereótipo americano poderá fazer perigar os factores críticos de sucesso do próprio destino.

Em suma, acreditamos que politicamente este será um processo cuja construção ainda demorará, no mínimo, dois a três anos, o que dará tempo para que se aprofunde a reflexão turística sobre o posicionamento futuro de Cuba, precavendo a distorção (ou alienação) do seu carisma e demais factores distintivos.

De uma coisa estamos certos: a actividade económica do turismo vai ser aquela que mais irá contribuir para uma mais rápida aproximação entre ambos os países (e povos), para dar um maior impulso à economia cubana (já hoje tem papel de destaque) e para uma melhoria significativa das condições económicas (e de vida) dos cubanos, que bem a merecem.

 

Turisver.com – O Turismo de Portugal foi recentemente alvo de buscas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, por ordem da Procuradoria-Geral da República. A situação gerou várias perguntas dos nossos leitores, pelo que lhe pedia que dissesse como olha para esta situação? Acha que ela pode prejudicar de alguma forma, no imediato, o funcionamento do Turismo de Portugal?

 

Atilio Forte – Salvaguardando quer o princípio do segredo de justiça, inerente a uma investigação desta natureza, quer a presunção de inocência, até ao trânsito em julgado do respectivo processo, somos de opinião que, nesta fase, o mais importante é que o Turismo de Portugal preste toda a colaboração possível às autoridades judiciais e policiais encarregues da investigação – aliás como pronta e publicamente o fez, o que se enaltece -, uma vez que o âmbito da mesma se encontra plenamente identificado (adjudicação, entre 2012 e 2014, de contrato(s) de promoção do turismo português no estrangeiro, nomeadamente, no Brasil).

Obviamente que, tanto para a instituição Turismo de Portugal, mormente enquanto Regulador da actividade, e por esse motivo com responsabilidades éticas e deontológicas acrescidas como, de um modo geral, para o turismo nacional, não é agradável ser notícia por este motivo, mais a mais porque, tanto quanto nos recordamos, esta é a primeira vez em que tal acontece.

Por tudo isto aquilo que esperamos é que a justiça actue de forma célere e inequívoca, seja no respeitante à investigação, seja no julgamento do(s) culpado(s), caso exista(m), ou na declaração da sua inocência, já que o pior que pode acontecer em situações desta natureza (não nos esqueçamos que, indirectamente, é a actuação do Regulador que foi posta em causa) é o penoso arrastar das diferentes diligências e instâncias processuais. Isso ninguém merece e muito menos o turismo.

 

O + da Semana:

Um recente inquérito online levado a cabo pelo IPDT – Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo, em parceria com a Soltrópico, revelou que 51% dos portugueses planeiam gozar férias durante a quadra Pascal – o que representa um aumento de 15% face ao ano transacto -, sendo que destes, 80% dão preferência ao território nacional. Para 43% a região do Porto e Norte de Portugal é a mais escolhida, seguida do Centro, do Alentejo e do Algarve. O factor motivacional que mais pesa nesta escolha é a riqueza do património cultural e natural. Significativo é ainda o facto de 50% dos que passarão a Páscoa fora da sua residência, optarem por ficar alojados em hotéis, principalmente de quatro estrelas, prevendo uma estada média de 3,7 noites e deslocando-se em grupos de 2 a 3 pessoas. Já os 49% que não viajarão apontam como principais razões para o fazerem, a falta de hábito em gozarem férias nesta época do ano, a impossibilidade financeira, situações ligadas à sua vida profissional, ao desemprego e à precariedade laboral. Mas é o dinamismo manifestado pelo mercado interno quem, por si só, merece inteiramente este destaque.

Aos nossos leitores e respectivas famílias desejamos uma Páscoa Feliz!