iTurismo – Comentário Semanal de Atilio Forte

O potencial de subida das estadas médias, a entrada de grupos hoteleiros no alojamento local e o investimento dos hotéis em tecnologia são os “Tópicos da Semana” deste iTurismo em que Atilio Forte destaca como “O + da Semana” a aprovação da Lei do jogo no Brasil. No habitual comentário fala-se da campanha eleitoral e do aeroporto de Lisboa.

 

Tópicos da Semana:

  • Estadas médias com potencial de subida: O último inquérito levado a cabo pela Destinations Hotels revelou que os participantes em congressos, reuniões e incentivos procuram mais e melhor oferta – principalmente de lazer -, para os períodos pré e pós conferências. Dos organizadores de eventos, 61% afirmou que mais de 10% dos participantes estão disponíveis para ficarem mais tempo ou chegarem antes, desde que tenham ofertas de lazer atractivas.
  • “Quando não os podes vencer, …”: Pois é, “… junta-te a eles”! Ditado que começa a ver-se aplicado ao sector do alojamento. A Hyatt, por exemplo, está entre as principais marcas hoteleiras que já investiram na economia de partilha, nomeadamente, em empresas de alojamento local, como a Onefinestay, que oferece alugueres de apartamentos para férias em Los Angeles, Nova Iorque, Paris e Londres.
  • Hotéis mantêm investimento em tecnologia: Sobretudo nas principais cadeias hoteleiras, não parece avistar-se qualquer alívio. Em 2016 os seus maiores desafios centrar-se-ão na internet (alcance, capacidade e velocidade), em melhorias na segurança da rede e na desmaterialização das chaves de acesso aos quartos.

 

Comentário

Turisver.com – Como olha para a ausência de referências ao turismo por parte dos vários candidatos à Presidência da República?

Atilio Forte – Certamente como todos os portugueses, tenho acompanhado com bastante interesse a campanha eleitoral de todos os candidatos ao mais alto cargo da Nação.

Tenho para mim que o facto de termos um tão grande número de candidatos à Presidência da República (10!) é prova irrefutável da pujança da nossa democracia e do elevado sentido cívico e de missão que, felizmente, existe entre alguns (apesar de tudo em quantidade superior à habitual) dos nossos concidadãos.

Estar disponível para uma candidatura e, em caso de vitória, assumir a tremenda responsabilidade que é a Presidência da República, sobretudo em tempos tão desafiantes como os que atravessamos – quer a nível interno, quer externo -, é um acto da maior coragem e de elevado sentido do dever que, por todos, deve ser reconhecido e respeitado.

Apesar de sabermos que não compete, nem competirá, ao futuro Presidente da República a definição e a execução das linhas e opções de política económica a prosseguir pelo nosso país, não menos verdade – e todos os mandatos dos anteriores Presidentes, sem excepção, têm-no demonstrado – é que “Belém” terá sempre um papel decisivo, quer no influenciar das mesmas junto de qualquer que seja o Governo, quer na representação externa de Portugal, principalmente nas questões relacionadas com a diplomacia económica e com a projecção da imagem de Portugal no Mundo.

Por estas razões não escondo, confesso até alguma estranheza que, de entre as 10 personalidades que concorrem ao acto eleitoral do próximo Domingo – sublinhando as diversas origens e experiências de vida de cada uma -, nenhuma tenha feito referência àquela que por todos é reconhecida como a actividade que mais pode contribuir para a criação de riqueza e emprego, para a melhoria da coesão social e territorial, para diminuição das assimetrias entre o interior e o litoral, para o aumento das nossas exportações e indução de efeitos multiplicadores em outras áreas da economia nacional, o turismo.

Mais a mais, quando foi justamente o turismo – algo que por todos os portugueses é reconhecido – quem nos últimos anos, em plena crise internacional e nacional, “puxou” e “carregou às costas” a economia portuguesa.

Por isso acreditamos que tal não seja ou aconteça por desconhecimento ou por desconsideração para com a actividade e, implicitamente, para com aqueles que diariamente lhe dedicam o melhor de si mesmos – do seu trabalho, do seu saber, da sua inteligência, do seu capital.

A falta de capacidade de afirmação do turismo aliada, por um lado aos bons resultados que têm vindo a ser alcançados e, por outro lado, à baixa conflitualidade e ausência de tensões no seu seio, são, em nossa modesta opinião, as razões mais profundas para essa omissão nos discursos dos diversos candidatos ao cargo de Presidente da República.

Aliás, o passado, isto é, todos os anteriores Presidentes demonstraram-no bem, tendo sempre acabado por encontrar, de um ou outro modo, forma de prestarem à actividade turística o devido (e justo!) reconhecimento, permitindo-me aqui destacar o Presidente Jorge Sampaio, até hoje o único que decidiu dedicar umas Jornadas (vulgo Presidência Aberta) ao turismo, em Novembro de 2005.

Em suma, é ao turismo e aos seus legítimos representantes, nos vários e diferentes níveis, que compete (re)colocar a actividade na agenda económica, social e política do país, nem que para tal seja necessário (re)aprender a fazê-lo.

Turisver.com – Têm-nos chegado algumas perguntas sobre a situação de ruptura do aeroporto de Lisboa em algumas horas de pico. Sintetizo essas questões numa única pergunta: No seu entender justifica-se a urgência do Governo em colocar esta situação “em cima da mesa” em termos de discussão do problema e de uma tomada de decisão rápida?

Atilio Forte – Como os nossos leitores bem sabem este não é um assunto de hoje e, por isso, como é costume dizer-se, é algo que já fez “correr muita tinta”, tendo até sido alvo das mais absurdas (eventuais) soluções, como foi a da construção de um novo aeroporto de Lisboa … na Ota.

Felizmente que esses tempos já lá vão e, mais importante, aprendeu-se muito com os (quase) erros do passado. Convirá ainda realçar que é bom para o país, em geral, e para a actividade turística, em particular, que o problema se coloque, pois isso traduz o bom desempenho do turismo e enfatiza a importância da aviação – infra-estruturas aeroportuárias, transporte, navegação, segurança e controlo aéreos -, já que é ela a principal responsável pela chegada de turistas a Portugal.

Há cerca de um ano a esta parte – finalmente! – estabilizou-se uma solução que, como já aqui tivemos oportunidade de dizer, nos parece muito acertada, visando a manutenção do aeroporto de Lisboa na sua actual localização e, em caso de necessidade de expansão, optando-se pelo aproveitamento de uma outra infra-estrutura, parcialmente existente, nas imediações – Montijo -, que funcionará em complementaridade, ou seja, adoptou-se a fórmula que ficou conhecida por “Portela+1”.

Face às projecções de crescimento da actividade turística, quanto a nós, faz todo o sentido que se dê continuidade às discussões à volta dessa decisão, que vinha a ser desenvolvida pelo anterior Governo, pois se não existirem sobressaltos, como esperamos e desejamos, daqui a alguns anos será necessário termos outro aeroporto, embora secundário, pronto a complementar as incapacidades do aeroporto principal. Assim, podemos afirmar que o Governo está a “andar bem”, uma vez que não “deitou fora” o trabalho que vinha sendo feito, como ainda demonstra ter noção que um equipamento desta natureza não está pronto a funcionar de um dia para o outro, mesmo já possuindo, quase sem necessidade de grandes intervenções, alguns aspectos essenciais, como seja a pista.

Não obstante este aspecto, estamos em crer que o Governo não tomará qualquer decisão nos próximos meses, dado existirem ainda muitos factores a acautelar (e a negociar), nomeadamente, a auscultação dos agentes turísticos (nos quais se incluem os que têm mais directamente a ver com o sector da aviação), isto para além das questões orçamentais, face ao investimento exigido para colocar em operação um equipamento desta natureza.

Claro está que a existência de uma estratégia para a aviação nacional (será desta vez?) e do reconhecimento do sector como parte integrante e peça fundamental da actividade turística, a par das decisões que venham a ser tomadas sobre o futuro da TAP, são da maior importância e, como facilmente se percebe, particularmente decisivas para o avanço, ou não, desta solução.

 

O + da Semana:

Brasil, país irmão, país continente, país com inúmeros atractivos e potencial turístico, com riquezas naturais, patrimoniais e humanas para ser um gigante no “mundo do turismo”. Contudo, recebe menos de metade do número de turistas que se deslocam a terras lusas… Por outro lado, diz-nos a “história do turismo português” que foi o sector dos jogos de fortuna e azar – corporizado pelos casinos -, quem esteve na génese do desenvolvimento turístico de Portugal e tem sido, até aos dias de hoje, a sua principal fonte de financiamento. Fizemos esta introdução porque podemos estar perante uma viragem da maior importância, já que, no passado dia 16 de Dezembro, o Senado brasileiro aprovou a Lei que irá regular os jogos de fortuna e azar naquele país e que, em nossa modesta opinião, pode contribuir muito mais para o desenvolvimento turístico do Brasil e para a sua economia, do que qualquer megaevento, mesmo tendo em linha de conta um Campeonato do Mundo de futebol ou uns Jogos Olímpicos. Apesar das dificuldades porque passa actualmente a economia brasileira, vários já são os projectos que fervilham, com destaque para um grande complexo de lazer & jogo, localizado em Foz do Iguaçu, no extremo Oeste do Estado do Paraná, na fronteira com a Argentina e o Paraguai.