iTurismo: Festivais de Verão, por Atilio Forte

O aumento de unidades hoteleiras na Europa, check-in nos hotéis por telemóvel e o possível aumento do turismo em Las Vegas por via da legalização da marijuana são os “Tópicos da Semana” do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte escolhe para “O + da Semana” as anunciadas melhorias no “Palácio de Cristal / Pavilhão Rosa Mota”. O habitual Comentário versa hoje sobre os festivais de Verão e os resultados turísticos mundiais.

Tópicos da Semana:

  • Legalização da “erva” pode aumentar o turismo: A legalização da marijuana com fins “recreativos” pode tornar-se num verdadeiro ponto de viragem para o turismo de Las Vegas, dado começar a ser encarada como uma autêntica “bênção” para o incremento da actividade naquela e em outras cidades do Estado Americano do Nevada, que já celebram a abertura de vários locais onde a sua venda é autorizada desde o início do presente mês. A este propósito vários especialistas afirmam mesmo que esta medida pode fazer com que Las Vegas transforme-se numa “Amesterdão com esteróides”.

 

  • Hotéis copiam o exemplo das companhias aéreas: A possibilidade de realizar o “check-in” através do telemóvel começa a ser uma tendência dominante nas principais cadeias hoteleiras, motivando que a tradicional “recepção” ceda o seu lugar à revolução digital que impregnou outras áreas de negócio, como a das companhias aéreas. Tudo isto acontece porque os consumidores querem, cada vez mais, ter o controlo das suas vidas a partir da palma da mão.

 

  • Capacidade hoteleira da Europa em franco progresso: O número de unidades hoteleiras na Europa aumentou 13% em relação ao ano transacto. Para este crescimento foi determinante a abertura de pouco mais de 1.000 hotéis e de cerca de 172.000 novos quartos. Assim, é sem surpresa que na liderança dos maiores construtores europeus encontremos grandes cadeias como a Hilton, a Marriott e a InterContinental.

 

Comentário

Turisver.com – O Verão é a época dos grandes festivais de música. Nas cidades de Lisboa e do Porto realizam-se alguns dos que têm maior dimensão, mas muitos outros proliferam por todo o país. No seu entender este tipo de eventos é importante para a actividade turística?

Atilio Forte – Por diversas vezes ao longo destes comentários fomos referindo que existem três questões fundamentais às quais qualquer potencial consumidor pretende obter resposta antes ou no acto da escolha de um destino turístico. A primeira é “como chegar?” e prende-se com as acessibilidades. A segunda está relacionada com “onde ficar?”, tendo sobretudo a ver com o alojamento. E, a terceira, é “o que fazer?”, ou seja, o que é que o destino tem para oferecer/visitar/entreter ou, para os que gostam de uma linguagem mais actual, quais as experiências que aí podem ser vividas.

Feito este enquadramento, estamos em crer que facilmente se constata que é neste último aspecto que encaixa aquilo que comummente é designado por animação turística. E, claro está, nele estão englobados os chamados festivais de música que ocorrem um pouco por todo o território nacional, principalmente, durante os meses de Verão.

Assim, podemos desde já concluir que estes eventos funcionam como uma espécie de “bónus” oferecido a todos quantos – nacionais ou estrangeiros – decidem visitar uma determinada região do nosso país, pois complementam a oferta turística “permanente”.

Contudo, seja pela dimensão – importância, número e qualidade dos artistas –, seja pela autenticidade – promoção da cultura nacional e ou regional –, o facto é que os festivais têm vindo a ganhar um papel crescente na atractividade turística do país e das suas diferentes regiões. E se tal começou por produzir impacto ao nível do mercado interno, actualmente existem cada vez mais eventos com reflexo e repercussão no estrangeiro.

No fundo, os festivais de música começam, nalguns casos, a libertar-se do “rótulo” de complemento da oferta turística existente para passarem a assumir-se como o motivo, ou pelo menos uma das principais razões (motivações), para a realização da viagem, até porque não sendo eventos de prolongada duração – normalmente rondam os 2 a 3 dias – enquadram-se nas presentes tendências de muitos segmentos de consumidores que, atentas as facilidades de deslocação disponíveis a preço acessível, preferem realizar viagens curtas mas com maior frequência.

Finalmente, convirá ainda referir, que se é verdade que o aumento da notoriedade turística de Portugal tem contribuído para o sucesso e consequente “internacionalização” de muitos destes festivais, não menos verdadeiro é o papel das redes sociais na promoção do que “por cá” se passa, particularmente nesses eventos, pois a partilha das experiências de quem os vive “por dentro”, de quem lá está ou vai, difunde uma mensagem extremamente apelativa de descontracção, diversão e “ambiente de festa” que, também, favorece o despertar da vontade em terceiros para visitarem o nosso país.

 

Turisver.com – A Organização Mundial do Turismo deu a conhecer que nos primeiros quatro meses do ano as chegadas internacionais de turistas cresceram 6% em relação a 2016. Face a estes números e ao índice de confiança do Grupo de Especialistas da OMT, existe um grande optimismo em relação ao crescimento futuro do turismo. Na sua perspectiva esta situação é uma vitória do turismo contra o medo?

Atilio Forte – Sem dúvida alguma que os resultados recentemente divulgados pelo último Barómetro da UNTWO (Organização Mundial do Turismo), relativos ao primeiro quadrimestre deste ano, são extremamente animadores e, claramente, indiciam a existência não apenas de um crescimento sustentado e global da actividade turística, mas ainda a recuperação do turismo nalgumas áreas do planeta – Médio-Oriente, África e parte da Europa –, bem como a perspectiva que 2017 poderá ser mais um ano de superação e de novos recordes, apesar dos complexos desafios e constrangimentos que a conjuntura internacional lhe tem colocado.

Permitimo-nos abrir aqui um parêntesis para salientar que o aumento que até agora se verifica (6%) é, tão só, o dobro (!) do previsto nas projecções daquele organismo das Nações Unidas as quais, como é do domínio público, antecipam crescimentos anuais na casa dos 3%, ao longo das próximas décadas.

Obviamente, estamos conscientes que a segunda metade do ano é sempre mais importante para a formação do resultado final, dado o principal período de férias (Verão) ter lugar no hemisfério Norte que, para além de mais populoso, é onde estão situados mercados emissores tão importantes como os Estados Unidos da América, a Europa e a China.

Assim, talvez seja esta a razão pela qual o Grupo de Especialistas da UNTWO que acompanha e monitoriza, em permanência, a evolução da actividade está tão confiante, chegando ao ponto de afirmar que as actuais perspectivas são as melhores dos últimos 10 anos.

Por tudo isto somos de opinião que, mais do que uma vitória do turismo sobre o medo, estes animadores resultados indiciam, por um lado, a resiliência desta actividade económica a todo um conjunto de adversidades – desde o terrorismo, ao preço do petróleo, da fragilidade e incerteza em torno do sistema financeiro, às grandes questões da política internacional (Brexit, Administração Trump, sanções da União Europeia à Rússia e vice-versa, etc.) – e, por outro lado, que a espécie humana não abre mão de uma das suas principais conquistas, a liberdade, o direito e a capacidade de viajar.

 

O + da Semana:

Embora ainda se encontre a aguardar pelo licenciamento final por parte dos serviços municipais e pelos diversos pareceres externos para que a obra possa avançar, tudo indica que o velhinho “Palácio de Cristal / Pavilhão Rosa Mota” vai sofrer melhorias significativas que permitirão à cidade do Porto ultrapassar uma das suas grandes lacunas turísticas: a existência de um equipamento multiusos, de grande capacidade, capaz de acolher os mais variados eventos. Caso tudo decorra conforme previsto, as obras durarão cerca de ano e meio (de Outubro de 2017 a Maio de 2019) e representarão um investimento que rondará os 8 milhões de euros por parte do consórcio “Porto Cem Por Centro Porto”, que venceu o concurso para a requalificação e exploração daquele edifício, inaugurado em meados do século passado (1952). Para além de novas bancadas, as características vigias circulares que estamos habituados a ver na sua cúpula ganharão um mecanismo individual que permitirá encerrá-las, de modo a obter total escuridão no interior, sem que haja qualquer alteração na arquitectura exterior. O “miolo” será dotado de vários espaços de apoio, nomeadamente a congressos, área de restauração, camarins e vestiários, a que acrescerá uma nova sala principal com capacidade para 4.730, 5.580 ou 8.660 lugares, que poderá acolher, respectivamente, um congresso, um evento desportivo ou um concerto. Deve ainda acrescentar-se que a “Metro do Porto” está a estudar contemplar duas novas estações nas imediações do futuro multiusos do Porto.

 

Aproveitamos para desejar a todos os nossos leitores umas boas e relaxadas férias. Aos muitos que darão o melhor de si mesmos para proporcionarem estadas e viagens inolvidáveis aos demais, votos de bom trabalho. Voltaremos em Setembro, para continuarmos a analisar e comentar o que de mais importante se vai passando no Turismo, seja em Portugal, seja no Mundo.