iTurismo: G20: Quem Mais Tem, Mais Pode, por Atilio Forte

A reunião dos ministros do Turismo do G20, onde o secretário-geral da OMT foi defender que a actividade económica do turismo deve ser encarada como uma prioridade também nas economias mais desenvolvidas, é um dos temas em destaque no iTurismo desta semana. Atilio Forte comenta também o facto de Portugal contar, para a época balnear que se aproxima, com mais 99 praias aprovadas que no ano passado.

 

Tópicos da Semana:

  • Hotéis europeus registam magnífico mês de Fevereiro: De acordo com a multinacional de estudos de mercado STR a taxa de ocupação hoteleira na Europa aumentou 2,1% face ao mês homólogo do ano passado; a tarifa média diária cresceu 2,5% em Fevereiro; e, a receita por quarto disponível disparou 4,7%, no mesmo período. A título ilustrativo é de referir que, nesse mês, a taxa de ocupação subiu 6,2% em França e 6,5% em Portugal.

 

  • Espanha lidera a recuperação turística no Mediterrâneo: Na opinião do fundo de investimento Benson Elliot Capital Management o país nosso vizinho está destacado na retoma da actividade turística no Sul da Europa e no Mediterrâneo, liderando na maioria dos indicadores turísticos. Contudo, e considerando o forte reposicionamento da oferta turística espanhola, aquele fundo também adverte que, devido a esta mudança, quaisquer análises deverão ter sempre em conta bases comparáveis.

 

  • Hotelaria tarda em utilizar eficazmente as redes sociais: De acordo com a Netbase – empresa que se dedica a analisar o uso das redes sociais e a presença na internet – o sector do alojamento tarda em potenciar as redes sociais em seu benefício. A comprová-lo está o facto de apenas a Ritz-Carlton e a Four Seasons constarem entre as 50 marcas mais importantes do seu último relatório: “Social Media Industry Report 2018: Luxury Brands”.

 

Comentário

 

Turisver.com – O secretário-geral da Organização Mundial do Turismo foi à cimeira dos Ministros do Turismo do G20 defender que a actividade turística é uma ferramenta poderosa no que toca à sua capacidade de gerar mais e melhores postos de trabalho, pelo que estes países devem colocar o turismo nas suas agendas. Na sua opinião, o turismo ainda está longe de ser prioridade nos países com economias mais desenvolvidas?

Atilio ForteComo é do conhecimento público o Grupo dos 20 (G20) é composto pelos Ministros das Finanças e pelos líderes dos Bancos Centrais e, desde 2008, também pelos Chefes de Estado e de Governo, das 19 maiores economias do Mundo mais a União Europeia (UE), representando cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, perto de 80% do comércio mundial (incluindo o intra-União Europeia) e dois terços da população mundial, sendo que, no que respeita à actividade turística, esta foi a oitava vez que se reuniram os responsáveis máximos pelo turismo daqueles países.

Deve ainda acrescentar-se que esta Cimeira, realizada em Buenos Aires (Argentina), na semana passada, contou com a presença de três entidades internacionais “de peso”, concretamente duas Agências das Nações Unidas – a Organização Mundial do Turismo (UNWTO) e a Organização Internacional do Trabalho (UNILO, vulgo OIT) –, e o organismo mais importante de representação dos agentes económicos privados, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC).

Desta reunião há a destacar a assinatura da carta “O Futuro do Trabalho”, onde se reconhece o papel primordial do turismo no desenvolvimento sustentável e na geração de emprego, a qual compromete todos os signatários: a promover políticas que facilitem o processo de inovação no turismo para a criação de empregos; a valorizar o empreendedorismo entre as mulheres e os jovens; a estabelecer centros de inovação do turismo, incentivos e programas para estimular a inovação, o empreendedorismo e conectar as “start-ups”, as grandes empresas, os investidores e os governos; e, a intensificar os mecanismos de cooperação entre os sectores educativo e privado, os governos e os parceiros tecnológicos visando a construção de melhores programas curriculares.

Feita esta breve introdução, convirá destacar que, actualmente, a actividade turística já é directamente responsável por 313 milhões de empregos no Mundo – o equivalente à quase totalidade da população dos Estados Unidos da América (EUA)! – e, simultaneamente, é a única área da economia que, de acordo com as previsões para as próximas três décadas, no mínimo crescerá a um ritmo de 3% ao ano, enquanto o global da economia mundial, no máximo, não irá superar os 2% ao ano.

Para além deste aspecto, e perante tão grande potencial de crescimento, também deverá ter-se bem presente que o turismo é uma actividade económica de mão-de-obra intensiva, o que significa que estará na “linha da frente” na criação de novos empregos e profissões e, portanto, verá intensificada a sua preponderância na definição do mercado de trabalho futuro.

Justificam-se assim, plenamente, os argumentos utilizados e os alertas deixados pelo Secretário-Geral da UNWTO nesta Cimeira, seja para que os países do G20 olhem para a capacidade intrínseca e ímpar do turismo gerar novos empregos, seja para o colocarem no topo das suas prioridades políticas. É que a actividade turística reúne, entre outras, as capacidades que podem contribuir para a construção de um Mundo mais equilibrado na criação e distribuição da riqueza e, por isso, economicamente menos assimétrico e socialmente mais coeso e solidário.

Contudo, o grande desafio que o turismo terá de enfrentar será o de fazer valer estes e outros argumentos junto dos Estados, dos governos e dos líderes do G20 pois, uns estarão insensíveis aos mesmos, por não considerarem a actividade como parte integrante do seu “ADN” económico (apesar de usufruírem largamente dos benefícios que ela lhes traz!) – veja-se o caso dos EUA (política externa, imigração, proteccionismo comercial, etc.) –, enquanto outros, apesar de há muito “terem comprado a ideia” e nela incessantemente investirem, ainda não conseguiram congregar os esforços e as vontades necessárias e definir a melhor estratégia para a levar por diante – veja-se o Brasil (“país continente”, repleto de potencial turístico) que em 2017, estima-se, fique aquém dos 7 milhões de turistas (menos de um terço dos que Portugal terá recebido…).

E se nos detivermos em realidades que nos estão mais próximas, olhemos para o que sucede no seio da UE, que só há pouco mais de uma década é que reconheceu “politicamente” a actividade e onde, apesar disso, persiste uma clara dicotomia na forma como a mesma é encarada, entre os países do Centro e do Norte e os do Sul, ou seja, entre os maioritariamente emissores e os preponderantemente receptores de fluxos turísticos, não obstante a Europa continuar a ser (quase paradoxalmente!) o principal destino turístico do planeta.

Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o turismo ainda tem um longo caminho e muito trabalho por diante, através do qual barreiras precisam ser vencidas, preconceitos têm de ser quebrados, líderes devem ser melhor informados para que possam tomar decisões mais correctas e, principalmente, mentalidades têm de ser, paulatinamente, mudadas.

E tal só será possível se todos quantos acreditam no potencial da actividade, independentemente da sua localização geográfica, raça ou crença religiosa, por um lado, tiverem a capacidade e a inteligência de unir esforços e, por outro lado, souberem dignificar o turismo, os que nele investem e trabalham, colocando o progresso do ser humano no centro da sua acção, dando verdadeira e real dimensão ao facto desta ser uma actividade económica feita por pessoas, para pessoas.

E quem mais tem – como acontece com os que integram o G20 –, mais pode e deve fazer por isso!

 

Turisver.com – Para o Verão que se aproxima, Portugal tem 640 praias aprovadas, incluindo fluviais, o que representa mais 99 que no ano passado.  Este é um sinal de que estamos a cuidar do ambiente e ao mesmo tempo da segurança dos turistas?

Atilio Forte – Sem dúvida que estas são excelentes notícias quer para o país quer, principalmente, para os portugueses e para todos quantos nos distinguem com a sua visita.

Quando tanto se fala da importância da qualidade ambiental e da sustentabilidade ecológica, vermos o número das nossas praias aprovadas aumentar de forma tão significativa tem, forçosamente, de querer dizer que de 2017 para 2018 mais e melhor trabalho foi feito, dado que essa aprovação está directamente relacionada com a qualidade da água – seja dos rios e albufeiras, seja do mar –, com a colocação no terreno, por parte do ISN – Instituto de Socorros a Náufragos e dos Municípios, de mais meios humanos e materiais para compor o vasto dispositivo de prevenção e segurança que garanta a tranquilidade de quem a elas se desloca e, também, de um aumento do interesse em investir em sectores económicos umbilicalmente ligados à praia e às actividades que nela se podem desfrutar, quer por parte das Autarquias, quer por parte dos privados.

Registamos ainda com particular agrado que o período da denominada Época Balnear foi alargado no corrente ano, indo do próximo dia 1 de Maio até 15 de Outubro, ficando mais de acordo com o “apelo” proporcionado pelas nossas excelentes condições climatéricas.

Claro está que, do ponto de vista turístico, tudo isto só é necessário e possível devido ao dinamismo que o produto Sol & Mar/Praia persiste em revelar e por o mesmo continuar a ser um fortíssimo factor de atracção tanto para aqueles que decidem gozar as suas férias “cá dentro”, como para os que, vindos de outras paragens, nos elegem como seu destino preferencial.

Por estas razões, esperamos que este alargamento do número de praias, com qualidade e segurança, venha a ser correspondido por todos quantos as frequentem com a observação e respeito pelas indicações que lhes sejam transmitidas e pelo cuidado individual posto em manter a sua limpeza e higiene, por forma a diminuir o número de sinistros e com o objectivo de, em 2019, podermos ver aumentar, novamente, a quantidade de praias nacionais aprovadas.

 

O + da Semana:

A actividade económica do turismo demonstra estar cada vez mais ciente da necessidade de constantemente inovar para, desse modo, melhor corresponder à crescente avidez por novas propostas manifestada pelos consumidores. Por esta razão são muitos os exemplos que surgem um pouco por toda a parte, nomeadamente no sector da hotelaria, e cuja criatividade merece natural destaque. Eis alguns deles: o Hotel des Horologers, na Suíça, conta com um terraço inclinado, com saída em ziguezague, que permite aos seus hóspedes dali esquiarem directamente para as pistas; a cadeia Graduate Hotels incorporou consolas de vídeo jogos em todos os seus quartos; em alguns hotéis da Westin os clientes podem encontrar equipamento de ginástica/exercício no quarto; na “Entertainment Suite” do Landmark Mandarim Oriental de Hong Kong existe um ecrã com cerca de 4 metros de comprimento; o Elizabeth Hotel, localizado no Estado americano do Colorado, equipou os seus quartos com gira-discos “vintage”, próprios para vinis; e, o London West Hollywood de Beverly Hills (Califórnia, Estados Unidos da América) integrou na “sua equipa de colaboradores” dois buldogues ingleses – o Winston e o Churchill –, aos quais atribuiu a função de mascotes oficiais, convidando os clientes a brincarem e interagirem com eles.