iTurismo: Mais do que Um Jogo

O partido que o Turismo poderá tirar das recentes vitórias do Flamengo sob a “batuta” de Jorge Jesus e da sua lusa equipa técnica, a questão do lançamento dos concursos (públicos internacionais) para a exploração das zonas de jogo do Estoril e da Figueira da Foz e o Relatório Anual relacionado com o “Travel Risk Map” são os temas abordados por Atilio Forte.

 

Ao falarmos dos principais acontecimentos da semana passada é incontornável que não comecemos por destacar os sucessos que um dos “gigantes adormecidos” do futebol mundial alcançou durante o fim-de-semana, já que no Sábado venceu a Taça Libertadores – a “Champions” da América do Sul – e no Domingo (mesmo sem jogar) sagrou-se campeão nacional do Brasil (ao conquistar o Brasileirão). Referimo-nos, como já se percebeu, ao Clube de Regatas Flamengo e, acima de tudo, ao facto de tais êxitos muito terem ficado a dever-se à sua portuguesíssima equipa técnica, comandada por Jorge Jesus.

E é sobre este particular que gostaríamos de aqui destacar que estas conquistas podem (e devem!) ser encaradas do ponto de vista turístico como muito mais do que um jogo . Assim, devemos começar já a trabalhar para que, mal esteja volvida a euforia destas vitórias e acalmados os ânimos das suas celebrações, possamos tirar o devido partido de Portugal e dos portugueses “estarem em alta” no país irmão.

Se é verdade que os brasileiros estão a redescobrir Portugal, e os números não enganam, representando em 2019 um dos mercados emissores que percentualmente mais tem crescido tanto em turistas como em receitas, não menos verdade é que se impõe que saibamos potenciar, com inteligência e sem ferir quaisquer susceptibilidades (ou mesmo outras preferências clubísticas), este “estado de graça” que nos caiu literalmente “no colo”.

 

Entre os dias 20 e 22 de Novembro Viana do Castelo acolheu a 31ª edição do Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo organizado pela AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, que teve como mote para os trabalhos “Portugal: Preparar o Amanhã”. Porventura, uma das melhores (e mais despercebidas) notícias para o turismo nacional que saíram daquele evento aconteceu logo na Sessão de Abertura quando o Governo foi questionado sobre o lançamento dos concursos (públicos internacionais) para a exploração das zonas de jogo do Estoril e da Figueira da Foz – que envolvem os Casinos Estoril e Lisboa e, também, o Casino da Figueira – o que sublinhou, por um lado, a consciência para a importância das verbas arrecadadas pelo Estado, e que financiam directamente cerca de 70% do orçamento do Turismo de Portugal, I. P., possibilitando à Autoridade Turística Nacional ter meios financeiros para continuar a apostar na promoção turística do país, na formação e qualificação profissionais dos recursos humanos e nos apoios e incentivos ao investimento no nosso turismo e, por outro lado, a preocupação de estarmos a sensivelmente um ano do final das ditas (terminam em 31 de Dezembro de 2020) sem que (incompreensivelmente) nada tenha sido feito ou decidido.

O despertar da longa letargia em que os inúmeros actores turísticos pareciam estar mergulhados sobre tão vital assunto deve saudar-se, já que durante os últimos anos a voz do iTurismo foi uma das raras a ir alertando e chamando a atenção para esta crucial matéria.

Infelizmente, e no que a prazos respeita, o Governo não adiantou muito mais ao que o seu “antecessor” já havia dito, ou seja, que até ao início de 2020 os referidos concursos irão avançar, o que poderá indiciar que o Orçamento de Estado para o próximo ano, a apresentar à Assembleia da República até 16 de Dezembro de 2019, contemplará, pelo menos, as respectivas autorizações legislativas para o efeito.

Contudo, será bom que todos os envolvidos nesta temática, no presente e no futuro, tenham consciência que no final de 2020 nada estará decidido e, muito menos, concluído, uma vez que ao prazo estimado para os respectivos concursos (possivelmente seis meses) inapelavelmente haverá que adicionar as contestações e impugnações judiciais típicas em processos desta natureza, complexidade e com tão elevados montantes envolvidos, devendo por isso, no entretanto, gizar-se uma solução que permita que os três Casinos abrangidos por estas duas concessões possam abrir portas no dia 1 de Janeiro de 2021 e nos dias e meses (talvez anos) que se seguirão, até existir uma decisão/conclusão do processo.

De positivo deve destacar-se o facto de o Governo ter garantido (pela primeira vez) publicamente que as receitas provenientes do IEJ – Imposto Especial de Jogo irão continuar a apoiar a actividade turística, esperando-se que tal signifique que, no mínimo, a actual proporção/distribuição se manterá. Assim sendo, escusado é dizer-se que toda a atenção que o turismo dedicar ao acompanhamento desta matéria, não será demais.

 

Nesta semana que passou, foi também tornado público o 11º Relatório Anual relacionado com o “Travel Risk Map” elaborado pela International SOS – a maior empresa de serviços de segurança médica e de viagens do Mundo –, que prevê que os destinos mais perigosos em 2020 serão: o Afeganistão, o Egipto, o Iraque, a Líbia, o Paquistão, a Somália, o Sudão do Sul, a Síria, o Iémen, a República Centro-Africana e o Congo.

Ao invés, são apontados como locais menos perigosos para viajar durante o ano que vem: a Dinamarca, a Finlândia, a Gronelândia, a Islândia, a Noruega, a Eslovénia, a Suíça, São Marino, as Ilhas Turcas e Caicos, as Ilhas Caimão, as Seicheles, Anguila, Cabo Verde, Palau e as Ilhas Marshall.

Para além destes aspectos, aquela empresa identificou ainda oito riscos geopolíticos que podem vir a ter impactos na actividade turística ao longo do próximo ano. São eles: as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América (EUA); as alterações à natureza do envolvimento dos EUA no Médio Oriente; as tensões na Península da Coreia; a guerra comercial entre os EUA e a China; o terrorismo; os levantamentos populares na América do Sul; as perturbações sociais e os nacionalismos na Europa; e o papel da Rússia como superpotência em resultado da crescente demissão dos EUA dessa missão.

 

Nota – Não é demais recordar que o endereço de email [email protected] continua ao dispor dos(as) nossos(as) leitores(as).