iTurismo: Não Passem, Parem, por Atilio Forte

A geração milénio a liderar a procura hoteleira na Europa, os Spas de hotéis para homens e uma pista de gelo construída num resort das Maldivas, são os “Tópicos da Semana” do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte escolhe como “O + da Semana” a possibilidade de criação de um intercâmbio turístico entre Portugal e o Irão. O habitual Comentário versa sobre as iniciativas de solidariedade do Turismo para com a região Centro e o crescimento turístico do País na época baixa.

 

Tópicos da Semana:

  • Geração do Milénio lidera a procura hoteleira na Europa: Uma análise sumária ao inquérito anual “Hotel Investment Survey”, promovido pela consultora internacional Deloitte, demonstra que a geração “Y” continuará a liderar a procura no sector do alojamento do “Velho Continente” e que Amesterdão é percepcionada como a cidade nº 1 para investimento hoteleiro.

 

  • SPA’s de hotéis para homens requerem especificidades próprias: Muitos são os especialistas na área que salientam que os homens que frequentam SPA’s exigem maior customização deste produto. Assim, e de acordo com o que por eles é sublinhado, os SPA’s dos hotéis que disponibilizem várias opções de comida, cerveja (!?), desporto na televisão e, claro está, tratamentos termais, reunirão melhores condições para terem sucesso junto dos hóspedes.

 

  • Resort das Maldivas constrói pista de gelo: Pode parecer um paradoxo, mas não é. O resort de luxo Jumeirah Vittaveli, localizado na República das Maldivas, anunciou que, em breve, irá abrir um ringue de gelo sintético de modo a permitir que os seus clientes possam aí patinar durante o período de Inverno. Segundo declarações dos responsáveis daquela unidade esta é mais uma maneira de procurarem deslumbrar os seus hóspedes.

 

Comentário

Turisver.com – Têm sido várias as iniciativas que visam sensibilizar os portugueses para que façam turismo no Centro do país. A par da campanha televisiva promovida pelo Turismo de Portugal, e de a APAVT ter considerado a Região Centro como Destino Preferido 2018, a BTL escolheu esta região como Destino Nacional Convidado para a sua edição do próximo ano. Na sua opinião, estas acções poderão contribuir fortemente para que actividade turística seja impulsionadora da retoma económica desta região?

Atilio Forte – Ao longo destas nossas análises temos referido que o turismo, pelas suas características endógenas e exógenas é, simultaneamente, uma das áreas da economia mais simbióticas e com maior capacidade de induzir dinâmica económica, pela forma como afecta positivamente as demais.

Este enorme efeito multiplicador, aliado ao ímpar potencial de criação de emprego e captação de investimento é, globalmente, um garante para o desenvolvimento de qualquer região, logo de fixação das populações, de diminuição das assimetrias que possam existir num dado território, numa frase, de geração de riqueza e aumento da coesão económica, social e territorial.

Assim, não temos dúvidas em afirmar que a actividade turística estará na linha da frente na contribuição para o reganhar de dinâmica económica pela região do Centro de Portugal, na sequência das tragédias que a assolaram nos últimos meses e que ceifaram vidas, devastaram património natural e edificado e dizimaram parte substancial da economia regional.

Mais a mais quanto a tudo isto é adicionada uma onda de solidariedade, individual e colectiva, poucas vezes vista. É um país que está mobilizado a tudo fazer para, de alguma forma, procurar sarar as feridas provocadas pelos catastróficos incêndios que aí ocorreram e, também, demonstrar que a “sociedade civil” é bem mais capaz do que o Estado.

Como temos testemunhado, no que ao turismo respeita, o Centro de Portugal tem recebido o carinho e a assistência de todos os agentes turísticos – através de múltiplos exemplos como os que são referidos na pergunta –, com um duplo objectivo: mitigar a devastação turística do destino; e, contribuir activamente para a retoma dos seus fluxos turísticos.

E estas são acções cujos frutos já começam a ser visíveis, uma vez que, volvidos que estão pouquíssimos meses após os nefastos acontecimentos que aí tiveram lugar, começamos a ter sinais claros da retoma turística da região, que vêm provar tanto a resiliência do turismo, como a sua capacidade regeneradora.

Todavia, e para além deste gigantesco desafio que, acreditamos, será levado de vencida com pleno êxito, seria útil que a comunidade turística, regional e nacional, começasse a reflectir sobre o futuro daquela zona do país, pois o “novo Centro” terá de possuir a capacidade de exorcizar o ser, sobretudo, um local de passagem entre o Norte e o Sul de Portugal, para passar a ser um local de paragem, enquanto destino turístico e, desse modo, revelar todo o seu esplendor, riqueza e diversidade turísticas.

E, para tal, não basta recuperar, reconstruir, revitalizar e reanimar. É também necessário revalorizar muitas áreas – algumas históricas do ponto de vista turístico –, que embora não tendo sido tocadas pelos incêndios, já se encontravam incompreensível e parcialmente abandonadas, sendo um dos casos mais ilustrativos do que acabamos de afirmar o da Curia (concelho de Anadia).

Ser solidário e querer ajudar significa, igualmente, cooperar e colaborar para que falhas passadas sejam corrigidas, de modo que o produto do esforço conjunto que está em marcha, seja um Centro mais atractivo, mais diferenciado, mais genuíno, em suma, mais turístico. Ou seja, mais de paragem, do que de passagem!

 

Turisver.com – Os mais recentes dados estatísticos sobre a actividade turística publicados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, para além de revelarem crescimentos em praticamente todo o país, demonstram um dado importante: o turismo está a crescer mais na época baixa. Mesmo tendo em conta a proporcionalidade entre a época alta e a época baixa, no seu entender estamos a esbater a sazonalidade?

Atilio Forte – É um dado adquirido que, tal como aqui havíamos previsto há um ano, 2017 irá ser um sucesso turístico. Ora isso significa que, natural e compreensivelmente, todos os seus meses manifestem uma tendência global de subida nos diferentes indicadores, com especial destaque para o número de hóspedes, dormidas e receitas.

Deste modo justifica-se que em Outubro último os proveitos globais obtidos em 2016 tenham sido superados e, portanto, que os dois meses finais do presente ano mais não traduzam do que o acentuar do crescimento comparativo de 2016 para 2017.

Estas são razões que, em parte, demonstram o aumento de fluxos turísticos na denominada época baixa e que são consequência do bom trabalho que vem sendo desenvolvido por todos os agentes turísticos, bem como dos benefícios que continuamos a colher de uma conjuntura internacional que persiste em favorecer-nos.

Não devemos pois estranhar que a sazonalidade dê sinais claros de atenuação.

Contudo, e sem querermos desvalorizar o mérito dos resultados alcançados, somos de opinião que deveremos revelar alguma prudência na sua análise, por um lado, para confirmarmos se estamos perante uma tendência real, porque sustentável e, por outro lado, para evitarmos cair na tentação de sobrevalorizarmos os crescimentos relativos que, do ponto de vista percentual, alguns meses tradicionalmente “menos fortes” apresentam, já que é completamente diferente crescer-se 15 ou 20% sobre uma base exígua, do que 2 ou 3% sobre valores mais robustos.

Se, porventura, o fizéssemos facilmente correríamos o risco de afirmar que, por terem apresentado aumentos, respectivamente, de 20,4% e 16,3%, o Centro e o Alentejo seriam as duas regiões turísticas que maior crescimento registariam, desvalorizando-se resultados menos impressivos do ponto de vista percentual, como os do Algarve ou de Lisboa, incorrendo-se, dessa forma, numa leitura errónea dos indicadores.

Portanto, sendo de saudar os esforços que estão a ser feitos para conferir maior homogeneidade mensal à actividade turística, pensamos que o esbater da sazonalidade decorre mais do aumento global que o turismo tem vindo a registar no nosso país, do que directamente do resultado das medidas tomadas e em curso, as quais necessitam de mais tempo para que os seus efeitos possam ser devidamente avaliados.

E, neste particular, um dos indicadores a considerar deverá ser o número de unidades hoteleiras (ou de camas) que, por exemplo, encerram no Algarve durante a estação baixa, pois tal não só representa ausência de receitas, como flutuações no mercado de trabalho como, sobretudo, revela falta de turistas.

Em suma, há pois que ser perseverante e prosseguir com o bom trabalho que vem sendo realizado, sem deslumbramentos, nem interpretações distorcidas das análises aos resultados que vimos alcançando.

 

O + da Semana:

Há pouco mais de dois anos o Mundo celebrou um acordo histórico alcançado entre a República Islâmica do Irão e o G5+1, isto é, os cinco países que integram de modo permanente o Conselho de Segurança da ONU – Organização das Nações Unidas (Estados Unidos da América, França, Reino Unido, Federação da Rússia e República Popular da China) acompanhados da República Federal da Alemanha, acerca do programa nuclear daquele país do Médio Oriente. Desde então, paulatinamente, temos assistido a alguns progressos nas relações económicas com aquele poderoso Estado, embora caldeadas com a permanente tensão que persiste naquela região do globo, principalmente motivada pela “guerra surda” pela liderança política regional e acima de tudo religiosa, entre sunitas (liderados pelo Reino da Arábia Saudita) e xiitas (liderados pelo próprio Irão). Apesar deste periclitante estado de coisas, o turismo, tal como a vida, acaba sempre por encontrar um caminho. Talvez por essa razão, nas últimas duas semanas tenhamos lido e ouvido falar, com particular insistência, sobre a possibilidade de criação de um intercâmbio turístico entre o nosso país e o Irão – projectando-se já a existência de uma ligação aérea, operada pela EuroAtlantic Airways –, o que a confirmar-se poderia ter um papel muito importante quer para um melhor conhecimento daquele país árabe que, recorde-se, é banhado a Norte pelo Mar Cáspio e a Sul/Sudoeste, respectivamente, pelos Golfos de Omã e Pérsico, quer para a abertura de um outro patamar nas relações económicas com a União Europeia, através de Portugal. Tanto pela importância geoestratégica que tal poderá vir a ter, como pelos seus reflexos na actividade turística, este é um assunto que merece continuar a ser acompanhado de perto.

 

Nota:

Atenta a Quadra Natalícia o “iTurismo” só voltará no dia 4 de Janeiro de 2018.

Desejamos a todos os nossos leitores e respectivas famílias um Feliz Natal e um 2018 pleno de sucessos pessoais, profissionais … e turísticos!