iTurismo: O Esplendor de Portugal

A recente atribuição de 12 “óscares do turismo” a Portugal na 26ª edição dos World Travel Awards, a contínua evolução do sector da distribuição turística, tanto ao nível das redes físicas como ao nível do ambiente digital e a abertura, prevista para Janeiro, da 100ª unidade do Pestana Hotel Group, em Nova Iorque, são os temas comentados por Atilio Forte.

 

Decorreu na passada quinta-feira, dia 28, em Mascate (Omã), a 26ª edição dos World Travel Awards – mais conhecidos por “óscares do turismo” – cerimónia onde Portugal arrecadou pela terceira vez consecutiva o título de Melhor Destino Turístico do Mundo, (com)provando de novo a qualidade e a diversidade da sua oferta turística e, simultaneamente, que o turismo é a única actividade económica, se entendida enquanto constelação de sectores, em que conseguimos ser verdadeiramente competitivos à escala planetária.

Para além deste galardão, indubitavelmente o mais apetecido de todos, o nosso país conquistou ainda outros 11 “óscares”, que premiaram o trabalho, o investimento e o compromisso com a actividade turística desenvolvido por regiões, cidades, entidades públicas e empresas que, naturalmente, merecem um justo (justíssimo!) reconhecimento, até porque algumas delas também são “repetentes” nestas andanças.

Contudo, se é verdade que para a “história do turismo português”, no ano de 2019, serão estes os “doze magníficos” que aí figurarão em lugar de destaque, importa que digamos que não foram eles, ou melhor, não foram só eles os responsáveis por termos arrecadado este “tricampeonato” mundial. Muitos houve e há que também competiram (ao todo foram 65) e não ganharam e inúmeros mais que nem a esse patamar chegaram, permanecendo no anonimato, mas que contribuíram para a construção das fundações que (também) suportaram estas conquistas nacionais, apesar de lhes serem alheias, e desse modo ajudaram a levantar bem alto o esplendor de Portugal!

Por isso, é em momentos como este em que estamos cheios de orgulho e de ego transbordante, embora cientes e conscientes do acréscimo de responsabilidade que estas distinções internacionais acarretam que, por um lado, devemos ter bem presente que o turismo é, porventura, a mais simbiótica de todas as actividades o que significa que estes, mais do que individuais, são prémios colectivos e, por outro lado, cujo mérito deve igualmente ser repartido por uma infindável “cadeia de valor” que vai desde quem o venceu, até quem numa qualquer rua e com um afável sorriso estampado no rosto, por entre gestos e palavras, deu a indicação de uma direcção a um turista, encerrando nesse simples acto a afamada arte de bem receber (hospitalidade) de um destino turístico de excelência como o nosso.

 

A recente falência do “gigante” Thomas Cook – embora estivesse “escrita nas estrelas”, como aqui vimos –, levou a que muitos analistas e profissionais de turismo de imediato vaticinassem que estávamos a assistir ao estertor dos mega operadores turísticos e agências de viagens e, consequentemente, perante uma ainda maior desintermediação do negócio que concorreria para uma crescente aproximação entre a procura (consumidores) e a oferta (produtores ou prestadores de serviços), sobretudo tirando partido do aumento da interacção digital.

Ora, como na semana passada tivemos oportunidade de constatar, nada mais errado. A prová-lo está quer o que aconteceu aqui mesmo ao nosso lado (Espanha), com o anúncio da fusão entre dois dos maiores grupos de agências de viagens espanholas (Barceló e Globalia), quer o aparecimento/lançamento da easyJet Holidays, numa iniciativa que visa alargar o “raio de acção” no mercado da companhia aérea de baixo custo que lhe dá o nome.

Dando como certo que nem uns, nem a outra, tomaram decisões desta magnitude de ânimo leve ou com qualquer finalidade que não fosse a de aumentar os seus lucros, verificamos que o sector da distribuição turística continua a evoluir, tanto no que respeita à aposta em redes físicas, como acontece no caso espanhol, em que a nova sociedade (resultante da fusão) passará a gerir 36 marcas e mais de 1500 pontos de venda, como no reforço da presença da operação turística no ambiente digital, na qual o objectivo dos britânicos é flexibilizar ao máximo a construção dos pacotes turísticos por parte dos clientes ao mesmo tempo que propõem uma redução do tempo médio que cada consumidor despende online para organizar a sua viagem.

 

No decurso da última semana, a maior cadeia hoteleira portuguesa – o Pestana Hotel Group – anunciou que, logo em Janeiro de 2020, irá inaugurar a sua centésima unidade (Pestana Park Avenue) na icónica cidade de Nova Iorque. Este hotel que ficará situado em pleno centro de Manhattan, mais do que os 30 milhões de euros investidos e do que a afirmação internacional de uma bem-sucedida empresa turística do nosso país, representa o notável esforço que toda a hotelaria de Portugal tem feito para se afirmar, dentro e fora de portas, apesar de possuir na sua origem um mercado-base pequeno, seja em dimensão territorial e populacional, seja em capacidade económica.

Talvez por isto, certamente também por isto, desde muito cedo que os nossos hoteleiros perceberam que para terem sucesso teriam de ir mais além, isto é, procurar compensar nos mercados externos as lacunas de dimensão (territorial, populacional e económica) que internamente lhes poderiam cercear possibilidades de crescimento. Em paralelo, compreenderam que a inovação, a diferenciação e a qualificação do produto que disponibilizavam eram aspectos fulcrais para captar e, nalguns casos mesmo, fidelizar clientes.

E, há que dizê-lo, têm tido pleno êxito nestes seus propósitos. Apesar de bastas vezes receberem críticas – ninguém está a elas imune ou delas isento –, no que se refere “aos esquecimentos” do mercado interno (só se lembram dele nos períodos de crise), ao binómio qualidade/preço do que oferecem (o nível de serviço fica aquém do correspondente ao valor cobrado), até ao pagamento de baixos salários (apesar das queixas de falta de mão-de-obra), para apenas citar algumas das mais recentes, o facto é que também é justo que se diga que foram dos sectores que nas últimas duas décadas “mais se chegou à frente” com investimentos, mais emprego criou, mais se modernizou, mais se internacionalizou e, consequentemente, mais contribuiu para o bom desempenho turístico e progresso económico de Portugal.

 

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