iTurismo: Pontes e Feriados, por Atilio Forte

Como é que as pontes e feriados em 2017 podem beneficiar o turismo interno é tema do comentário do iTurismo desta semana. No “O+ da semana”, Atilio Forte ao recente estudo encomendado pela AHP sobre o Alojamento Local, enquanto nos “Tópicos da Semana” os destaques vão para a maximização dos lucros na hotelaria, na abertura de um hotel em Londres dedicado ao gin, e na simplificação na marcação de espaços para reuniões e eventos.

 

 

Tópicos da Semana: 

  • Maximizar lucros: Um recente estudo realizado pela consultora internacional STR revela que a ocupação máxima na hotelaria pode ser menos rentável do que uma gestão mais equilibrada que tenha em conta o aumento significativo dos custos operacionais quando a taxa de confirmação se aproxima dos 100%. Desse modo é recomendado, para obter o pico da rentabilidade, que as taxas de ocupação dos hotéis se situem entre os 75% e os 85%, para as unidades que disponibilizem serviços globais, e entre os 71% e os 80%, para as demais.
  • Para os “amantes” de gin: Londres está prestes a assistir à abertura de um novo hotel – o Distillery – que será dedicado, quase na totalidade, à temática do gin, permitindo que os seus hóspedes desfrutem da oportunidade de apreciarem uma variada selecção de coquetéis que tenham por base aquela bebida espirituosa que, ao longo de anos e de forma diversa,estagiou em barris de madeira feitos à mão, os quais passarão a encontrar-se suspensos por cima do bar, de onde o “néctar será colhido” directamente para o copo.
  • Marcar/vender salas de reunião ou eventos cada vez mais fácil: A empresa “Startup Bizly” idealizou uma forma para tornar a marcação de espaços para eventos e reuniões tão simples quanto reservar um quarto, ajudando assim os hotéis a “escoarem” as suas disponibilidades. Para tal basta descarregar e aderir à aplicação (App) que concebeu a qual, em poucos meses, já captou a adesão de mais de 100 hotéis, em 6 diferentes cidades dos EUA.

 

Comentário

 Turisver – Em 2017 vão ser comemorados 13 feriados nacionais, dos quais 4 serão num dia de fim-de-semana, cinco antecedem o Sábado ou são no dia seguinte ao Domingo e, quatro irão proporcionar aos portugueses uma pausa maior no trabalho, ou seja, uma “ponte”. Em 2016 os feriados a que os portugueses estavam habituados foram repostos e nesse sentido o turismo interno beneficiou. Que leitura tem desta situação?

 

Atilio Forte – Tendo em consideração os resultados que nos últimos anos a actividade turística tem vindo a alcançar, nomeadamente os que respeitam ao turismo interno, facilmente podemos constatar que a reposição dos 4 feriados feita pelo Governo conjugada, por um lado, com a ligeira recuperação de rendimentos sentida pelos portugueses e, por outro lado, com o facto da aquisição de produtos e serviços turísticos estar no topo das prioridades dos consumidores nacionais, revelou-se uma medida não apenas acertada mas, também, como mais um estímulo ao desenvolvimento do turismo.

Se analisarmos em maior detalhe a evolução recente do mercado interno não deixa de ser curioso que, proporcionalmente, assistimos a uma maior e mais diversificada tendência (ou preferência) pela procura de regiões turísticas menos “tradicionais” – veja-se os aumentos verificados no Porto e Norte de Portugal, nos Açores, no Centro e no Alentejo –, tal com constatamos um alinhamento da procura interna com os padrões internacionais, ou seja, manifestando uma crescente apetência por estadas de menor duração, mas com maior frequência.

Embora tal não signifique que o Algarve, a Madeira ou a região de Lisboa ou os períodos típicos de férias (Verão, Natal e Fim de Ano, Carnaval e Páscoa) tenham perdido “peso” junto dos consumidores nacionais, a realidade é que o mercado tem vindo, paulatinamente, a ajustar-se a novos comportamentos, aos quais certamente não é alheia uma (também) nova e mais abrangente tipologia de oferta, onde se incluem o alojamento local e as tarifas aéreas de baixo custo, que permitem e incentivam essa desconcentração e, simultaneamente, a alargam a outros sectores da sociedade que, até aqui, ou por perda de poder de compra ou por falta de capacidade económica, pura e simplesmente não se podiam dar “ao luxo” de ir para fora, mesmo que fosse “cá dentro”.

Com a aprovação do Orçamento do Estado para 2017, que mantém a linha de recuperação de rendimentos encetada este ano, apesar de persistir no agravamento de impostos indirectos que podem vir a prejudicar a dinâmica do turismo interno – caso do ISP (Imposto Sobre Produtos Petrolíferos) –, tudo leva a crer que o optimismo dos consumidores, ou pelo menos a sua percepção de melhoria das condições de vida, continuará a aumentar.

A ser assim, e dado que no próximo ano iremos ter 9 feriados nacionais em 13 que permitem fins-de-semana alargados ou “pontes” (aos quais acrescerão os feriados municipais), estamos em crer que, caso não exista qualquer sobressalto nacional ou internacional que possa minar a confiança dos consumidores, o mercado interno manterá um bom ritmo de crescimento.

Contudo, consideramos prudente recordar que será bom que a oferta turística não se acomode a estas boas perspectivas e faça sentir aos portugueses a sua importância pois, como já assistimos num passado recente, quando diminuem ou falham os fluxos turísticos internacionais são eles quem acaba por “salvar” (ou atenuar) as quebras.

Para além disso convirá também que não nos esqueçamos da concorrência. Por pequena que seja a dimensão do nosso mercado, existem outros destinos igualmente atractivos e aliciantes que tudo farão para seduzir os turistas nacionais a visitá-los.

Em conclusão, e pelas razões expostas, antevemos que os agentes turísticos, tanto públicos, quanto privados, não perderão esta oportunidade para estreitarem os laços de confiança com os seus “mais indefectíveis clientes”, fazendo-lhes sentir, em todos os momentos, que são sempre bem-vindos. Se assim for, acreditamos que haverá muitos portugueses que se sentirão deslumbrados ao descobrirem o país maravilhoso “que têm” e que melhor compreendam porque é que ele continua no topo das preferências turísticas daqueles que não residem em Portugal.

 

O + da Semana:

A AHP – Associação da Hotelaria de Portugal apresentou publicamente um documento sobre o Alojamento Local (AL), no qual avança com seis grandes propostas de alteração ao actual RJAL – Regime Jurídico do Alojamento Local, a saber: distinção entre o carácter esporádico e permanente do exercício da actividade; separar o que é oferta estruturada/colectiva do que é a exploração isolada de um apartamento ou moradia; vedar a possibilidade do uso de fracções alugadas como unidades de AL; introdução, com obrigatoriedade de cumprimento, de requisitos de segurança, funcionamento e informação periódica da actividade, nomeadamente ao INE – Instituto Nacional de Estatística e ao Turismo de Portugal; mais responsabilidade regulatória e fiscalizadora do exercício da actividade por parte das autarquias; e, medidas de direito transitório para protecção das propriedades que já estão inscritas no Registo Nacional do Alojamento Local (RNAL), das que ainda não estão. Concorde-se (total ou parcialmente) ou não com o proposto, devem ser reconhecidos dois grandes méritos às medidas agora avançadas por aquela estrutura associativa: por um lado, a assunção que o AL é uma actividade incontornável no panorama turístico actual e, por outro lado, a seriedade das soluções postas em “cima da mesa”, já que mais do que enveredarem por uma controvérsia estéril, procuram contribuir para a igualdade de condições e oportunidades no acesso ao mercado a todos os agentes económicos que operam no sector do alojamento. E isso é algo que merece destaque!

 

Nota da Redacção: Em virtude de amanhã (8 de Dezembro) ser feriado e para não privar os nossos leitores do habitual Comentário de Atilio Forte optámos por antecipá-lo, razão porque aparece em formato mais curto. Agradecemos a vossa compreensão.