iTurismo: Web Summit e Taxinha Cascalense, por Atilio Forte

Limitações ao alojamento local em Nova Iorque, a plataforma “ALICE” e a “mudança” de um hotel flutuante, são os “Tópicos da Semana” do iTurismo de hoje, em que Atilio Forte escolheu como “O + da Semana” a implementação de uma tecnologia que permite “seguir” a bagagem dos passageiros. Já o habitual comentário versa sobre a Web Summit e a taxa turística que Cascais pretende implementar.

 

Tópicos da Semana:

  • Estado de Nova Iorque limita alojamento local: No final da semana passada o Governador daquele Estado americano promulgou uma Lei que impede a realização de alugueres inferiores a 30 dias através das plataformas digitais que prestam esse serviço, estendendo a todo o Estado a proibição deste tipo de arrendamentos, que já se verificava desde 2010 apenas na cidade de Nova Iorque. Esta nova legislação prevê a aplicação de multas pesadas aos proprietários – que podem ascender a 7.500 dólares (cerca de 6.900 euros) – que publicitem o aluguer de um apartamento completo, em prédios com 3 ou mais fracções, por períodos inferiores a 1 mês. Entretanto a Airbnb já anunciou que irá recorrer aos tribunais para “travar” este diploma legal.

 

  • Já conhece a “ALICE”?: É esse o nome de uma nova plataforma móvel de atendimento ao cliente a qual, entre muitas outras vantagens, conseguiu determinar quais os tempos máximos aceitáveis de espera/resposta, nomeadamente por parte dos hotéis, aos pedidos que lhes são dirigidos via digital: 12 minutos para mensagens de texto; 26 minutos para e-mails; e, 27 minutos para solicitações através das redes sociais.

 

  • Hotel “muda-se” de Amesterdão para Londres: O “The Good Hotel” é uma unidade flutuante que acaba de completar a sua viagem, feita através do Mar do Norte e com recurso a um rebocador, desde aquela cidade holandesa até à zona Este da capital inglesa. Agora os seus 148 quartos encontram-se ancorados no Rio Tamisa.

 

Comentário

Turisver.com – Tem-se falado muito sobre a realização da “Web Summit” em Lisboa. O Presidente do Turismo de Portugal disse recentemente à Rádio Comercial que “acreditamos que é um marco na mudança do ADN das empresas e no próprio funcionamento do sector”. Estas palavras parecem significar que para o  turismo vai existir  «um antes e um depois»  do evento. Na sua opinião estamos perante uma revolução no sector?

 

Atilio Forte – Sem sombra para qualquer dúvida que a realização da “Web Summit”, que ocorrerá em Lisboa no início do próximo mês (7 a 10), será não apenas um evento com excelentes perspectivas turísticas – veja-se a elevadíssima taxa de ocupação que se espera ao nível do sector do alojamento –, mas também promocionais, dado concentrar em si um enorme impacto mediático e provocar um imenso “burburinho online” (entre participantes e não participantes) que fará com que o nosso país e a sua capital estejam nas “bocas do Mundo” ao longo de um período de tempo muito dilatado (antes, durante e após a conferência).

Uma vez que este é, porventura, o principal encontro da comunidade cibernética/digital/tecnológica à escala planetária, naturalmente que também irá funcionar como “despertador” de consciências em muitas empresas, empresários, gestores e empreendedores, para a importância da utilização das tecnologias de informação e comunicação no desenvolvimento dos seus negócios, seja como ferramenta de melhoria global do desempenho do tecido empresarial, seja como meio eficaz para chegar a um cada vez maior número de clientes e potenciais consumidores a nível mundial.

E, neste último sentido, mesmo tendo em consideração que a actividade económica do turismo é uma das que há mais tempo e em maior dimensão utiliza o potencial do digital – e Portugal não foge a esta regra –, cremos que poderemos vir a assistir a um ainda melhor aproveitamento, uso e exploração das vantagens que a tecnologia tem para nos oferecer, particularmente em áreas que se prendem com a I&D (inovação e desenvolvimento) e com o BI (“business intelligence”), talvez os maiores calcanhares de Aquiles da generalidade dos agentes económicos nacionais (incluindo os turísticos).

Para além disso este é um encontro muitíssimo importante para as “Startups”, sobretudo do sector tecnológico, que nele vêem oportunidade quer para se lançarem, quer para se darem a conhecer e dessa forma chamarem a atenção de potenciais investidores para as soluções ou produtos que criaram e estão prontas a disponibilizar ao mercado.

A esta luz justifica-se, plenamente, a afirmação de mudança comportamental a que poderemos vir a assistir nos tempos que se seguirão à realização da “Web Summit”. Por certo não se tratará de uma revolução. Mas não deixará de ser uma (importante) evolução. Pelo menos assim o esperamos.

Contudo, embora não sendo especialistas neste domínio (longe disso!), entendemos que há uma área que poderá ser particularmente afectada (positiva ou negativamente) pela realização deste evento, nomeadamente no que respeita às empresas turísticas (para a qual nestes comentários temos alertado). Referimo-nos à da segurança informática.

Um pouco por todo o Mundo estamos cada vez mais a assistir a ataques informáticos a empresas turísticas, sobretudo motivados por duas principais ordens de razões: uma relativa à grande e apetecível quantidade de dados confidenciais dos seus clientes que armazenam (nomes, moradas, elementos de identificação, cartões de crédito, etc.); outra, ao pouco que têm feito para protegerem a privacidade desses dados.

Ora, diz-nos o sucedido no passado, que uma tão grande “concentração de peritos” como a que ocorre durante a “Web Summit” conduz a que alguns deles se “entretenham” a pôr à prova a inviolabilidade dos sistemas de protecção e segurança informática, particularmente das empresas dos países de acolhimento. E, em concreto, das ligadas à actividade turística.

É óbvio que, atenta a delicadeza do assunto, nem sempre tal tem repercussão pública ou é fácil de provar, mas nem por isso pode ser negada a sua existência. Daí que instemos as nossas empresas a redobrarem a sua atenção neste aspecto, demonstrando a falta de fundamento deste nosso alerta.

Caso contrário, aí sim, poderíamos estar perante um turisticamente indesejável “antes e depois da Web Summit”.

 

Turisver.com – A Associação de Turismo de Cascais (ATC) quer que o município aprove a cobrança, já em 2017, de uma taxa turística no valor de 1,5 euros por turista / noite, até um máximo de cinco noites, tendo a entidade a expectativa de arrecadar 1,8 milhões de Euros por ano. A proposta está a gerar a oposição dos agentes turísticos da região, nomeadamente na área da hotelaria que, para além de considerarem a taxa desnecessária, alegam desconhecimento sobre o fim a que se destina. Faz sentido que a ATC aplique a taxa turística sem o acordo dos hoteleiros e sem que dê conhecimento do destino das receitas por ela geradas?

 

Atilio Forte – Confessamos que já tínhamos estranhado que os nossos leitores, sempre muito atentos, ainda não nos tivessem colocado esta questão tão actual, mais a mais porque também sabem que não nos temos coibido de aqui expressar o nosso ponto de vista acerca da introdução das chamadas “taxas turísticas”.

Em nossa opinião continua a não fazer sentido que qualquer município, seja ele Lisboa, Vila Real de Santo António ou Cascais, implemente este tipo de taxas, mesmo que, como acontece nalguns casos, as “embeleze” com finalidades nobres, particularmente a criação, requalificação ou recuperação de infra-estruturas ou património que beneficie, directa ou indirectamente, o turismo.

É nosso entendimento que as vantagens geradas pela actividade económica do turismo mais do que justificam, por si só, que esses investimentos sejam realizados, sem recurso a qualquer penalização daqueles que nos visitam e, por esse acto, decidem gastar o seu dinheiro nas nossas cidades, nas nossas regiões, no nosso país dando, desse modo, um contributo ímpar (praticamente inigualável) para a economia nacional.

Por outro lado, e sempre que surge um novo “caso”, temos vindo a assistir a um comportamento pouco homogéneo (ou ortodoxo) por parte dos agentes económicos ligados à actividade, mormente através das suas estruturas representativas – as associações empresariais –, o qual tem variado desde o recurso aos tribunais, às mais duras críticas, até à plena concordância, actuação que, por ser casuística, é entendida, no mínimo, como permissiva por parte das autarquias.

Daí que, embora com diferentes “roupagens”, este tipo de situações se vá sucedendo.

Pelo que acabámos de dizer, não é difícil perceber qual o nosso entendimento quanto ao que está a acontecer em Cascais. Mas, neste particular, mais importante do que a posição dos próprios hoteleiros – que deveria levar a, pelo menos, uma maior e melhor discussão da matéria –, o mais surpreendente é o fundamento com que aquela edilidade justifica a necessidade da criação de uma taxa turística: a quebra verificada nas receitas provenientes da concessão da zona de jogo.

Abrimos aqui um parêntesis para referir que sabemos bem que este não é um assunto muito “apelativo” para os agentes turísticos (mas devia ser!), que tendem em não se (quererem) recordar da vital (a palavra é mesmo esta: vital) importância que os “dinheiros provenientes do jogo” têm para o financiamento global da actividade no nosso país, desde o do Turismo de Portugal, ao dos municípios que detêm zonas de jogo dentro do seu território.

Fechado o parêntesis, valerá a pena aqui recordar que o argumento apresentado pela autarquia de Cascais teria plena sustentação caso fosse invocado entre 2009 e 2014, período onde, de facto, as receitas provenientes da concessão da zona de jogo do Estoril progressivamente minguaram.

Acontece que no ano passado (2015) já assistimos a uma recuperação dessas receitas a qual, embora ainda não compense a totalidade das quebras anteriores, já permitiu que a Câmara Municipal de Cascais arrecadasse, em 2016, mais verbas do que as resultantes do último ano da “crise” (2014).

Num plano meramente hipotético, isto significa que, entre 2009 e 2014, o argumento agora utilizado para a criação da taxa turística tinha total justificação, ao invés do que sucede presentemente.

Terminamos, pois, com uma palavra de esperança, fundada tanto na tradição turística de Cascais, como na enorme sensibilidade para actividade que sempre reconhecemos à equipa responsável por conduzir os destinos daquela autarquia, que nos faz acreditar que a eventual criação de uma taxa turística não terá passado de uma ideia pouco feliz por parte da Associação de Turismo de Cascais e que, por essa razão, será abandonada.

 

O + da Semana:

Quem já viajou sabe bem que uma das coisas mais desagradáveis que lhe pode acontecer quando se desloca de avião é que a sua mala “se perca”, tanto pelo transtorno imediato que tal provoca, como pela angústia de não saber se voltará a recuperar os seus pertences. Do outro lado, para os agentes do sector da aviação, a situação não é mais “agradável”, uma vez que aos custos de imagem, decorrentes de uma deficiente prestação do serviço, ainda acrescem muitos outros (logística, reclamações, indemnizações, etc.). Assim, é com alívio geral que foi recebida a implementação de uma nova tecnologia, a “Radio Frequency Identification (RFID)”, que permite controlar em tempo real qualquer bagagem. Estudos já realizados, quer pela SITA – Société Internationale de Télécommunications Aéronautiques, quer pela IATA – International Air Transport Association, demonstraram que a utilização da RFID pode diminuir em 25% o número de malas extraviadas, até 2022. A Delta Airlines, pioneira na introdução desta solução, garante que obteve uma taxa de sucesso de 99% no rastreio da bagagem dos seus passageiros. Mas a melhor das notícias, caso tudo corra de acordo com as previsões, é a estimativa que, nos próximos sete anos, esta inovação possa contribuir para que as companhias aéreas de todo o Mundo poupem qualquer coisa como 3 mil milhões de dólares … e muitas dores de cabeça aos seus clientes.