Jorge Rebelo de Almeida: Linhas férreas são fundamentais para o desenvolvimento do interior

“A minha grande satisfação seria que esta linha que liga Beja ao Algarve não fosse desactivada, como está actualmente”, afirmou Jorge Rebelo de Almeida, justificando a iniciativa do Grupo Vila Galé em realizar, com o apoio da ERT do Alentejo, o Comboio Gastronómico e Cultural do Alentejo que levou mais de uma centena de convidados a viajar entre a estação do Oriente, em Lisboa, e o apeadeiro da Figueirinha, na herdade onde se localiza o Vila Galé Clube de Campo.

A justificação da iniciativa passa também, afirmou, pelo facto de a existência desta linha poder contribuir para um maior desenvolvimento da região de Beja e de todo o Alentejo: “para o desenvolvimento do interior do país é fundamental que não só esta mas todas as outras linhas férreas não sejam desactivadas”, disse o presidente do Grupo Vila Galé, acrescentando que “vejo esta linha no âmbito da mobilidade eléctrica” de que disse ser hoje “um intransigente defensor”.

Mobilidade eléctrica à parte, Rebelo de Almeida diria depois aos jornalistas, referindo-se à viagem de comboio Lisboa-Figueirinha,  que em termos de produto turístico “seria muito mais interessante que esta viagem tivesse sido feita numa carruagem antiga, revivalista”.

“É óptimo viver no interior”, afirmou durante o jantar de boas-vindas aos convidados, sublinhando no entanto que para que isso seja real “não se podem tirar do interior as actividades essenciais à vida das pessoas”, ou seja, os investimentos têm que continuar. Neste âmbito, o grupo Vila Galé está a fazer a sua parte, com o Clube de Campo e o projecto agrícola que lhe está associado, o hotel de Évora e, em breve, o de Elvas.

A propósito referiu-se à situação do Aeroporto de Beja para o qual disse ter de haver uma solução: “Irrita-me que toda a gente ponha defeitos no Aeroporto de Beja e ninguém gaste um bocadinho de energia a pensar em ideias para aproveitar uma infra-estrutura que até foi feita de uma forma equilibrada e não muito cara e que é valiosíssima para toda a região do Alentejo”, até porque “todos nós teríamos muito a ganhar se tivéssemos um país desenvolvido equilibradamente”.

Em declarações à imprensa, Jorge Rebelo de Almeida acrescentaria que o turismo teria a ganhar com este desenvolvimento equilibrado de todo o país, pois seria uma forma de Portugal, enquanto destino turístico, ter novas centralidades para oferecer a quem o visita, ao mesmo tempo que as próprias regiões seriam beneficiadas em termos económicos. Exemplificou com o caso do Alentejo, afirmando que “o espaço de crescimento do Alentejo no turismo é ainda muito grande”.

“Conseguir este comboio, pôr esta linha a funcionar foi uma tarefa de gente teimosa como nós somos, perseverantes e que acreditamos que fazemos coisas que são úteis e interessantes”, disse o presidente da Vila Galé que nos agradecimentos não se esqueceu da sua equipa, pela organização da iniciativa, da Entidade Regional de Turismo do Alentejo pelo apoio prestado, e da CP e Infra-estruturas de Portugal que “deram também uma ajuda a montar esta acção”.

*Leia a reportagem na próxima edição da revista Turisver