Mário Candeias: “o turismo tem a oportunidade de ser a segunda maior indústria do Irão”

Mário Candeias, director-geral do Hotel Espinas Palace em Teerão, faz parte do pequeno grupo de portugueses a residir e trabalhar no Irão. O profissional da indústria hoteleira afirma que “o turismo tem a oportunidade de ser a segunda maior indústria do Irão, depois do petróleo”.

“O potencial é imenso”, atesta o director-geral do segundo maior hotel da capital iraniana. “Teerão é uma cidade de passagem, onde se aterra, passa uma noite e se continua para outras cidades”, com oportunidade de potenciar o turismo em outros pontos do país. Cerca de dois terços dos estrangeiros que passam por Teerão fazem-no na vertente corporate e por isso a unidade hoteleira de 5 estrelas está virada para o Oriente, nomeadamente para o mercado chinês, indiano, sul coreano e japonês, também muito devido à “imprevisibilidade política no Ocidente, com decisões recentes que afectam o Médio Oriente”.

Esta é a primeira experiência a trabalhar no estrangeiro para Mário Candeias, que desenhou o seu percurso em grupos hoteleiros como Tivoli Group e, nos últimos cinco anos, no Pestana Hotel Group, onde esteve a coordenar os quatro hotéis de luxo do grupo, nomeadamente o Pestana Palace, Pousada de Cascais, Pousada do Freixo e Pestana Porto. Os investidores do Espinas Palace, um negócio familiar, procuravam um gestor internacional para desenvolver a marca. Proposta que Mário Candeias acabou por aceitar em detrimento de uma outra no Qatar, “porque aqui o oxigénio é maior”.

O grupo detém no momento três hotéis, com praticamente 1.000 quartos, concretamente dois 5 estrelas em Teerão e um 4 estrelas no Cáspio, com a perspectiva de abrir duas novas unidades hoteleiras em 2018 e 2019, também no Irão. “A grande auto-estrada neste momento está aqui, porque existem hotéis mas não são ‘branded’ e a gestão ainda não é optimizada”. O objectivo da aposta no Irão é desenvolver a marca mais agressivamente, através de contractos de gestão.

Para este desenvolvimento é preciso apresentar o Espinas Palace como um ‘show case’, uma montra para o que se seguirá. O hotel dispõe de 400 quartos, 12 salas de conferências e três restaurantes. Como projectos a abrir num futuro próximo tem uma sala de espectáculos com capacidade para 3.000 pessoas e o Sky Lounge Fusion Restaurant, um restaurante de fusão e diplomatic club localizado no 21º andar do hotel, com acesso directo desde o heliporto, a abrir no próximo mês e meio.