Moçambique condiciona concessão do visto de fronteira

O presidente da Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria (FEMOTUR), Quessanias Matsombe, acusa o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) de Moçambique de condicionar a concessão do visto de fronteira, facto que está a lesar o sector.

Em declarações à Lusa, Quessanias Matsombe refere que é uma situação que viola o espírito do compromisso assumido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e pelo Governo, no sentido de remover os obstáculos ao turismo no país, tal como referido em encontros com os operadores do ramo.

“Estamos surpreendidos e desiludidos com essa situação, pois temos defendido que os condicionalismos na obtenção do visto são um estrangulamento ao desenvolvimento do turismo e da restauração no país”, afirmou.

A prática nos países que apostam no desenvolvimento do turismo, prosseguiu, é a atribuição automática do visto de fronteira a quem apresente uma reserva num hotel e um bilhete de viagem de ida e volta. “Manter obstáculos na concessão do visto é prejudicar toda a cadeia que faz parte do turismo e a economia do país, devido ao peso que este sector tem”, assinalou.

Contrariando o entendimento dos operadores turísticos e da restauração em Moçambique, os serviços de migração defendem que a concessão de visto à chegada para estrangeiros de regiões onde o país tem representação diplomática, deve depender da explicação dada para o facto de não o terem pedido na origem.

A porta-voz do SENAMI, Cira Fernandes, afirmou à Lusa que a exigência de uma fundamentação para a emissão do visto de fronteira é uma medida necessária à segurança do país, pois impede a entrada de estrangeiros que possam representar um perigo. “Não está abolido o visto de fronteira para estrangeiros de países onde Moçambique tem representação diplomática ou consular, o que se exige é uma fundamentação para a preferência pelo visto de fronteira”, declarou.