Na apresentação da candidatura à APAVT: Miguel Quintas deixou críticas à actual direcção

Na apresentação da sua candidatura à presidência da APAVT, esta terça-feira em Lisboa, Miguel Quintas teceu duras críticas à actual direcção da Associação, tanto no que se refere à forma como foram tratados vários dossiers, caso do BSP, das comissões das companhias aéreas e do Fundo de Garantia, como por em muitas das decisões que considerou tomadas de forma “leviana” se “preterirem os pequenos em nome dos grandes”.

“Nos últimos anos, temos sentido que a APAVT pertence aos grandes players deste sector e não a quem realmente faz da APAVT grande, as PMEs” que, segundo afirmou, “representam mais de 90% do tecido associativo da APAVT” e “são aquelas que têm sido mais prejudicadas”, nomeadamente através de “decisões tomadas de forma leviana”. Exemplifica com “a redução dos prazos de pagamento do BSP de mensal para semanal”, medida com a qual “foram quase 40 milhões de euros de capacidade financeira perdida pelas nossas agências de viagens, em nome da leviandade e passividade de uma APAVT que ratifica tais decisões”. Na questão do BSP foi ainda mais longe ao afirmar que a decisão tomada pela Associação “matou muitas pequenas e médias agências, nomeadamente ao que diz respeito à actividade do corporate”.

Ainda em tom de crítica, o candidato deixaria no ar várias perguntas: “Que capacidade terá esta APAVT para renegociar o BSP / IATA quando no passado recente ratificou a redução dos prazos de pagamento”; “Que capacidade terá esta APAVT de negociar com as companhias aéreas quando no passado recente ratificou a descida das comissões?”; “Que capacidade terá esta APAVT de negociar com as companhias aéreas quando não toma uma posição pública quando ao NDC?”, ou ainda, “Que capacidade tem esta APAVT de distinguir entre os grandes e as PMEs quando ratifica que as próprias PMEs devem contribuir exactamente com o mesmo instrumento financeiro dos grandes para um Fundo de Garantia Comum”. Questionaria ainda “porque são sempre os pequenos os preteridos em nome dos grandes?”.

É a pensar nos tais 90% de associados cujas empresas são pequenas e médias que será gizado o programa de candidatura de Miguel Quintas que no entanto frisou que a sua candidatura “é independente” e “não é uma candidatura contra ninguém” porque, tal como o slogan da sua campanha, que será também o da sua candidatura, “A APAVT é de todos”.

Para o ser realmente, “a APAVT tem que se renovar” – uma necessidade que, frisou, foi já reconhecida pelo actual presidente da APAVT, numa declaração que citou: “Não será surpresa para ninguém se depois deste mandato vier outro presidente para a APAVT. Eu veria essa situação como normal, quiçá desejável, pela necessidade de mudança”. Uma mudança que o candidato afirma ser urgente e que promete protagonizar se vier a ser eleito porque, frisou, trata-se de um trabalho que “tem que ser entregue a quem luta pelos interesses de todos os agentes de viagens, sem excepção”. Também por via da declaração do actual presidente que citou na sua intervenção, Miguel Quintas, em resposta a uma pergunta dos jornalistas, manifestou-se “bastante” [surpreendido] com o anúncio da recandidatura de Pedro Costa Ferreira.