Turismo não é moda passageira e não é demais, afirma António Costa

O primeiro-ministro foi, no sábado, à inauguração do Vila Galé Sintra, afirmar que “não há turismo a mais”, que esta actividade económica tem um “enorme potencial de crescimento” e que a ideia de que o turismo é uma moda passageira é perigosa e tem que ser combatida. Pelo meio, elogiou o investimento da Vila Galé e o trabalho dos hoteleiros e voltou a falar do aeroporto.

“O turismo é um sector essencial para a dinâmica da vida económica do nosso país” não apenas pela riqueza que produz, pelo peso das exportações o pelo emprego que cria mas “por toda a capacidade que tem de mobilizar a nossa economia a montante e a jusante”, afirmou o primeiro-ministro na inauguração da Vila Galé Sintra. Por isso, disse, há “duas ideias muito perigosas” que têm que ser combatidas, sendo a primeira a ideia de que há turismo a mais.

“Não há turismo a mais”, afirmou, acrescentando: “o turismo existe e tem ainda um enorme potencial de crescimento. Não é, seguramente, por acaso que, nos últimos dois, anos abriram 112 novos hotéis e este ano se prevê a abertura de mais 61 novos hotéis”. Face a isto reforçaria, referindo-se aos grandes centros urbanos e aos seus bairros históricos, que “não há turismo a mais” e que “a resposta não é proibir o turismo, é diversificar a oferta”, criando novos pólos de atractividade para que esses centros possam manter a sua autenticidade e genuinidade.

À ideia do excesso de turismo, António Costa contrapõe o potencial que o país tem de diversificar a oferta, um desafio que Portugal tem que ganhar. “É este desafio que temos que ganhar porque temos que vencer a imagem – que ainda muitas vezes existe – de que somos um país de sol e mar, pois hoje temos que ter um país que tem uma oferta de 365 dias por ano”, ou seja, um país que oferece natureza, turismo urbano e rural, congressos e eventos e saúde.

A segunda “ideia perigosa” que apontou foi a de que “o turismo é uma moda passageira, que estamos hoje a ter benefícios colaterais por problemas alheios”. Reforçando que o crescimento turístico a que Portugal está a assistir “não resultou de um milagre dos últimos dois anos” mas de “um trabalho muito profundo que foi feito”, da mesma forma que os números do turismo português não resultam de “benefícios colaterais por problemas alheios”, até porque “o turismo que mais tem crescido em Portugal não é o turismo alternativo às praias que deixaram de ser utilizadas no Médio Oriente. O que mais tem crescido tem sido o turismo de cidade, o turismo de natureza, que não é beneficiário da insegurança no resto do mundo. Tem crescido, mas por mérito próprio”, acentuou.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro fez também referência ao Aeroporto de Lisboa para destacar que hoje “há um novo consenso nacional” de arrependimento por “não se ter feito a tempo e horas” um novo aeroporto internacional para a capital porque “já estamos numa luta contra o relógio para tentar recuperar, que é a capacidade de o país ter um novo aeroporto internacional com capacidade de dar resposta àquilo que é a oferta do turismo”.

*Reportagem completa na próxima edição da revista Turisver