Operadores querem Linha do Douro modernizada

No dia em que se completam 15 anos sobre a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Humanidade, três operadores marítimo-turísticos do segmento de cruzeiros diários no rio Douro (Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro) fazem um apelo público à modernização da linha ferroviária do Douro, como forma de valorizar este Património Mundial.

Na base deste apelo público está o facto de, a 19 de Agosto último, estes operadores terem sido obrigados a trocar o comboio pelo autocarro como meio complementar de transporte “por manifesto mau serviço da CP na Linha do Douro” entendem ser esta a altura própria para lançar um apelo público em defesa daquele corredor ferroviário estruturante para a mobilidade das populações e o engrandecimento da marca turística Douro. Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro, entendem “ser esta a altura própria para lançar um apelo público em defesa daquele corredor ferroviário estruturante para a mobilidade das populações e o engrandecimento da marca turística Douro”

No comunicado enviado à nossa redacção, assinada pelos três operadores, é defendida a criação de uma “plataforma cívica”, aberta a todos, que se bata pela modernização e sustentabilidade da Linha do Douro.

As empresas exigem a rápida conclusão da electrificação da Linha do Douro que, afirmam, “não pode ser uma fotocópia a baixa velocidade da construção do Túnel do Marão”. Após múltiplas reuniões com a CP e as Infra-estruturas de Portugal, e apesar “das palavras mais ou menos bem-intencionadas que temos ouvido e se têm escutado no espaço público, o que é facto é a electrificação do troço entre Caíde e o Marco de Canaveses está com um ano de atraso relativamente ao cronograma oficial e ainda nada se sabe quanto ao projecto a concretizar no troço entre o Marco e a Régua – que por este andar só estará concluído para lá do término do Portugal 2020, quando o “Plano de 2 investimentos em infra-estruturas Ferrovia 2020”, anunciado em Fevereiro passado, prevê que isso aconteça ainda em 2019”, lê-se no comunicado.

Para os referidos operadores, “o reconhecimento internacional do património paisagístico duriense e as marcas positivas que a decisão da UNESCO deixou no território e na economia regional são fortes motivos para que hoje se volte a fazer justiça ao Douro”. Para isso e para não cavar mais as assimetrias regionais, bastará, afirmam “que o comboio da Linha do Douro volte aos carris do progresso, a servir as populações e a responder satisfatoriamente às dinâmicas económicas que a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial tornou possível”.

“Modernizar e dar futuro à Linha do Douro é a melhor forma de, 15 anos depois, preservar e valorizar um Património Mundial – que é de todos e continua a oferecer ao Douro e a Portugal um enorme potencial paisagístico, ambiental e cultural com relevante valor económico”, assumem.

O apelo dos três operadores é feito “a autarcas e comunidades intermunicipais, deputados à Assembleia da República eleitos pelos distritos da Guarda, Porto, Vila Real e Viseu, organismos descentralizados da Administração Pública, instituições do Sistema Científico e Tecnológico, agentes culturais, movimento associativo, empresas e sociedade civil em geral”.