Opinião: A evolução (natural): do Travel BI ao eXtended – Travel BI, por João Pronto*

Neste artigo de opinião João Pronto faz uma avaliação tecnológica e operacional do portal Travel BI, tecendo várias considerações que têm como objectivo optimizar os resultados da sua utilização por parte do tecido empresarial e da comunidade científica.

 

A evolução (natural): do Travel BI ao eXtended 

A recente colocação online, por intermédio do Turismo de Portugal, do portal http://travelbi.turismodeportugal.pt/ veio apresentar um novo estádio no conhecimento turístico nacional, e que tem sido análise de comentários por diversos analistas do trade, entre os quais, Atilio Forte, aqui também na Turisver [fusion_builder_container hundred_percent=”yes” overflow=”visible”][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=”1_1″ background_position=”left top” background_color=”” border_size=”” border_color=”” border_style=”solid” spacing=”yes” background_image=”” background_repeat=”no-repeat” padding=”” margin_top=”0px” margin_bottom=”0px” class=”” id=”” animation_type=”” animation_speed=”0.3″ animation_direction=”left” hide_on_mobile=”no” center_content=”no” min_height=”none”][5 Maio16], tecendo avalizadas considerações, essencialmente de natureza operacional e política, no que a esta “nova fonte de conhecimento” concerne.

A minha análise tem que ver, fundamentalmente, com a avaliação tecnológica e operacional, deixando para os entendidos, a componente política. Apresento, portanto, um conjunto de considerações tecnológicas com o intuito de se otimizar o conceito Travel BI, por forma a que o nosso tecido empresarial e a comunidade científica consigam obter ainda mais e melhores resultados operacionais e científicos.

Relativamente à componente tecnológica, comecemos pelo conceito inerente a “Travel BI”: podemos descrever “Business Intelligence (BI) aplicado ao setor turístico” como um conjunto de sistemas (informáticos) que potenciam os gestores turísticos, na quantidade e qualidade da tomada de decisão, suportada em dados (indicadores) que lhes são apresentados de forma (mais ou menos) automática. Sobre esta perspetiva, digamos, mais ligeira, este portal serve perfeitamente os propósitos, nos quais, dos gestores turísticos aos estudantes, professores e investigadores do fenómeno turístico, têm finalmente acesso online a uma panóplia muito importante de indicadores turísticos.

Tenho estudado e aconselhado os meus alunos finalistas e de Mestrado, para que dediquem o seu tempo de estudo a este novo portal de conhecimento.

No entanto, na sociedade atual, o conceito de BI está intrinsecamente ligado ao conhecimento em tempo real, gerado pelos negócios, com base nos estudos dos comportamentos de: clientes (vendas, margens de lucro geradas, “booking window”, inquéritos, partilhas em redes sociais, ocorrências e reclamações, …), fornecedores (compras, tempos de entrega, resolução de ocorrências, tempos e tipologias de pagamento, posicionamento em rankings de segurança informática, …) parceiros em geral (indicadores de parcerias, posicionamento em rankings de segurança informática, …), concorrência percebida (evolução das vendas e dos preços online e off-line, avaliação dos comentários nas redes sociais, posicionamento em rankings de segurança informática, …) colaboradores (produtividade, qualidade do serviço, …) e não apenas na avaliação dos dados obtidos por sondagens realizadas pelo Turismo de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística!

Por muito fiáveis que sejam, os dados apresentados no novo portal Travel BI, representam apenas uma pequena componente visível do iceberg do Big Data gerado constantemente pelos negócios turísticos… teremos necessariamente que evoluir no sentido de se oferecer aos diferentes players supra citados, um conjunto de dados frescos[1] gerados pelo negócio turístico e não apenas por inquéritos e sondagens, por mais oficiais que sejam, dado que existe sempre lugar para um “mas”… e nesta componente do “mas”, somos (portugueses) no mínimo mestres…

Este é, portanto, um importante passo dado pelo Turismo de Portugal, muito relevante para os investigadores e para a comunidade académica em geral, mas insuficiente para os gestores turísticos quem têm que tomar decisões, cada vez mais, em tempo real, e com dados tão próximos da realidade quanto possível.

É aqui que ainda há um enorme passo a dar… a obtenção de dados através, por exemplo, de um upgrade à interface (em XML) que é enviada todas as noites para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – SEF, incluindo também a quantidade de quartos vendidos a cidadãos nacionais, para a noite em questão, indicando simplesmente quantos quartos é que foram vendidos, distribuídos pelas diferentes nacionalidades; assim ficávamos a saber, em tempo real, (na realidade até à noite anterior) a evolução das dormidas e eventualmente dos preços praticados, em todas as tipologias (nacionalidades) de hóspedes, obtendo-se assim informação “fresca e atualizada” sobre a evolução do nosso turismo, não descurando o segmento do turismo interno, demasiadas vezes negligenciado.

Tecnologicamente trata-se de adaptar algumas interfaces que existem no setor turístico.

Importa referir que a AHP também disponibiliza online um portal semelhante http://www.ahp-monitor.pt/, relativo ao sector Hoteleiro, e que será oportunamente aqui comentado.

A hotelaria nacional tem em funcionamento, entre outras, as interfaces para o SEF e para a Autoridade Tributária – AT, que me parecem ser as mais promissoras; os agentes de viagens nacionais, também têm uma interface que reporta semanalmente à IATA todos os voos regulares, e outra para a AT; as Companhias Aéreas que operam em Portugal, podem configurar uma Interface, numa base diária ou semanal (que seja), paralelamente à Interface a enviar à AT; A restauração também apresenta uma interface para a AT.

Adaptando-se, por setor, estas interfaces, conseguiremos monitorizar, (quase) em tempo real, os fluxos turísticos que entram, saem e que circulam internamente.

A tecnologia é mais do que sobejamente conhecida e é designada por Interfaces em XML.

No quotidiano das empresas turísticas nacionais e internacionais, é uma tecnologia muito utilizada, permitindo às empresas (re)agir em tempo real, ou como escreveu Bill Gates, noutro contexto[2], mas aplicando-se fielmente: teremos negócios turísticos à velocidade do pensamento!

Tendo Portugal excelentes empresas tecnológicas, que aplicam o seu knowhow interna e externamente, e tendo nós a dimensão que temos, podemos ser perfeitamente pioneiros e inovadores neste (como noutros sectores) e apresentar um modesto, mas importante contributo ao sector turístico nacional e global.

Implementemos então eXtended Travel BI, para que as nossas empresas turísticas e a comunidade académica que estuda o setor, decidam e investiguem com mais e melhores indicadores quantitativos, e, porque não, qualitativos!

O que nos falta então para obtermos este nível de qualidade de dados, informação, conhecimento e saber? A resposta é evidente: O envolvimento ativo do tecido empresarial e das respetivas associações e, last but not the least, de uma entidade que congregue todos estes dados e os disponibilize, de preferência em tempo real.

Obteremos então o eXtended Travel BI. O Business Intelligence ao dispor do Setor Turístico.

 

[1] Entende-se, neste contexto, por dados frescos, aos dados que provêm diretamente da(s) base de dados de produção.

[2] Negócios @ velocidade do pensamento, 1999, ISBN: 9789727591442

 

*João Pronto

Professor Adjunto da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril

Professor Convidado da Católica Porto Business School

Consultor de IT em Empresas Turísticas.

 

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