Opinião: Impõe-se uma reflexão sobre os números recordes do Turismo, por Alexandra Henriques*

Neste artigo, Alexandra Henriques, directora de Marketing da TQ Travel Quality analisa os dados do turismo fazendo uma reflexão sobre a estratégia a seguir no futuro em áreas como as agências de viagens, a captação de eventos, a importância dos grupos e incentivos e de Lisboa ter ou não um novo centro de congressos de grande dimensão.

 

Já todos conhecemos os números recordes que o Turismo nacional alcançou em 2016. Foi, de facto, um ano extremamente positivo para o setor, que tem vindo a consolidar o seu peso na economia portuguesa.

Portugal recebeu no ano passado 19,1 milhões de hóspedes e registou 53,5 milhões de dormidas, o que representa aumentos de mais de 9% em cada indicador, segundo os dados do INE. Em receitas turísticas o País ultrapassou os 12.600M€, de acordo com o Banco de Portugal.

Não podemos esquecer que estes números são reveladores não só do excelente dinamismo e do mercado mas também do trabalho e do empenho dos vários players do setor. Agora, importa analisar estes dados e refletir sobre se efetivamente as empresas já recuperaram dos anos de crise e se já conseguem “respirar de alívio”. Importa ainda, e acima de tudo, refletir sobre a estratégia a seguir no futuro.

No caso das agências de viagens, os últimos anos foram de viragem mas também de um esforço de reorientação. Estamos perante vários operadores, com um mercado muito competitivo e por isso impõe-se uma definição clara de posicionamento. A aposta deve ser o lazer, corporate ou ambos? No primeiro, o desafio é constante, o perfil do consumidor alterou-se radicalmente e as empresas viram-se obrigadas a adaptar-se, a serem mais flexíveis e a investirem em novos formatos de comunicação. No corporate, o trabalho é diferente mas não menos exigente. As empresas estão em recuperação, é certo, e já perceberam as mais-valias de terem um parceiro estratégico para organizar as suas viagens.

Voltando ao bom momento que o Turismo atravessa importa também refletir sobre a captação de eventos para Portugal. É de elogiar o trabalho do atual Governo de relançamento do Fundo de Captação de Eventos Corporativos e Congressos Internacionais e a criação de uma equipa especializada para a captação destes eventos e que, de acordo com a Secretária de Estado do Turismo, já conseguiu para 2017 a confirmação de 47 eventos.

Esta estratégia reforça, sem dúvida, a importância dos grupos e incentivos para o mercado português, reafirma Portugal como um destino de excelência para a realização de congressos e eventos, não só pelas infraestruturas, pela segurança, pelo clima e ainda pela diversidade cultural e gastronómica do País.

Tendo em conta esta estratégia, voltamos a um tema que continua na ordem do dia e que tem que ver com a importância ou não de Lisboa ter um novo centro de congressos, com uma dimensão que concorra com outros países da Europa. Fará sentido investir nesse novo espaço? Este tema voltará a discussão ou ficará esquecido?

 

*Alexandra Henriques

Diretora de Marketing da TQ Travel Quality