Opinião: Miradouro, por Gilberto Vieira*

Gilberto Vieira, proprietário da Quinta do Martelo, unidade de turismo rural nas proximidades de Angra do Heroísmo (Ilha Terceira, Açores), fundador e impulsionador da Associação de Turismo em Espaço Rural “Casas Açorianas”, está definitivamente ligado ao desenvolvimento deste produto em terras açorianas. É de turismo em espaço rural e dos Açores que nos irá falar ao longo de uma série de artigos que começamos hoje a publicar.

Preâmbulo

Neste primeiro contacto com os leitores do Turisver, agradeço o convite que me foi endereçado para convosco partilhar semanalmente algumas ideias, o que farei com muito gosto, dentro da minha modesta capacidade e disponibilidade.

Em jeito de apresentação, digo-vos que sou uma pessoa que tem uma paixão especial pelo turismo rural e de natureza, o que me levou, há quase três décadas, a apostar numa unidade desta tipologia de oferta turística – a primeira nos Açores –, criando paulatinamente, uma oferta de restauração tradicional, de alojamento e de envolvências que retratam o mais fidedignamente possível as ambiências e modos de vida dos nossos antepassados.

Sou também Presidente da Associação de Turismo em Espaço Rural “Casas Açorianas” que congrega cerca de meia centena de unidades que se dedicam ao turismo rural e de natureza na Região. A minha Unidade é associada da Associação de Turismo dos Açores – ATA.

Quero deixar claro, desde já, que os meus pobres escritos – essencialmente, sobre turismo nos Açores e, particularmente, sobre o segmento do turismo rural, mas também abrangendo, eventualmente, outras áreas –, serão sempre a título individual, não comprometendo nessas opiniões mais ninguém nem mais nenhuma instituição a que esteja ligado.

Posto isto, gostaria de vos dar uma visão global da importância do turismo rural e de natureza no fenómeno turístico atual no nosso arquipélago, segmento que foi eleito – e bem –, pelas entidades responsáveis pela promoção do destino Açores, como âncora de toda uma estratégia que visa afirmar os Açores como destino peculiar.

É, de facto, na singularidade das nossas paisagens e nas vivências do mundo rural açoriano que encontramos o que nos distingue, numa época em que o turismo massificado e impessoal já começa a dar sinais de quebra e se encontram, cada vez mais, viajantes que procuram algo verdadeiramente distinto. Estes fatores, alicerçados também na afabilidade do nosso povo, na nossa cultura, no sossego e na segurança, potenciam a realidade que hoje já é esta atividade na Região e dão boas perspetivas de consolidação e desenvolvimento futuro.

Foi um longo caminho de divulgação, ainda não está acabado, obviamente, que possibilitou que, a par de outras conjunturas, como o novo modelo de transporte aéreo, tenhamos hoje uma procura crescente, tanto na hotelaria convencional como em outros nichos de alojamento e restauração, incluindo novas tipologias recentes entre nós, como os hostels ou o alojamento local.

Voltando ao caso específico do turismo rural e de natureza, tem registado uma crescente procura, por parte de turistas nacionais e estrangeiros, de vários escalões etários e de formações diversas, o que indica a sua abrangência no interesse que desperta, sendo usual encontrar nos nossos alojamentos famílias inteiras, jovens casais ou pessoas isoladas que buscam um espaço de introspeção e usufruto de tranquilidade.

A par desse crescimento na oferta já instalada, surgem pedidos de licenciamento de novas unidades, sinal evidente da pujança deste segmento, que já ultrapassou os 12% de toda a oferta de alojamento na Região.

Não me canso de referir que o atual estado do turismo rural e de natureza nos Açores é um bom sinal, mas traz também responsabilidades acrescidas, nomeadamente no que à manutenção das caraterísticas que oferecemos diz respeito, sob pena de deitarmos a perder tudo o que até hoje se conquistou, em que nossa autenticidade tem papel preponderante.

Para sugestões ou reparos, aqui fica o meu endereço electrónico: quintadodomartelo@quintadomartelo.com

 

*Proprietário da Quinta do Martelo

Presidente da “Casas Açorianas” – Associação de Turismo Rural