Opinião: “A Realidade Virtual e o Turismo”, por João Pronto*

Neste texto, João Pronto fala de realidade virtual e do modo como esta pode ter aplicação na actividade turística, nomeadamente ao nível da promoção dos destinos e das empresas.

Vamos começar, como não podia deixar de ser, pelo que se entende comummente como Realidade Virtual:

Realidade Virtual – Integração, em ambiente tridimensional, através de dispositivos multissensoriais, como os óculos de realidade virtual, ou quaisquer outros dispositivos que forneçam ao nosso cérebro os estímulos multissensoriais acima referenciados.

 

 

Em 1990, o filme Total Recall, explorou este mito urbano, na altura, em que a tecnologia iria permitir no longínquo ano de 2084 experienciar algo virtualmente, fornecendo às pessoas que tinham vivido a experiência virtual, a noção de terem efetivamente, no mundo real, vivido algo que foi “apenas” virtual. Claro que um percurso turístico a Marte foi apresentado com os devidos requintes virtuais, para a época, quanto à trama do filme, não é para este artigo relevante.

A componente relevante é que os “óculos de realidade virtual” já estão suficientemente massificados, primeiro, como quase sempre, na indústria dos jogos, e dos jogos para outro tipo de lazer, o Turismo, é um pequenino passo.

Os destinos turísticos, antigamente, promoviam-se através de brochuras em revistas e jornais, em placards publicitários, mais tarde em pequenos filmes publicitários nas televisões, mais recentemente em pequenas imagens mais ou menos animadas, colocadas estrategicamente em websites, ultimamente temos vindo a observar a proliferação de pequenos vídeos promocionais inseridos algures na Internet, e, com o surgimento da Internet das Coisas, qualquer dispositivo que aceda à Internet pode ser “alvo” de apresentações publicitárias, com imagens estáticas ou em movimento, com som, e eventualmente com conteúdos multimédia.

Se pesquisarmos um pouco na Internet, presenciamos promoções de destinos turísticos e de empresas turísticas, que recorrem a tecnologias mais elaboradas, como o caso da Realidade Aumentada, que já abordámos recentemente aqui na Turisver.com, mas começam a surgir relatos de promoções turísticas e empresariais que recorrem a tecnologias ainda mais avançadas, como a Realidade Virtual.

Os promotores alegam que a Realidade Virtual aumenta o desejo dos potenciais turistas consumirem os serviços e os produtos apresentados através de sofisticadas plataformas de Realidade Virtual. Os contestatários referem que não se deve mostrar demasiadamente o destino pois tira o desejo da descoberta.

Não vou tirar partido de qualquer uma das partes, vou antes descrever algumas das minhas principais referencias de estudo, no que a esta componente da Realidade Virtual diz respeito:

Companhia Aérea Etihad – https://youtu.be/2NxhilMIvzE

Hotéis Marriott – https://travel-brilliantly.marriott.com/our-innovations/oculus-get-teleported

Cruzeiros Azamara – http://www.azamara3di.com/

Turismo da Austrália – http://www.multivu.com/players/English/7742051-tourism-australia

Ilha Hamilton – https://youtu.be/lJype_TafRk

Coastiality – NEU Europa-Park –  https://youtu.be/vm9q9R-46FU

Pela pequena amostra podemos facilmente verificar que já existem experiências em Realidade Virtual, ou inspiradas no principio da Realidade Virtual, um pouco por todo o tipo de organismos e de empresas turísticas.

A razão pela qual adicionei “inspiradas no principio da Realidade Virtual” tem que ver com uma abordagem mais dogmática, na qual se entende que os filmes em 360˚ não são exatamente experiências em Realidade Virtual, sendo que algumas das promoções acima referenciadas utilizam os princípios dos filmes em 360˚, todavia, o meu objetivo em partilhá-los tem que ver com o principio genérico do inicio da generalização da produção de conteúdos turísticos alicerçados nos fundamentos da Realidade Virtual.

Como constatámos acima, esta tecnologia está a ser utilizada literalmente nos quatro cantos do nosso mundo turístico, é claramente uma tecnologia muito Real!

*João Pronto
Professor Adjunto da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Professor Convidado da Católica Porto Business School
Consultor de IT em Empresas Turísticas