Presidente da APAVT defende que redução da oferta pode ser positiva para as agências

O presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, considera que a redução da oferta disponível para este ano até pode ser positiva para as agências de viagens, afirmando que “quando há muita alternativa, quem tem que escolher tem mais stress do que quando há pouca alternativa”. Pedro Costa Ferreira deu o exemplo de um supermercado, afirmando que quando estão várias compotas em prova as vendas são mais baixas do que quando existem menos hipóteses de escolha disponíveis. “Isto são estudos que estão feitos, são experiências em psicologia aplicada que foram feitas para vários produtos e a resposta é sempre a mesma: quando há muita alternativa, quem tem que escolher tem mais stress do que quando há pouca alternativa, mais insegurança do que quando há pouca alternativa e a probabilidade de fazer uma má escolha aumenta”, afirmou Pedro Costa Ferreira, durante a sua intervenção na apresentação da programação de Verão da Soltrópico, que decorreu no último fim-de-semana, em Viseu. De acordo com o responsável, também a internet deve ser encarada pelos agentes de viagens como uma oportunidade, uma vez que devido ao excesso de oferta que se encontra online, os consumidores têm maiores dificuldades, acabando por recorrer aos serviços das agências de viagens. “É por isso que nesta época de internet, que, no fundo, é o paradoxo das escolhas diárias dos consumidores, cada vez que entramos na internet olhamos para cinco mil destinos turísticos e não sabemos qual escolher. Acho que é uma oportunidade fantástica, numa era fantástica, para os agentes de viagens”, considerou. Pedro Costa Ferreira acrescentou ainda que, se um cliente vai a uma agência de viagens depois de ter pesquisado online, “é porque não conseguiu resolver o problema e, se o agente de viagens souber valorizar esta situação, vai conseguir resolver o paradoxo das escolhas”, considerou. O presidente da APAVT considerou que também o turismo interno representa uma oportunidade, uma vez que, apesar de ter um market share inferior para as agências de viagens, é também uma “oportunidade pouco explorada”, acabando por ser uma “reserva mais fácil”. “Passamos também muito tempo a falar da extraordinária importância do mercado alemão, inglês e francês mas o mercado português é mais importante que os vários mercados emissores externos juntos”, afirmou. A concluir a sua intervenção, Pedro Costa Ferreira apelou ainda ao trabalho conjunto, considerando que “os tempos são de oportunidades mas não são de facilidades” e deu como exemplo os operadores turísticos que se juntaram para contratar programação de risco. “Para os agentes de viagens, é muito importante a presença de operadores que tomem risco e que sejam credíveis, a tomada de risco num mercado pequenino é a criação de produto, se não houvesse quem tivesse tomado o risco no mercado português não tínhamos operações para as Caraíbas, não tínhamos tido a explosão para o Brasil, nem para Cabo Verde”, referiu. I.M.