Queda do mercado britânico preocupa Governo

A queda sucessiva do mercado britânico para Portugal está a preocupar o Governo, admite a secretária de Estado do Turismo, que anunciou estarem em curso campanhas de promoção direccionadas para esse mercado, junto de operadores e companhias aéreas.

Ana Mendes Godinho, que falava aos jornalistas esta sexta-feira, à margem da apresentação, em Lisboa, da campanha “Portugal. The Summer” referiu que a aposta na diversificação de mercados como os EUA, Canadá, Brasil, Itália e China, que estão a crescer “fruto muito da grande aposta que temos feito nas acessibilidades aéreas”, têm compensado as decidas do mercado do Reino Unido, mas ressalvou que o assunto “preocupa, porque é um dos principais mercados”, para o nosso país.

Refira-se que o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, esta sexta-feira, que o mercado britânico, com 22,7% do total das dormidas de não residentes em Maio, recuou 9,0%, tendo nos primeiros cinco meses do ano apresentado uma diminuição de 7,4%.

A governante referiu que o facto deve-se, por um lado à recuperação de destinos concorrentes de sol e praia, nomeadamente Turquia, Egipto e Tunísia, e por outro, à falência de algumas companhias aéreas como a Nikki, a Monarch e a Air Berlim, cujas capacidades em relação ao Reino Unido, ainda não foram totalmente repostas, designadamente para o Algarve e a Madeira.

Na quinta-feira, sobre o Reino Unido, a propósito das estimativas para o Verão, também a presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, admitiu que tem estado a acompanhar este mercado “com particular atenção”, até porque “em termos de dimensão é o nosso primeiro mercado emissor, com uma quota de 22,3%, mais ainda no Algarve e na Madeira, onde representa 40,3% e 28,4%, respectivamente”.

Entretanto, ao comentar os resultados da actividade turística divulgados esta sexta-feira pelo INE, a secretária de Estado do Turismo realçou o facto das receitas turísticas estarem a crescer três vezes mais do que o número de turistas, situação reveladora de que Portugal está a conseguir posicionar-se face a outros destinos.

“Continuamos com um crescimento dos proveitos turísticos de cerca de 9,5% [em maio], sentimos que há cada vez mais concorrência dos outros mercados, mas a verdade é que estamos a conseguir crescer em valor. Tivemos um crescimento acumulado de cerca de 3,5% de turistas este ano, mas os proveitos turísticos a crescerem três vezes mais, apesar dos óptimos resultados que já tínhamos tido o ano passado”, afirmou, tendo dado como exemplo Espanha que mesmo em termos de crescimento de receitas turísticas estagnou, para lembrar ainda que “o nosso objectivo é que esse crescimento seja feito de uma forma consolidada, sustentada, alargando a todo o território”.