Reino Unido assegura que Brexit não vai beliscar sector da aviação

Manter o livre acesso ao mercado europeu único da aviação será uma prioridade nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, anunciaram em comunicado, o governo e as companhias aéreas britânicas.

O denominado ministro para o Brexit, David Davis, o ministro dos Transportes Chris Grayling, e a Airlines UK, organização que agrupa as companhias aéreas do país indicaram que estão a trabalhar juntos para garantir que a aviação “continue a ser o sector mais bem sucedido para a economia do Reino Unido”, acrescendo que “o acesso ao mercado é uma prioridade e queremos garantir que temos um livre acesso aos mercados europeus da aviação”.

“Vamos trabalhar em estreita colaboração para explorar novas oportunidades de uma maior liberalização. O Brexit proporciona maior liberdade para procurar novos acordos entre o Reino Unido e países terceiros. Isto inclui olhar para possíveis acordos bilaterais para fortalecer ainda mais os laços económicos e culturais com os países como os Estados Unidos e Canadá”, admitiram os signatários.

Segundo o governo, o Reino Unido tem a maior rede de aviação na Europa, tendo movimentado o ano passado mais de 250 milhões de passageiros e mais de 2,3 milhões de toneladas de carga, enquanto estima-se que sector contribui com cerca de 20 mil milhões de libras (23.200 milhões de euros) para a economia do país.

A Primeira-ministro britânico, Theresa May, já indicou que irá activar antes do final de Março o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece um período de dois anos de negociações sobre as condições da retirada de um país da UE.De momento não se sabe se o Reino Unido poderá manter o acesso ao mercado único, uma vez que a sua saída da EU deverá acontecer na Primavera de 2019.

Os analistas não escondem o medo da situação das companhias aéreas no Reino Unido se o país se retirar do mercado único da aviação, como parte do Brexit. Até agora, as companhias aéreas não têm restrições comerciais para voar dentro do bloco europeu.

Conforme a turisver.com anunciou no início de Julho, a easyJet apresentou um pedido de certificado de operador aéreo (COA) noutro país da União Europeia, sem no entanto especificar qual, devido ao facto do Reino Unido ter decidido abandonar a UE, após os resultados do referendo que aprovou o Brexit.

A companhia low cost concentra a maior parte da sua actividade na Europa e transporta 70 milhões de passageiros anualmente. As empresas aéreas britânicas temem que a saída da UE as faça perder o acesso ao “céu aberto europeu”, regulado pelo bloco, em que todas as transportadoras aéreas dos países membros operam sob as mesmas condições.