São precisos 25M€ para reanimar turismo no Centro

“Para retomar a actividade turística” nos concelhos do Centro de Portugal afectados pelos incêndios do passado mês de Junho, “são precisos 25 milhões de euros”, afirmou Pedro Machado.

Apesar de não se terem registado grandes estragos nas infra-estruturas, entre as iniciativas previstas para relançar a actividade turística destacam-se obras de recuperação de unidades afectadas pelas chamas e uma campanha internacional de promoção da região, suportada por dinheiros do Fundo Europeu de Emergência.

Em declarações à Lusa, o presidente da Entidade Regional de Turismo onde se situam os concelhos devastados pelo incêndio, designadamente Castanheira de Pera, Penela, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Góis, Pampilhosa da Serra e Sertã, considerou que “a percepção de confiança dos turistas levou um rombo grave”. Por isso reconhece que o maior estrago feito pelas chamas aconteceu ao nível da confiança dos turistas, sobretudo portugueses. As reservas nas unidades hoteleiras tiveram um cancelamento de 15% nas semanas que se seguiram ao incêndio, na sua maioria de turistas portugueses. Já as reservas pelos estrangeiros não registaram cancelamentos, antes pelo contrário, tendo-se registado uma ligeira subida na procura.

A Turismo Centro tem trabalhado de perto com a ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto (que gere a rede das 27 aldeias do xisto distribuídas pelo interior da região Centro), com o Turismo de Portugal e com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) para avaliar a extensão dos estragos e elaborar um plano de recuperação, ao mesmo tempo que apelam que “este é o tempo para visitar o Centro de Portugal. Faça férias no coração do seu país”.

Segundo o levantamento feito pela Turismo Centro, pela CCDRC e pela ADXTUR, 40 das 200 unidades turísticas da região (num total de duas mil camas) foram atingidas pelas chamas, que, nestes casos, não fizeram vítimas e pouparam as estruturas principais, tendo provocado prejuízos em zonas de apoio, redes de comunicações, águas e saneamento.

Machado admitiu, no entanto, que a situação está a mudar aos poucos, registando-se de novo uma subida nas reservas, ao que não será alheio a campanha lançada para atrair turistas: “São campanhas de curto prazo em meios digitais e redes sociais”, explica, revelando que estão a ser promovidas “fam trips” (visitas de cortesia) à região de jornalistas, agentes de turismo e figuras públicas, estando em curso “parcerias editoriais” com algumas empresas do sector.

No entanto, algumas entidades do sector estão a escolher os concelhos afectados pelas chamas para realizar reuniões dos respectivos órgãos de direcção. É o caso da APAVT, conforme o turisver.com já deu conta, mas também da Confederação de Turismo de Portugal, que escolheu Pedrógão Grande para acolher em Setembro a reunião do corpo directivo; e da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, que reúne em Pedrógão o Conselho Consultivo, a 26 de Setembro.