“Sazonalidade não é precariedade”, sublinha vice-presidente da AHRESP

O peso do canal Horeca mas também as suas principais preocupações e reivindicações, a começar pela legislação laboral, foram sublinhados por Carlos Moura, 1º vice-presidente da AHRESP na tomada de posse dos novos corpos sociais. Na sua intervenção, o responsável avançou também os três eixos estratégicos do mandato que agora se inicia.

  

No global da actividade turística, o canal Horeca representa 71,6% do total das empresas; 78,3 % dos postos de trabalho e 55,9% do volume de negócios e, só em 2017, o sector do alojamento e restauração registou um total de mais de 323 mil postos de trabalho num aumento de quase 16% face ao ano anterior. Este foi o retrato do sector traçado pelo primeiro vice-presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, na tomada de posse dos novos órgãos sociais para o triénio-2018-2021, que decorreu sexta-feira, em Lisboa. Falando em representação do presidente reeleito, Mário Pereira Gonçalves, o 1º vice-presidente, Carlos Moura, iria mais longe, ao afirmar que destes sectores dependem “mais de um milhão de pessoas”, ou seja, “cerca de 10% do total da população” do país.

Estes números reflectem a importância do sector mas também a responsabilidade da Associação que o representa, que quer continuar a ser um “parceiro socialmente responsável” e a contribuir para o crescimento sustentado da actividade turística e da economia do país, o que só acontecerá se forem respondidas de forma afirmativa algumas das suas principais preocupações que “têm estado no todo da agenda” da AHRESP e que “impactam no desempenho” das empresas do sector.

A primeira das reivindicações tem a ver com a legislação laboral que não deve constituir um entrave ao crescimento das actividades económicas que a AHRESP representa, as quais “comportam muitas especificidades”, desde logo por se tratem de actividades marcadas, tal como o turismo, pela sazonalidade. Por isso, a Associação exige que “de uma vez por todas, se dissocie “sazonalidade” de precariedade, pondo termo à ideia que muitos teimam em querer fazer passar, ao invés de se reconhecer o papel fundamental que desempenham, nomeadamente ao nível das oportunidades de emprego que criam”.

Além das questões laborais, a AHRESP, afirmou Carlos Moura, vai continuar atenta aos encargos a que as empresas do sector estão sujeitas e a continuar a “exigir o cumprimento das obrigações fiscais, combatendo a economia paralela e a concorrência desleal, ao mesmo tempo que apresentaremos as nossas propostas, com reformas que tardam, nomeadamente em termos de IVA e Pagamento Especial por Conta”.

Relativamente ao futuro, o vice-presidente da AHRESP disse haver que “antecipar oportunidades e ameaças”, como a robotização e a transformação digital, que vão ter “reflexos ao nível das profissões, dos processos produtivos e da própria gestão”, e também como o problema do aeroporto de Lisboa ou as legislações referentes ao arrendamento e ao Alojamento Local.

Carlos Moura sintetizou ainda os três eixos principais em que irá assentar este mandato: Território, Gastronomia e Pessoas. No âmbito do Território, avançou que a AHRESP vai alargar a sua representatividade, passando a estar presente em todos os distritos do país. “Queremos que os nossos associados sintam a nossa presença em todo o ciclo de vida da sua empresa, que se deseja próspero e longo”, explicou. No que toca à Gastronomia, apontou o desenvolvimento e expansão de programas como o Taste Portugal e Selecção Gastronomia e Vinhos.

Já no que toca ao eixo Pessoas e bem assim no que toca aos Recursos Humanos, o vice-presidente da AHRESP garantiu que a Associação vai promover um plano de acção de âmbito nacional para fomentar o emprego no sector do Alojamento e da Restauração e Bebidas, e aumentar as competências e valorização de todas as profissões destes sectores. “Estaremos empenhadíssimos em desenvolver medidas, a diversos níveis, que promovam as competências, a formação, a qualificação e a dignificação destas profissões, para que a atractividade para elas seja uma realidade e estas sejam desejadas por todos aqueles que querem abraçar uma actividade profissional”, garantiu.

A tomada de posse contou com a presença do ministro adjunto, Pedro Siza Vieira, em representação do Primeiro-ministro, do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, e do presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, entre muitas personalidades da vida política e do associativismo do turismo.

 

ÓRGÃOS SOCIAIS 2018-2021

 Assembleia-geral

Presidente: Rui Mota – ENATUR – Empresa Nacional de turismo, S.A.

Direcção:

Presidente:  Mário Pereira Gonçalves – VERSAILLES, Lda.

1º Vice-presidente: Carlos Moura – ITAU, Instituto Técnico de Alimentação Humana, SA

Conselho Fiscal:  

Presidente: Mauro Sérgio da Silva – SPIR Unipessoal, Lda.

Grupo de Sector dos Restaurantes:  Antero Jacinto – TEOTÓNIO LAZARO MIRANDA & FILHOS, LDA

Grupo de Sector do Campismo e Hotelaria de Ar Livre:  Beatriz Santos – ORBITUR, Intercâmbio de Turismo, SA

Grupo de Sector dos Empreendimentos Turísticos e Alojamento Local:  Fernando Faneco, FERNANDO JOSÉ SOARES FANECO

Grupo de Sector das Pastelarias:  Vítor Sá Marques – MARQUES GONÇALVES E PESTANA, Lda.

Grupo de Sector dos Casinos, Bares e Discotecas:  Eugénio Ribeiro – KAPAINVESTE, HOTELARIA E SIMILARES, SA

Grupo de Sector da Restauração Colectiva:  Fátima Portulez – GERTAL, SA

Grupo de Sector da Restauração de Serviço Rápido:  Sofia Mendonça – SISTEMAS MACDONALD´S PORTUGAL, SA

Grupo de Sector da Indústria e Comércio Alimentar:  Alexandre Bastos – SOGENAVE, SA