Situação geográfica “penaliza” hotelaria lisboeta

Para o presidente adjunto do Turismo de Lisboa, o estudo da PwC ontem apresentado trouxe “boas e más notícias”, mas sem muitas surpresas. Ao comentar os indicadores do estudo para o Tursver.com, Mário Machado frisou que as receitas hoteleiras da capital são penalizadas pela situação geográfica. “Nós pagamos o preço de estarmos na ponta da Europa” “as pessoas podem pagar o mesmo ou menos por cá virem, mas como a deslocação é mais cara, a percepção do preço não é igual”. Por isso, “a receita que fica na hotelaria para o preço ser competitivo acaba por ser mais pequena”. Sobre o estudo, refere que “há indicadores que já conhecíamos” nomeadamente ao nível das cidades com que Lisboa faz benchmarking. Importante é no entanto o facto de esta ser “a primeira vez que Lisboa é comparada”. Ainda assim, considerou que deve haver algum cuidado ao olhar para o estudo dado o risco de se estabelecerem comparações entre cidades que não são completamente comparáveis “seja pelo investimento que fazem ou pela capacidade de investimento que têm, seja pela localização geográfica que têm e que lhes confere um acesso mais barato aos mercados emissores”. O estudo ontem apresentado aponta, em termos de 2013, para um aumento ligeiro no número de hóspedes e dormidas na hotelaria de Lisboa, com os mercados internacionais a compensarem as quebras no mercado interno e também no mercado espanhol. Já as receitas deverão ter uma evolução contrária. Os resultados não surpreendem, mas Mário Machado alerta que “previsões são previsões” e, face à incerteza dos tempos actuais “é difícil saber o que acontece numa semana, menos ainda num ano”. Por isso prefere encarar o estudo como factor de motivação: “Percebemos que há cidades em muito melhores condições do que Lisboa e nós temos que perseguir esse objectivo”. Antecipando que “é indubitável que este vai ser um ano difícil”, Mário Machado garante: “Nós mantemos os nossos objectivos, queremos crescer em número de turistas, queremos crescer em número de dormidas, queremos crescer no valor que os turistas gastam em Lisboa, e vamos esforçar-nos nesse sentido, com os meios que temos”. M.F.