Trabalhadores dos hotéis Visabeira fazem greve

Os trabalhadores dos hotéis do grupo Visabeira, na região Centro, vão estar em greve esta sexta-feira, em protesto pela alteração da convenção colectiva de trabalho. A empresa assegura que os funcionários  não têm razões para esta contestação.

O Grupo Visabeira refere, em comunicado que os funcionários das unidades hoteleiras que tem na região Centro não têm motivos para esta paralização amanhã. “Não existe “qualquer fundamento para o recurso à greve”, garante a administração dos Empreendimentos Turísticos Montebelo SA, que esclarece que a empresa pertence à “Associação Portuguesa dos Hotéis de Portugal, aplicando por conseguinte a Convenção Colectiva de Trabalho” que esta instituição celebrou com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços e que representa “um instrumento de contratação e regulação das relações entre as empresas e os seus trabalhadores no integral cumprimento da legalidade”.

A administração das unidades hoteleiras da Visabeira lembra ainda que é o “maior empregador do sector na Região Centro, com mais de duas décadas de actividade”, criando e promovendo “emprego estável” e “uma oferta hoteleira prestigiada”.

A paralisação foi convocada pelo Sindicato da Indústria de Hotelaria e Turismo do Centro que reclama a decisão da empresa de alterar unilateralmente a “convenção colectiva que sempre aplicou para a regulamentação das relações laborais com os trabalhadores das suas unidades”. Esta medida resulta “num enorme prejuízo quer do ponto de vista financeiro, como social” para os funcionários que “há já cinco anos não têm aumentos salariais” tendo ficado “em desvantagem” face aos restantes empregados “do mesmo ramo de actividade, não só do distrito, como da região Centro, no que respeita a direitos laborais e matéria salarial”.

O pré-aviso de greve abrange os cerca de 130 trabalhadores do Hotel Montebelo, do Palácio dos Melos e do Hotel Príncipe Perfeito, todos em  Viseu, da Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo e do Aguieira Lake Resort, em Mortágua.

O sindicato aponta o “descontentamento” que se vive actualmente nas várias unidades hoteleiras Montebelo, e diz ter sido mandato em plenário de trabalhadores para “exigir que a empresa aplique a convenção colectiva, que de forma justa e legal sempre aplicou ou, em alternativa, se mostre disponível para no imediato se iniciar um processo de negociação de um acordo de empresa que vá ao encontro das expectativas e necessidades dos trabalhadores”.

Refere ainda que “a empresa não se mostrou disponível para aceitar qualquer uma das duas propostas apresentadas”, tendo avançado como argumento “dificuldades financeiras” que “não são compreendidas pelos trabalhadores”. Isto porque “as taxas de ocupação nas unidades são cada vez mais elevadas, sendo este um sector em expansão, como é exemplo o investimento que a empresa está a fazer actualmente em mais uma unidade (Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel), que abre as suas portas aos clientes muito em breve”.

O sindicato admite, no entanto, que se houver condições para suspender a greve será “um bom sinal”.

M.M.