Transparência e qualidade fundamentais para captar mercado alemão

Saber o que fazer para aumentar a quota de Portugal no mercado alemão foi o objectivo do workshop realizado esta quinta-feira pela Associação da Hotelaria de Portugal em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, no Museu de Arte Antiga, em Lisboa. Uma iniciativa em que se falou do destino Portugal, do cliente alemão e de hospitalidade.

Transparência na abordagem, boa relação qualidade-preço, não defraudar expectativas, apostar no que é único e genuíno, falar alemão, acolher bem, prestar bom serviço. Estas são algumas das exigências do turista alemão em que Portugal deve atentar se quer estar no “top of mind” deste mercado. De tudo isto se falou na mesa redonda “Hospitalidade para com o turista alemão numa perspectiva sociocultural” em que participaram Bernardo Trindade, administrador da PortoBay Hotels & Resorts, Rita Alves Machado, directora de Marketing do Grupo Minor e Ana Maria Hubbe, guia intérprete oficial.

Pelo conhecimento que tem do turista alemão que acompanha de Norte a Sul do país, Ana Maria Hubbe deixou algumas pistas sobre um mercado que é exigente em termos da qualidade de serviços, do cumprimento de horários e de expectativas. Avançando que “o turista alemão está preparado para pagar por serviços de qualidade”, frisou que “falar alemão é essencial”, tal como oferecer o que é genuíno, desde a cultura à gastronomia, produtos a que está muito mais ligado do que, por exemplo, ao shopping.

Preço baixo e All Inclusive são normalmente apontados como preferências do turista alemão mas, num caso como noutro, uma boa relação qualidade-preço e um serviço de qualidade que atenda aos seus gostos, acaba por se sobrepor. Isto mesmo se depreende da afirmação de Bernardo Trindade: “Tudo incluído não sei fazer, o que eu sei é fazer uma boa meia pensão e prestar muito bem serviço” – e, como é conhecido, o Grupo PortoBay tem anualmente várias das suas unidades premiadas por operadores turísticos alemães. Vantagem adicional que referiu é a política de responsabilidade social que o grupo implementou nos seus hotéis.

Quanto às preferências dos turistas, há algumas adaptações que os hotéis devem fazer, como deixou claro Rita Alves Machado, e que passam, por exemplo, pelos “horários das refeições” e pelos produtos presentes no pequeno-almoço onde não pode faltar “fruta fresca, cereais, passas e nozes”. Fundamental mesmo para este mercado, afirmou ainda “é dizer sempre aquilo que é”, ou seja, ser claro e transparente. Não escondeu no entanto que há dois grandes desafios que se colocam: “ter sempre pessoas que falem alemão, o que em Portugal ainda não é fácil” e o planeamento porque “este é um mercado que exige informação com muita antecedência”.

*Leia a reportagem na próxima edição da Turisver