Turismo já vale 12,5% do PIB nacional, revela Conta Satélite

A Conta Satélite do Turismo (CST) revela que o consumo turístico no território económico atingiu 12,5% do PIB nacional em 2016, tendo aumentado 5,8% o ano anterior e 5,9% em 2015, enquanto estima que o ano passado, o VAB gerado pelo sector tenha atingido 7,1% do Valor Acrescentado Bruto da economia nacional, aumentando em cerca de 10% em termos nominais, e sucedendo a um aumento de 7,1% em 2015.

O Instituto Nacional de Estatística retoma, assim, a publicação da Conta Satélite do Turismo, tendo apresentado esta quinta-feira, em Lisboa, os resultados finais para 2014 e 2015, e uma primeira estimativa para 2016, em cerimónia que contou com a presença da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

A “nova” Conta Satélite do Turismo inclui mais sete secções, destacando-se a procura turística e as características das suas duas principais componentes, ou seja turismo de visitantes não residentes e turismo nacional, o consumo turístico fora do território económico, pela primeira vez, informação sobre o consumo final das administrações públicas relacionadas com o turismo, os resultados detalhados sobre o Valor Acrescentado Bruto gerado pelo turismo (VABGT), emprego e remunerações, comparações internacionais, e finalmente, a variação dos principais agregados da CST entre 2008 e 2015.

O documento apresentado por Cristina Ramos, directora do Serviço de Constas Satélite e de Avaliação de Qualidade das Contas Nacionais do INE, indica que as exportações do turismo corresponderam, em média, a 18,4% do total das exportações nacionais em 2014 e 2015, enquanto no mesmo biénio o emprego nas actividades características do turismo representou, em média, 9,1% do total do emprego nacional.

A CST refere ainda que no período em análise, a despesa do turismo receptor foi a componente mais importante da procura turística, correspondendo a 61,5%, enquanto a despesa do turismo interno contribuiu para 31,5%. As despesas dos turistas incidiram maioritariamente no alojamento (25,9%), transporte de passageiros (21,8%) e restauração e bebidas (24,2% que, em conjunto, representaram quase 72% do total das despesas.

O INE faz ainda um retrato laboral do sector, mas com dados até 2015, concluindo que o turismo emprega quase 400 mil portugueses, ou cerca de 9% do total do país, o que traduz um aumento de 4,2%.A remuneração média praticada no sector está 2,4% acima da média nacional.

A conta satélite avalia ainda o peso do turismo na economia em termos comparativos no espaço europeu, embora sem a totalidade dos dados actualizados, concluindo que apenas a economia espanhola depende mais do turismo, do que a portuguesa, e que o VAB do sector na Dinamarca é de apenas 1,5% do total.