V Fórum Vê Portugal dedica discussão às vantagens competitivas do interior

Os desafios do turismo de interior numa perspectiva de centralidade ibérica foram o mote dos debates que marcaram o primeiro dia de debates do V Fórum Turismo Interno Vê Portugal, na Guarda.

Para os oradores, esta discussão é tão importante quando existe a necessidade de se encontrar um equilíbrio no desequilíbrio desta região do país encravada entre as duas grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, quer ao nível do investimento público. Como referiu Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, “acreditamos que num Estado consolidado da importância que tem hoje a indústria do turismo, é relevante para podermos atingir algum equilíbrio nesse desequilíbrio que o país viveu nas últimas décadas”.

Apesar de hoje ser uma região em crescimento, a análise passou pela necessidade de encontrar soluções para questões que visam dar respostas aos desafios da sazonalidade e da estadia média, a forma como os fluxos se mantêm muito concentrados junto à fileira do litoral, com vista a reforçar a consolidação e da sustentabilidade da actividade turística em Portugal.

Foi no entanto referido que estes territórios estão a conseguir ultrapassar os problemas estruturantes, o que significa que, segundo Pedro Machado, “há uma viragem de página em relação à abordagem que o país fez durante décadas sobre a sua projecção enquanto mercado competitivo para o turismo, contra uma aposta consecutiva de projecção de Portugal, sobretudo nos mercados externos, como destino de sol e praia”. Mas, de acordo com o responsável, “hoje percebemos que há um conjunto de tendências que inverte esta curva da procura focada no produto sol e praia”. É por isso que o turismo de natureza, o turismo activo, o património, cultura, a gastronomia, o turismo de saúde e bem estar “estão a crescer de forma exponencial no nosso país, não só porque estamos em articulação com as grandes tendências que os mercados internacionais têm, mas muito em particular com o perfil do turista que estamos a receber”, destacou,

Turismo de Interior – Desafios e Tendências” foi o tema do segundo painel que contou com intervenções de Francisco Martín Simón, director-geral do Turismo da Junta da Extremadura (Espanha); Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal; Paulo Romão, responsável pelo projecto Casas do Côro; e João Paulo Catarino, Coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior.

As vantagens competitivas que o interior pode oferecer, foram abordadas João Paulo Catarino. “Quando visitamos as cidades europeias, verificamos que a homogeneização é evidente”enquanto no interior “oferecemos autenticidade”, por isso “para aumentarmos os visitantes em Portugal, temos de alargar o território que recebe turistas para zonas menos visitadas”, sublinhou. “Os turistas que vêm cá procuram a natureza, a biodiversidade, a paisagem, a gastronomia, mas falta-nos ensinar o caminho para o interior a quem chega a Lisboa e Porto. Se pudermos acelerar esse processo, ganharemos todos com isso”, reforçou. O painel concluiu, no entanto, que a questão passa por melhorar a rentabilidade das empresas turísticas instaladas nestes territórios.
Já o painel, dedicado ao tema “Inovação, Competitividade e Coesão”, que contou com intervenções de Ana Abrunhosa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro; Luís Veiga, CEO da Natura IMB Hotels e do IMB Group, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP; e Carlos Costa, director do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da Universidade de Aveiro, também centrou a análise nestas questões do interior, nomeadamente ao nível de custos de contexto e das medidas que têm sido tomadas, nomeadamente na região Centro com vista a aumentar a competitividade e coesão.