Vila Termal de São Pedro do Sul com 14M€ de investimentos em carteira

A Vila Termal de São Pedro do Sul tem a decorrer, e nos próximos dois anos, investimentos na ordem dos 14 milhões de euros, com vista a requalificar o destino e esbater a sazonalidade, anunciou Victor Leal, presidente do Conselho de Administração da Termalistur, empresa municipal que gere as Termas de São Pedro do Sul e presidente da Associação Termas de Portugal.

  

  

De entre a lista de novas obras ou de requalificação de espaços já existentes, que visam fazer da vila um eco-resort termal, constam a renovação do Grande Hotel Lisboa, que custará 6,7 milhões de euros, e do Hotel Vouga, com um investimento que rondará 1,7 milhões de euros, que passarão da classificação de três para quatro estrelas “criando uma capacidade nova e diferenciadora”, segundo o gestor.

Vão ser igualmente gastos 600 mil euros na criação da maior eco-pista da Europa, com um percurso à volta do Rio Vouga e que ficará também ligado ao Dão. No que diz respeito às termas propriamente ditas, o município vai candidatar-se a apoios para remodelação do Balneário Rainha Dona Amélia, considerado o mais antigo da Europa ainda em funcionamento, mas que

entretanto já esteve entre 1998 e 2000 para obras de requalificação. O Balneário D. Afonso Henriques, ampliado e remodelado em 2008 com uma verba de 10 milhões de euros, é o maior e mais moderno balneário termal da Europa e ficou com condições para receber 45 mil aquistas por ano.

Já a valorização, conservação e reabilitação do Balneário Romano, em ruína há 70 anos, considerado por Victor Leal como “a maior obra a nível cultural na região Centro”, e que vai abrir no próximo ano, custa 1,9 milhões de euros, sendo financiadas a 85% por fundos comunitários. Trata-se de um espaço com várias componentes romanas e manuelinas que se quer transformar num pólo de desenvolvimento cultural, conservando a sua história e devolvendo o espaço aos visitantes, com espaço museológico e recriação de águas termais “para se perceber que dinâmica aconteceu em São Pedro do Sul” na época, segundo o responsável, num encontro este fim-de-semana com um grupo de jornalistas que integrou uma press trip organizada pelas Termas Centro.

A Vila Termal de São Pedro do Sul pretende, com estes investimentos, atrair um público mais jovem “que venham aos fins-de-semana e tenham um contacto com as águas termais, numa vertente não do termalismo clássico e tradicional de cura de doenças, mas numa perspectiva de bem-estar, promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida”, explicou Víctor Leal.

As Termas de São Pedro do Sul que têm uma quota de 35% de mercado em Portugal, facturam anualmente 4,5 milhões de euros, e acolhem 12 mil utentes para fins terapêuticos e cerca de quatro a cinco mil para efeitos de bem-estar, que dão há hotelaria, hoje composta por duas mil camas, 160 mil dormidas/ano, num destino ainda considerado muito sazonal, em que os picos concentram-se de Julho a Outubro. “Apesar de estarmos a criar todo este conjunto de valências, temos necessidade de ter hotéis que acompanhem essa dinâmica, e aqui nas termas não temos hotéis acoplados como acontece noutras estâncias. Os balneários são geridos pela Câmara Municipal e as unidades de alojamento são privadas”, referiu o responsável, para adiantar que nesta busca de público mais jovem estão a ser criadas várias actividades de animação e de contacto com a serra, as aldeia típicas e a gastronomia.

Um dos projectos que a vila tem dado grande enfoque tem a ver com o desenvolvimento da produção de energia geotérmica, uma vez que, nascendo a mais de 68 graus centígrados, para serem utilizadas, as águas termais de São Pedro do Sul precisam de ser arrefecidas. Se o excedente de energia já serve para aquecer as águas de todas as unidades hoteleiras locais e as estufas de produção de frutos tropicais, o objectivo é ir mais além e constituir-se num eco-resort “aberto para usufruir um conjunto de actividades integradas para toda a família, e produzindo o mínimo de emissão do CO2”, realçou o presidente do Conselho de Administração da Termalistur.

As Termas de São Pedro do Sul, refira-se, estão igualmente a desenvolver a produção de produtos de dermocosmética através da incorporação da água termal. A linha AQVA criada em 2014 já incorpora oito produtos e este ano vão ser acrescentados cinco.