Vítor Costa: Lisboa vai ter ?solução coerente e forte para o turismo regional?

Em entrevista ao Turisver.com, o director-geral da ATL e candidato à presidência da nova Entidade Regional de Turismo de Lisboa fala da Lei das ERTs ontem publicada, das suas implicações no Turismo de Lisboa e também da nova ERT de Lisboa e dos seus objectivos. Turisver.com – Como é que a ATL reage à nova Lei, que tem vindo a causar polémica, e o que é que vai mudar no Turismo de Lisboa? Vítor Costa – O processo legislativo foi demorado e polémico mas agora está concluído. Não nos interessa retomar as polémicas mas sim encontrar as melhores soluções no quadro existente. Quanto à ATL, a Lei consagra soluções para que lhe possam ser atribuídas responsabilidades por via da delegação de competências e da contratualização para o território da área metropolitana de Lisboa. O problema é que a nova ERT de Lisboa acabou por ficar também circunscrita a este território. Por isso, algumas entidades com especial responsabilidade em virtude da sua representatividade no Turismo consideraram que deviam dinamizar uma solução para o Turismo regional que fosse coerente e complementar. Refiro-me especificamente aos Presidentes da CM de Lisboa, Dr. António Costa e da CM de Cascais, Dr. Carlos Carreiras. Acresce que o legislador explicitamente pretende que as ERTs, embora entidades públicas, tenham uma forte participação de entidades privadas, empresariais e sindicais. Entendemos que este princípio é válido para a constituição das entidades, mas também para o futuro. Portanto, estamos a falar de coerência e complementaridade entre a ATL, a ERT e o sector privado. Grosso modo, a solução apresentada reserva para a ERT o papel de entidade delegante e o papel institucional de diálogo com o Governo, a Administração Central e os Municípios e para a ATL o papel de entidade executora. É isto que vai mudar: passamos a ter uma solução coerente e forte para o turismo regional. Isto permitir-nos-á também ter uma voz mais activa e ter propostas sustentadas para o desenvolvimento turístico da nossa região. Turisver.com – Com a recomposição geográfica que a nova Lei implica, a região de Lisboa fica, de alguma forma, ?diminuída? em termos de produto já que o Oeste é muito forte no golfe e no surf? Vítor Costa – Não defendemos essa solução, mas a opção foi tomada. Em qualquer caso, a região de Lisboa continuará a ser a mais dinâmica e com mais potencial no turismo nacional. A solução adoptada obriga-nos a olhar de forma diferente para o nosso destino. Ficamos mais concentrados para melhor aproveitar as potencialidades. Dou um exemplo: tencionamos recuperar a marca Costa Azul e dinamizá-la em conjunto com os municípios da Península de Setúbal. Há aí um potencial grande que pode ser desenvolvido e, com isso, tornar a região mais equilibrada. Por outro lado, a nossa responsabilidade será sobre 18 municípios. Cremos que poderemos dar melhor atenção a cada um deles, correspondendo melhor às expectativas de Oeiras, Mafra ou Vila França de Xira, por exemplo, do que as regiões que têm um território com 80 ou 100 municípios. E nada impede que haja cooperação com outras regiões para acções ou programas concretos. Turisver.com ? Em termos de ERT Lisboa já encontrou o caminho. A proposta da sua candidatura à presidência da nova Entidade Regional pode ser vista como um garante de que Lisboa será o grande pólo dinamizador da nova ERT? Vítor Costa – O objectivo não é esse, mas obviamente que Lisboa é o principal pólo e a marca mais importante e ninguém põe isso em causa. Refira-se que a iniciativa de Cascais e Lisboa se destinou a lançar o processo mas é uma iniciativa inclusiva onde todos têm lugar e estão a ser desenvolvidos esforços nesse sentido. Nós pretendemos desenvolver e dinamizar toda a região, nomeadamente as suas marcas – Lisboa, Costa do Estoril, Sintra, Costa Azul – mas também a oferta existente nos outros municípios. E queremos fazer isso com todos a remar para o mesmo lado: ATL, ERT, públicos e privados, seja na dinamização do destino e dos produtos turísticos, seja na melhoria da experiência dos turistas, seja na promoção externa ou no mercado interno. Queremos aproveitar melhor todos os recursos materiais, humanos e financeiros disponíveis. Queremos corresponder ao objectivo de poupança de custos de funcionamento. Se formos eleitos, eu e o Dr. Miguel Luz, vice-presidente da CM de Cascais, renunciaremos à remuneração na ERT. Uma das primeiras iniciativas que nos propomos desenvolver é o lançamento de um Plano Regional de Turismo, que seja adoptado pela ATL e pela ERT e que seja a referência dos agentes públicos locais e nacionais e das empresas privadas. Turisver.com – A ATL tem eleições marcadas para dia 28. Isso significa que a continuidade da ATL está garantida mesmo que não continue a ser a Agência de Promoção de Lisboa? Vítor Costa – A ATL é uma entidade privada de interesse publico, com mais de 650 membros, que dispõe de meios próprios e de autonomia. No decurso do processo legislativo os membros da ATL decidiram que ela continuaria, fosse qual fosse a solução consagrada na lei. Relativamente à promoção externa esperamos que a ATL continue a ser a ARPT de Lisboa. M.F.